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Opinião

Opinião

(do lat. opinio, do gr. doxa)

O verbo opinar, dar opinião, nos revela que neste há um assentimento da nossa mente sobre algo que é aceito, mas que ao mesmo tempo se admite a possibilidade, por parte de outro, de não aceitá-la ou de apresentar até razões contrárias. A opinião pode ser o começo do filosofar, mas jamais será o verdadeiro filosofar. O filósofo não é o que opina, mas o que demonstra, o que postula. Vide Demonstração.

Crítica

É mister libertar a filosofia do predomínio da opinião e dos filodoxos, já que esta consiste no assentimento ou no dissentimento em uma parte da contradição com o receio, contudo, de errar.

Ou seja, há opinião quando ao admitirem-se posições inversas, aceita-se uma com o receio, contudo, de que seja errada, podendo a contrária ser verdadeira. A opinião, portanto, é própria do filosofar primário, do filosofar axioantropológico, onde ainda predominam os valores humanos e as vivências afetivas podem influir na seleção dos valores, na acentuação, valorização, preterição de valores.

Em suma, onde o axioantropológico predomina estamos na filosofia prática em oposição à filosofia especulativa. Desse modo, essa ampla divisão da filosofia é justificada plenamente. Caracteriza a filosofia especulativa, da qual fazem parte a metafísica geral, a matemática, a lógica, a dialética no bom sentido, a cosmologia, etc., pelo especular libertado do axioantropológico, dos valores marcantemente humanos, das apreciações valorativas de origem vivencial afetiva. O filosofar aí procede como se deve proceder na ciência, ou seja, pelo afastamento de tudo quanto pode sofrer a acentuação, a ênfase ou o desprezo dado pelo sentir humano.

A ciência é, assim, uma justa herdeira da filosofia especulativa medieval. Esta se caracterizou pelo afã de libertar-se do axioantropológico e buscou até justificar, filosoficamente, os postulados religiosos sem recorrer ao sentimento, e portanto à fé, tentando, num esforço extraordinário, dar fundamentos filosóficos às assertivas da religião cristã.

Precisamente, a filosofia moderna, a que assim é chamada, quando se afasta das normas seguras e sóbrias da escolástica, que buscava livrar-se das influências axioantropológicas, terminou por cair totalmente nas mãos ou do irracionalismo, predominantemente axioantropológico, ou de um intelectualismo apaixonadamente construído, como se vê nos excessos racionalistas e nas construções do idealismo.

A filosofia especulativa estabelece-se sobre um terreno de rigorosas fórmulas, ausentes do opinativo, provedoras do exame em profundidade e com o rigor apodítico necessário que evitem o meramente assertórico e fundem-se na demonstração rigorosa, a demonstração apodítica.

O juízo apodítico é o juízo de necessidade ou juízo necessário. Mas a necessidade pode ser de dicto ou de re. Assim se diz que “Sócrates agora se move porque anda”, pode-se estabelecer o juízo necessário de “Sócrates necessariamente agora se move porque anda”. Mas aqui a necessidade é de dicto e não de re, porque não é de necessidade andar Sócrates agora, mas sim, se anda, deve mover-se necessariamente. Estamos aqui em face de uma necessidade hipotética, que é mister distinguir da necessidade absoluta, que é a de natureza.

Assim se se diz “se A é um ser contingente, necessariamente é limitado”, a necessidade aqui não é apenas de dicto mas também de re, porque é da natureza e da essência do ser contingente ser limitado, e o que é da essência é sempre e imprescindivelmente, necessariamente do ser. A necessidade de natureza é a que decorre da essência do próprio ser, do que o ser é em sua emergência estrutural, em seu logos e em sua estrutura tensional de essência (do que é), e existência (do seu exercício de ser).

Ora, só pode haver opinião onde não se alcança a estrutura eidética do ser, ou quando pairam ainda probabilidades outras de alguma coisa ser outra que o que julgamos ser. Na opinião há verdadeiramente um ato de vontade, guiando a mente a uma asserção pela qual assenta ou dissenta de algo, mas fundamentalmente eivada do temor de que os opostos ao que diz possam ser verdadeiros, e o que afirma ou nega possa ser falso.

Há probabilidade onde há verossimilitude igual para tendências opostas. Contudo a probabilidade pode ser maior ou menor, bem como as probabilidades podem convergir, atingindo até um grau máximo, sem contudo, identificarem-se com a certeza. As menores probabilidades são preteridas quando em conflito com as maiores. Assim se tem procedido. Contudo, seja como for, uma probabilidade por menor que seja, não pode ser elidida por uma probabilidade maior, porque esta nunca dá o grau apodítico de certeza, que se deve desejar na filosofia, porque uma probabilidade menor pode atualizar-se em vez da maior. De modo alguma a probabilidade leva à certeza.

A certeza absoluta só se dá quando o assentimento da mente é verdadeiro, ou quando fundado em motivos que excluem a possibilidade da simultaneidade dos opostos contraditórios, conhecidos como tais. Esta a razão porque os juízos de existência nada mais garantem de verdadeiro do que a possível existência, e os juízos meramente contingentes não nos tiram do campo da própria contingência. É preciso, então, reduzir um juízo contingente em juízo necessário, não apenas de dicto mas de re; ou seja, alcançar a necessidade de natureza, que é a que ressalta dos juízos analíticos, aqueles em que o predicado é da essência do sujeito.

Inúmeros filósofos, assim como o fez Kant, afirmam que não haveria, então, nenhum progresso para o pensamento humano, porque permaneceríamos apenas em tautologias. É improcedente essa afirmação, porque Kant jamais considerou os juízos virtuais, que estão contidos num juízo analítico, e que permitem alcancemos a verdade não de algo suspeitada através do método apofântico, que é aquele que, graças à análise dialética, pela via ascensus e pela via adescensus, ilumina a mente, que descortina possibilidades pensamentais, que de antemão não notaria.

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