Sujeito do pensar
O sujeito do pensar é quem pensa, sujeito real, temporal. É a mente humana que realiza o ato de pensar (pesar, medir, calcular) que como ato é sempre novo.
Assim pensamos no livro que está à nossa frente, e cada vez que o fazemos, realizamos um ato novo. O ato de pensar é outro, mas o pensamento livro é o mesmo. Tal fato se dá porque o que conceituamos, nos extraímos, abstraímos das coisas. Esse conceito permanece virtualizado em nossa mente, pois o conceito de livro não é um livro, objeto real, mas o que generalizamos dele, um esquema abstrato. E chamaremos de livro a todo o objeto que em ato, isto é, como objeto, que suceda aqui e agora, corresponda àquele livro ideal, que virtualizamos.
O conceito permanece em nossa mente como algo virtual, que ainda não é existencialmente em ato. O ser virtual, que os filósofos costumam chamar de ser-em-potência, ou seja, um ser que ainda não é, mas que pode, tem o poder, potência de vir a ser-em-ato, não é ser no tempo nem no espaço, pois não ocupa um lugar nem muda com o tempo. O livro enquanto ato (este livro, aquele livro) ocupa um lugar no tempo e no espaço. Por isso, ao pensarmos uma, duas, três vezes sobre o conceito livro, realizamos três operações mentais de pensar; quer dizer, pensamos três vezes, mas o conceito livro é sempre o mesmo em todas elas, porque o conceito o separamos do tempo e do espaço, enquanto ao pensar, somos no tempo e espaço e o pensamento é algo que repetimos, porque não é tempo nem espaço.
Quando pensamos três vezes sobre o triângulo, realizamos o ato de pensar três vezes, porém não temos três triângulos, mas apenas um, porque o conceito de triângulo é alguma coisa que separamos do tempo e do espaço, pois este, que está aqui, pode ser maior ou menor em ato, apesar de como conceito não ter dimensão nem seus ângulos graus determinados, a não ser a soma de dois ângulos retos, o que é matematicamente necessário na concepção de um triângulo. Todos, no entanto, sentimos isso quando dizemos: “eu tive o mesmo pensamento de você”, ou seja, quando um pensamento de outrem coincide com o nosso. Um dos pontos mais importantes é o da distinção entre pensar e pensamento. O primeiro é objeto da psicologia; o segundo, da lógica.