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Niilismo

NIÍLISMO

a)

É a doutrina que admite que o nada, além de ser ou de haver, é capaz de ser pensado. O argumento de Górgias que o defendia era: "Se posso pensar em alguma coisa, é porque existe; ora, posso pensar no nada; logo, o nada existe". Este silogismo é uma verdadeira falácia, porque não se prova que tudo sobre que podemos pensar existe, porque o pensamento só pode, de per si, afirmar a existência em quem pensa, não uma existência fora do pensamento. Ademais, pensar na ausência de todas as coisas, que é o modo de pensar sobre o nada, que em si é impensável, não é ainda colocar o nada, nem realizá-lo.


b)

Chama-se de niilismo toda posição filosófica, doutrinária, ética, etc., que preconize uma valorização e até uma supervalorização desse conceito negativo de nada, e ainda empreenda sua atividade doutrinária ou social no que é destrutivo, no que aniquila o que há, ou que pretende, em suma, destruir todos os valores para afirmar os desvalores. Vide Valor. Nietzsche foi o grande crítico do niilismo e o classificou em ativo e passivo, em positivo e negativo, o que permite inúmeras combinações. É ativo o niilismo que empreende uma ação destrutiva. É positivo quando pretende destruir algo para ser substituído por algo julgado melhor, como os revolucionários construtivistas. É negativo quando consiste na não oposição ao destrutivo. É passivo, o que aceita a destruição sem contribuir diretamente para ela, sem opor obstáculos, por cumplicidade passiva. E essa cumplicidade será positiva ou negativa, na proporção em que colabore com a destruição para construir, ou com a destruição pura e simples. Nietzsche chamava-se de niilista ativo positivo, pois desejava derrocar a escala de valores do mundo burguês de sua época para substitui-la por uma outra mais nobre e mais digna para o homem.

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