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Enguerrand de Monstrelet(Enguerrand de Monstrelet)

Um cronista francês, nascido por volta de 1390 ou 1395; faleceu em julho de 1453. Ele era muito provavelmente natural de Monstrelet, uma vila situada no atual departamento da Somme. Sua vida foi passada em Cambrai, a serviço de Filipe, Duque da Borgonha, que também era Conde da Flandres. O cartulário da igreja de Cambrai prova que em 1436 Monstrelet era tenente do gavenier; como tal, era seu dever coletar no Cambrésis o imposto chamado "gavenne", que era pago a Filipe pelos inquilinos das igrejas em troca da proteção que ele lhes oferecia. De 20 de junho de 1436 a janeiro de 1440, ele foi xerife (bailli) do capítulo de Cambrai e foi provost (prévôt) de Cambrai de 1444 a 1446 (não até sua morte, como diz Dacier); ele se tornou xerife de Walincourt em 12 de março de 1445, cargo que ocupou até sua morte. Monstrelet, que viveu durante um período agitado, não participou pessoalmente dos conflitos da época. A ele, talvez, se aplique uma carta de perdão concedida em 1424 a um certo Enguerrand de Monstrelet por Henrique IV da Inglaterra, que então governava parte da França: Enguerrand, segundo esta carta, havia cometido certos assaltos à mão armada, acreditando ter uma justificativa suficiente porque roubou os armagnacs, inimigos do Duque da Borgonha. Contudo, sua atitude em sua "Crônica" é a de um narrador imparcial. Ele fala de si mesmo apenas uma vez, quando relata no capítulo oitenta e seis do segundo livro que esteve presente na entrevista que Joana d'Arc, feita prisioneira antes de Compiègne, teve com Filipe da Borgonha; e com sua habitual sinceridade e modéstia, declara que não se lembra bem das palavras do duque.

A French chronicler, born about 1390 or 1395; died in July, 1453. He was most probably a native of Monstrelet, a village situated in the present department of the Somme. His life was spent at Cambrai in the service of Philip, Duke of Burgundy, who was also Count of Flanders. The cartulary of the church of Cambrai proves that in 1436 Monstrelet was lieutenant of the gavenier; as such it was his duty to collect in the Cambrésis the tax called "gavenne", which was paid to Philip by the tenants of the churches there in return for the protection which he gave them. From 20 June, 1436, to January, 1440, he was bailiff (bailli) of the chapter of Cambrai and he was provost (prévôt) of Cambrai from 1444 to 1446 (not until his death, as Dacier says); he became bailiff of Walincourt on 12 March, 1445, an office which he held till his death. Monstrelet, who lived during an agitated period, did not take personal part in the conflicts of the day. To him, perhaps, applies a letter of pardon granted in 1424 to a certain Enguerrand de Monstrelet by Henry IV of England, who then ruled a part of France: Enguerrand, according to this letter, had committed certain highway robberies, believing that he had a sufficient excuse because he robbed the Armagnacs, enemies of the Duke of Burgundy. However this may be, his attitude in his "Chronicle" is that of an impartial narrator. He speaks of himself but once, when he relates in the eighty-sixth chapter of the second book that he was present at the interview which Joan of Arc, taken prisoner before Compiègne, had with Philip of Burgundy; and with his usual sincerity and modesty he declares that he does not remember well the words of the duke.

A "Crônica" de Monstrelet começa com uma menção à coroação de Carlos VI, que ocorreu em 1380; mas seu verdadeiro ponto de partida é o dia da Páscoa de 1400, quando termina a história de Froissart, estendendo-se até 1444. Enquanto Froissart se restringiu quase inteiramente aos eventos que ocorreram na França, Monstrelet também aborda outros países, apresentando muitos documentos. Ele trata não apenas da história militar, mas também fornece detalhes interessantes sobre grandes eventos religiosos, como os Concílios de Pisa, Constança e Basileia. Sentimos, além disso, que os estragos da guerra e os sofrimentos do povo causam-lhe dor real, e ele não é excessivamente entusiástico em relação a grandes feitos de armas. Ele é ocasionalmente culpado de erros cronológicos e confusões de nomes próprios. Por fim, o mérito literário do livro é medíocre; a narrativa é muitas vezes pesada, monótona, difusa e carece do charme de Froissart. Nas primeiras edições de Monstrelet — das quais a primeira, publicada em Paris por volta de 1470 em três volumes de fólio, remonta quase à invenção da impressão — as crônicas contêm um terceiro livro, que relata os eventos ocorridos entre abril de 1444 e a morte do Duque da Borgonha em 1467. Mas o "Nécrologe des Cordeliers de Cambrai" e os "Memoriaux" de Jean le Robert provam que Monstrelet morreu em julho de 1453, de modo que todo esse livro não poderia, de maneira alguma, ter sido escrito por ele. Além disso, a história dos anos 1444-53, dada neste terceiro livro, é tão esquemática que contrasta singularmente com a prolixidade dos dois primeiros livros. É, além disso, muito mais parcial à Casa da Borgonha do que os dois primeiros e, em contraste com estes, mal contém um único documento. Enquanto os dois primeiros livros são precedidos por um prefácio, o terceiro não tem nenhum; finalmente, o historiador Matthieu d'Escouchy, no prólogo de sua própria crônica, afirma que a "Crônica" de Monstrelet termina em 20 de maio de 1444. Acadêmicos modernos aceitam unanimemente a declaração de Matthieu d'Escouchy e sustentam que este assim chamado terceiro livro não foi escrito por Monstrelet.

The "Chronicle" of Monstrelet opens with a mention of the coronation of Charles VI, which took place in 1380; but its true starting-point is Easter-day, 1400, when the history of Froissart finishes, and it extends down to 1444. While Froissart confined himself almost entirely to events which took place in France, Monstrelet deals also with other countries, giving many documents. He treats not only of military history, but also gives interesting details of great religious events such as the Councils of Pisa, Constance, and Basle. We feel, moreover, that the ravages of war and the sufferings of the people therefrom cause him real pain, and he is not over-enthusiastic about great feats of arms. He is occasionally guilty of chronological errors and confusing proper names. Finally, the literary merit of the book is mediocre; the narrative is often heavy, monotonous, diffuse, and lacks the charm of Froissart. In the early editions of Monstrelet — of which the first, published at Paris towards 1470 in three folio volumes, goes back almost to the invention of printing — the chronicles contain a third book, relating the events which took place between April, 1444, and the death of the Duke of Burgundy in 1467. But the "Nécrologe des Cordeliersde Cambrai" and the "Memoriaux" of Jean le Robert prove that Monstrelet died in July, 1453, so that all this book could not possibly have been written by him. Furthermore, the history of years 1444-53. given in this third book, is so bald that it contrasts singularly with the prolixity of the first two books. It is, besides, much more partial to the House of Burgundy than the first two, and, in contrast to these, scarcely contains a single document. Whereas the first two books are preceded by a preface, the third has none; finally, the historian, Matthieu d'Escouchy, in the prologue to his own chronicle, states that Monstrelet's "Chronicle" ends at 20 May, 1444. Modern scholars unanimously accept the statement of Matthieu d'Escouchy and hold that this so-called third book was not written by Monstrelet.


Fontes:

Sources:

  • Chronique d'Enguerrand de Monstrelet, ed. D'ARCQ (6 vols., Paris, 1857-62)
  • Chronique de Matthieu d'Escouchy, ed. DUFRESNE DE BEAUCOURT, I (Paris, 1863), 2-3: DACIER, Mémoires de littérature tirés des registres de l'Académie royale des Inscriptions et Belles-lettres, XLIII (Paris, 1786), 535-62. Há uma tradução em inglês de Monstrelet por JOHNES (Hafod, 1810).
  • Chronique d'Enguerrand de Monstrelet, ed. D'ARCQ (6 vols., Paris, 1857-62)
  • Chronique de Matthieu d'Escouchy, ed. DUFRESNE DE BEAUCOURT, I (Paris, 1863), 2-3: DACIER, Mémoires de littérature tirés des registres de l'Académie royale des Inscriptions et Belles-lettres, XLIII (Paris, 1786), 535-62. There is an English translation of Monstrelet by JOHNES (Hafod, 1810).