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Felicidade

Felicidade

(do lat. felicitas, de felix, ditoso, afortunado, feliz que, por sua vez, decorre de fenus, oris, que significa o que produz a terra, o produto, o ganho, o lucro, a vantagem, o proveito).

Por ser racional o ser humano, e caber-lhe a capacidade de tímese parabólica (Vide tímese parabólica), é ele capaz de comparar o que é com o mais perfeito que poderia ser e, daí, aspirar à perfeição absoluta.

A perfeita felicidade implica a exclusão total de todos os males, a posse de todos os bens e a sua perpetuidade, quer subjetivamente (certeza dessa posse), quer objetivamente, a posse perfeita de fato. A perfecta felicitas entis (a perfeita felicidade do ente), referida pelos antigos, teria estas características.

Tem assim o ser humano o desejo da mais perfeita felicidade, da plenitude da quietação do seu espírito. Ele tem consciência portanto da perfectibilidade absoluta e a deseja. Não encontra a quietação do espírito na posse e uso dos bens materiais (bem-estar), mas na posse da perfeição absoluta (felicidade).

Como criatura o homem tende para o ser infinito. Como racional tende para a felicidade absoluta desse Ser; sua suprema aspiração. Se sabe que não lhe é alcançável como criatura, seu desejo é a fusão final no supremo poder do Ser Supremo.

Todo ser finito tem carências e sua perfeição é aumentada pela posse de perfeições. Sua quietude só poderia ser atingida pela posse de toda perfeição de ser. Ora, essa perfeição de ser, esse ser perfeito, é o Ser Supremo. Para que a felicidade se concretize no homem, seria imprescindível a total quietação do anelo, pela posse total, plena e perpétua do anelado. Conseqüentemente o ser perfeito é o objeto necessário da felicidade humana, pois esta só se dará na suprema perfeição.

Os eudemonistas, que se fundam na voluptuosidade terrena, negam consequentemente o Ser Supremo, pois admitir que a felicidade do homem possa ser encontrada na posse apenas dos bens terrenos é negar-lhe o anelo do ser perfeito, que é evidente.

Também os evolucionistas, que se fundamentam no progresso humano, admitem que ela é atingida pelo progresso, que se dará num determinado ponto de ascensão humana, ou é adquirida (como pensam alguns) à proporção que o homem aumenta de poder. Na verdade, a primeira colocação é meramente preconceitual e sobretudo falsa, pois esse ponto máximo de progresso não é ainda a felicidade, a qual implica a quietude, a tranqüilidade do anelo, pela posse total e plena do anelado. A segunda confunde a felicidade com o prazer, que se liga à conquista do poder. Mas o prazer não é ainda a felicidade, embora nesta se realize decorrente da posse final do objeto desejado.

Os eudemonistas sociais e positivistas também negam o Ser Supremo porque põem a felicidade na voluptuosidade terrena.

Nietzsche coloca-a no alcançar o super-homem. Mas este era uma linha ascensional e, neste ponto, seu pensamento se confunde com o evolucionista.

Os estóicos punham a felicidade na prática da própria virtude que, sem dúvida, dá um prazer superior. Este ainda não é a felicidade, que exige a total quietação, não pela ausência do anelo, mas pela posse plena, perpétua do anelado.

Kant colocava-a na conformidade com a lei moral. Mas se o atuar adequado à lei moral dá prazer, não é ainda a felicidade.

Schopenhauer e os niilistas, na impossibilidade em que se encontravam de resolver tais problemas, afirmavam que ela alcançar-se-ia na aniquilação. Mas a felicidade implica posse, e na aniquilação, não há posse, e não há o prazer que dela decorre.

Aristóteles afirmava que ela seria conquistada pelo complexo corpo-alma, na realização plena da natureza humana; portanto, numa felicidade ainda terrena.

Platão colocava-a na contemplação da idéia do Bem e das coisas divinas. Essa visio seria beatífica, e se aproximava, assim, ao pensamento das religiões.

Os estatólatras (comunistas, socialistas, fascistas, etc.) colocam a felicidade na classe ou no Estado, ou na prosperidade econômica, etc.

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