Voltar ao Dicionário

Ética

(Métodos da)

Nos primórdios desses estudos houve, naturalmente, tendência a confundir as normas éticas com as normas lógicas, o que não deixa de haver positividade, pois aquelas são, de certo modo, lógicas.

Há os que se colocam apenas no exame empírico dos fatos éticos, considerando-os como meramente históricos, como manifestações dos costumes humanos, das normas estabelecidas para as relações humanas e a melhor convivência entre os indivíduos. Inegavelmente, tal método tem seus aspectos positivos, pois a experiência é uma grande mestra das mais espontâneas manifestações éticas e os que prescindem da experiência, da história até, como os rousseaunianos que a fundam num direito natural puro, tomado da natureza humana abstratamente considerada. O prescindir da experiência é excluir uma positividade, como o seria prescindir da lógica, mas o afirmar um fundamento natural puro da ética não padece de positividade, como o fazem os rousseaunianos.

Os racionalistas aceitam apenas o fundamento na razão humana. Há também neles uma positividade, mas ao rejeitarem outras, cometem um erro, pois ao afirmarem que só a razão humana é capaz de alcançar as normas éticas, negam uma razão transcendental e até uma razão sobrenatural. Esta é, por exemplo, a posição dos socialistas e dos totalitários, que chegam a afirmar que apenas atuam na formação das normas éticas, a razão natural ou razões históricas, de classe, de raça (racistas), de casta, de nação, como nos estatólatras, nos adoradores do Estado político. Se considerarmos a moral historicamente, há certa positividade nessas posições, verdadeiras enquanto atualizam certos aspectos positivos, mas falsas ao virtualizarem outras positividades que elas inibem e ocultam.

Para os tradicionalistas a razão não é suficiente nem capaz para dar as normas morais que são transmitidas por revelação divina. Segundo os historicistas é a história que cria as normas morais, pois é ela a fonte de todos os costumes. Já para os fideístas a razão é impotente, e só a é capaz de nos indicar as normas morais. Os agnósticos afirmam que nada sabemos ao certo sobre as normas éticas; ou só sabemos o que nos é dado pela experiência, endossando assim os positivistas. Para os evolucionistas, tendo o homem alcançado um estado superior da inteligência e de vontade, a moral estabelece-se como um grau mais elevado dessa evolução natural até alcançar a inteligência e o livre-arbítrio, a escolha livre e, desde então, é a vontade que preside ao desenvolvimento da evolução, buscando o homem alcançar o mais forte e o mais elevado, através do processo da própria inteligência e o da vontade.

Para outros são as leis morais apenas variantes e mutáveis; no caso os cépticos e os sociologistas. A norma moral é captada do exame do caso concreto sociológico e atende apenas aos interesses mais ou menos explícitos do grupo em que são instituídas.

A posição empírico-especulativa é a mais consentânea com o exame do fato ético, pois partindo da observação dos fatos, através da especulação, procura alcançar os princípios gerais que as explicam.

Voltar ao Dicionário