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Dialética Antinomista

Dialética Antinomista

Intitula-se também trágica. Dialéticos trágicos foram Zoroastro, Heráclito, Proudhon, Nietzsche e outros que a aceitavam como fundamento de toda existência, uma antinomia profunda na natureza. Outra não era a situação do herói da tragédia grega, entre duas forças opostas.

A dialética trágica distingue-se da triádica (como a de Marx), por aceitar uma oposição constante de todo o devir, de toda existência (que, para eles, é devir), enquanto a outra admite um terceiro termo, a síntese.

Por outro lado, distingue-se ainda por considerar a antinomia como fundamental, tanto do espírito humano, como da natureza, e não como alguns dialéticos que ao interpretarem Hegel, consideram-na apenas imanente ao espírito, ou como os marxistas, que proclamam que “a contradição está nas coisas e não existe na consciência e no pensamento, senão porque está nas coisas” (Lefèbvre).

Para a dialética antinomista (trágica) há uma antinomia fundamental de toda a existência, que se desdobra numa indeterminada série de processos antinômicos que, por seu turno, geram outros.

Todo ser existente apresenta duas ordens dinâmicas: uma de intensidade e outra de extensidade. Diz a dialética antinomista que estas duas ordens são antinômicas e irredutíveis uma à outra. Mas também afirma que uma complementa a outra, o que chamamos de complementaridade.

Não há intensidade sem extensidade, nem extensidade sem intensidade. Essa antinomia não se resolve, e indica uma oscilação ou antagonismo suscetível apenas de equilíbrio dinâmico, mas tal não é conseguido por um terceiro termo, porque na natureza não há síntese, no sentido de alguns marxistas.

Os estímulos exteriores são percebidos pela consciência. Mas em toda percepção há uma escolha e uma modelação, assim toda percepção é “contradição” do percebido, e uma “contradição” de si mesma, pois é modelada, é modificada. Em todo conhecimento há também desconhecimento. E como a filosofia pode construir uma teoria do conhecimento também poderá construir uma do desconhecimento.

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