Abstinência
(do lat. abstineo, manter-se afastado)
Consiste em impor-se voluntariamente, com finalidade moral ou religiosa, a privação de determinadas coisas de que a nossa natureza física carece.
Na ética, renúncia voluntária à satisfação de um desejo ou de uma necessidade.
Recomendada pelos estóicos com a máxima: Abstine et sustine, preceito de Epicteto, tendente a tornar a alma independente da natureza, e a dar-lhe a posse integral de si mesma. Exaltava, assim, a grandeza da individualidade humana, por uma superação do homem.
Em sentido cristão funda-se a abstinência na humildade. É ela uma expiação, neste mundo, do mal que permanece no homem, por culpa de seu pecado e pelo de seus antepassados. Também abstenção de comer carne em determinadas datas religiosas (dias de abstinência).
É o principal caráter da moral ascética, que vê na vida uma decadência; na sociedade, um estado de queda e, na natureza, um castigo. Esta acepção decorre da letra d.
Usado por Nietzsche no sentido estóico, não, porém, como norma contínua, mas discontínua, alternando-a com a intemperança. Para ele a abstinência seria um ato voluntário, um domínio sobre si mesmo, como treinamento da vontade, porquanto se ela se tornasse contínua se transformaria em hábito, não oferecendo o prazer da vitória.