Texto da edição brasileira da Liturgia das Horas, conforme a tradução aprovada pela CNBB, publicado aqui com autorização. O ofício de cada dia é montado pelo calendário litúrgico próprio do Brasil, com as coletas salmódicas ao fim de cada salmo. A formatação original dos versos foi preservada: o asterisco (*) marca a pausa no meio do versículo e a cruz (†) indica a flexa, usada quando o versículo é mais longo. As indicações em vermelho são rubricas.

O que é a Liturgia das Horas

A Liturgia das Horas — também chamada Ofício Divino — é a oração pública e diária da Igreja. Não é uma devoção particular entre outras: é a própria oração de Cristo que continua no tempo, rezada por seu Corpo, a Igreja. Ao distribuir a louvor ao longo das horas do dia, ela realiza aquilo que o Concílio Vaticano II chamou de santificação do dia (Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 84).

Seu material é sobretudo bíblico: os Salmos formam a espinha dorsal do Ofício, acompanhados de cânticos do Antigo e do Novo Testamento, leituras da Escritura e dos Padres da Igreja, hinos e preces. Rezando os Salmos, o cristão toma emprestada a linguagem que o próprio Espírito Santo inspirou, e reza com as palavras que Jesus rezou.

Os leigos podem rezar? Sim, e a Igreja o recomenda expressamente. O Ofício Divino é confiado a toda a comunidade cristã, não apenas ao clero e aos religiosos (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 100). Quem começa não precisa rezar todas as Horas: comece pelas Laudes e pelas Vésperas.

As Horas do dia

Laudes e Vésperas são chamadas as duas colunas do Ofício cotidiano e têm precedência sobre as demais (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 89). Abaixo, cada Hora e o momento a que corresponde.

Invitatório

Ao despertar

Abertura de todo o dia de oração, com o convite do Salmo: “Vinde, exultemos no Senhor”. Reza-se uma única vez, antes da primeira Hora do dia.

Ofício das Leituras

Qualquer hora do dia

A Hora mais longa e mais rica: salmodia ampla, uma leitura bíblica extensa e uma leitura patrística ou hagiográfica. Não está fixada a um horário.

Laudes

Ao amanhecer

Consagra a manhã a Deus e evoca a Ressurreição. Culmina no Benedictus, o cântico de Zacarias.

Hora Média

Terça (9h) · Sexta (12h) · Nona (15h)

Breves pausas que santificam o trabalho. Quem reza uma só delas escolhe a que melhor corresponde ao seu horário.

Vésperas

Ao cair da tarde

Ação de graças pelo dia recebido. Culmina no Magnificat, o cântico de Nossa Senhora. Nas vésperas de domingos e solenidades rezam-se as I Vésperas.

Completas

Antes de dormir

A última oração do dia, de entrega e confiança. Culmina no Nunc dimittis, o cântico de Simeão, e encerra-se com uma antífona a Nossa Senhora.

Como rezar, passo a passo

A estrutura é sempre a mesma; aprendida uma vez, serve para todas as Horas. Use as abas acima para abrir a Hora do momento e acompanhe:

  1. Sinal da cruz e o versículo inicial: “Ó Deus, vinde em meu auxílio” — “Senhor, apressai-vos em socorrer-me”, seguido do Glória ao Padre. (No Invitatório, o início é próprio.)
  2. Hino — introduz o tom da Hora e do tempo litúrgico.
  3. Salmodia — em geral três salmos ou cânticos. Cada um é precedido e seguido de sua antífona, que dá a chave de leitura cristã do salmo. Ao fim de cada salmo reza-se o Glória ao Padre.
  4. Leitura — breve nas Laudes, Hora Média, Vésperas e Completas; longa e dupla no Ofício das Leituras.
  5. Responsório — resposta orante à Palavra ouvida.
  6. Cântico evangélicoBenedictus nas Laudes, Magnificat nas Vésperas, Nunc dimittis nas Completas, com sua antífona própria. Costuma-se fazer o sinal da cruz no início.
  7. Preces — invocações nas Laudes, intercessões nas Vésperas, seguidas do Pai-Nosso.
  8. Oração conclusiva e bênção final.
Como ler os sinais do texto (*, †, antífonas)
  • O asterisco (*) marca a pausa no meio do versículo do salmo — é ali que se respira, e onde o coro alterna.
  • A cruz (†), ou flexa, indica uma pausa menor em versículos longos.
  • As indicações em vermelho são rubricas: orientam, mas não se leem em voz alta.
  • A frase em itálico sob o título do salmo é uma sentença: uma citação bíblica ou patrística que ilumina o salmo à luz de Cristo.
  • Quando o dia oferece memória facultativa, use o seletor acima para alternar entre o Ofício do dia e o do santo.
Começando: um plano realista

Tentar rezar todas as Horas de imediato é o modo mais comum de desistir. Uma progressão serena:

  1. Semanas 1–2: apenas as Laudes, ao acordar.
  2. Semanas 3–4: Laudes e Vésperas — as duas colunas do dia.
  3. Depois: acrescente as Completas, que são curtas e fecham bem o dia.
  4. Por fim: a Hora Média no trabalho e o Ofício das Leituras quando houver tempo de silêncio.

Reze devagar, em voz baixa ou audível. Se puder, reze em pé nos hinos e cânticos evangélicos e sentado na salmodia. Se perder uma Hora, não volte atrás: retome na Hora seguinte.

Por que os salmos aparecem numerados de modo diferente da minha Bíblia

O Ofício segue a numeração da Vulgata (tradição grega e latina), usada na liturgia. Muitas Bíblias em português seguem a numeração hebraica. Da metade do saltério em diante, a diferença é de uma unidade: por exemplo, o salmo do Bom Pastor é Salmo 22 na Vulgata e Salmo 23 na numeração hebraica. Não é erro — são duas contagens antigas do mesmo saltério.

O que é a coleta salmódica

Depois de cada salmo, faz-se um instante de silêncio e reza-se uma oração breve que recolhe — colhe, daí coleta — o que se acabou de rezar, relendo o salmo à luz de Cristo e da Igreja. É um uso antiquíssimo do Ofício, previsto pela Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas (nn. 112 e 202), e neste site ele já vem inserido no lugar próprio.

Quem reza sozinho pode simplesmente lê-la; em comunidade, quem preside a reza depois da pausa de silêncio, e todos respondem Amém.

Saltério de quatro semanas

Os salmos estão distribuídos num ciclo de quatro semanas (I a IV), indicado no alto desta página. Não é preciso calculá-lo: a semana do saltério já vem marcada em cada dia, junto com o tempo litúrgico e a festa celebrada.