(Missa votiva)
(Missa votiva)
Uma Missa oferecida por um votum, uma intenção especial. Assim, frequentemente encontramos nas orações a expressão, votiva dona (por exemplo, no Sacramentário Leonino, ed. Feltoe, p. 103), significando "dons oferecidos com desejo [de receber graça em troca]". A Missa não corresponde ao Ofício Divino do dia em que é celebrada. Cada dia do ano tem designada uma série de horas canônicas e (exceto a Sexta-feira Santa) uma Missa correspondente, contendo, por exemplo, a mesma Coleta e o mesmo Evangelho. Assim, a Missa e o Ofício juntos formam um todo. Normalmente, a Missa corresponde ao Ofício. Mas há ocasiões em que uma Missa pode ser celebrada que não corresponde assim. Estas são as Missas votivas.
A Mass offered for a votum, a special intention. So we frequently find in prayers the expression, votiva dona (e.g., in the Leonine Sacramentary, ed. Feltoe, p. 103), meaning "gifts offered with desire [of receiving grace in return]". The Mass does not correspond to the Divine Office for the day on which it is celebrated. Every day in the year has appointed to it a series of canonical hours and (except Good Friday) a Mass corresponding, containing, for instance, the same Collect and the same Gospel. So Mass and Office together make up one whole. Normally the Mass corresponds to the Office. But there are occasions on which a Mass may be said which does not so correspond. These are votive Masses.
O princípio da Missa votiva é mais antigo do que seu nome. Quase desde a própria origem das liturgias ocidentais (com seu princípio de mudança de acordo com o Calendário), a Missa era ocasionalmente celebrada, aparentemente com orações e leituras especiais, para alguma intenção particular, independentemente do Ofício normal do dia. Entre os milagres citados por Santo Agostinho na Cidade de Deus XXII.8, está a história de um Hesperius curado de um espírito maligno por uma Missa privada celebrada em sua casa com orações especiais por ele — uma Missa votiva por sua cura. Os primeiros Sacramentários contêm muitos exemplos do que deveríamos chamar de Missas votivas. Assim, o livro leonino tem Missas "in natale episcoporum" (ed. Feltoe, pp. 123-26), "de siccitate temporis" (ibidem, 142), "contra impetitores" (ibidem, 27), e assim por diante. De fato, as Missas para ordenação e para os mortos, que ocorrem neste livro e em todo o Rito Romano e Galicano, são realmente exemplos de Missas votivas para todos os tipos de ocasiões, para ordenações (ed. Wilson, pp. 22-30, etc.), para aqueles prestes a ser batizados (ibidem, 34), aniversários de ordenações (153-54), freiras (156), para os doentes (282), para casamentos (265), reis (276), viajantes (283), os mortos (301 sq.), e uma grande coleção de Missas de caráter geral a serem celebradas em qualquer domingo (224-44). Neste livro, o nome aparece pela primeira vez, "Missa votiva in sanctorum commemoratione" (p. 367; manuscritos de Rheinau e S. Gallen). O Sacramentário Gregoriano também possui uma grande coleção dessas Missas e o nome "Missa votiva" (por exemplo, P.L., LXXVIII, 256).
The principle of the votive Mass is older than its name. Almost at the very origin of the Western liturgies (with their principle of change according to the Calendar) Mass was occasionally offered, apparently with special prayers and lessons, for some particular intention, irrespective of the normal Office of the day. Among the miracles quoted by St. Augustine in City of God XXII.8, is the story of one Hesperius cured of an evil spirit by a private Mass said in his house with special prayers for him — a votive Mass for his cure. The first Sacramentaries contain many examples of what we should call votive Masses. So the Leonine book has Masses "in natale episcoporum" (ed. Feltoe, pp. 123-26), "de siccitate temporis" (ibid., 142), "contra impetitores" (ibid., 27), and so on throughout. Indeed the Masses for ordination and for the dead, which occur in this book and throughout the Roman and Gallican Rites, are really examples of votive Masses for all kinds of occasions, for ordinations (ed. Wilson, pp. 22-30, etc.), for those about to be baptized (ibid., 34), anniversaries of ordinations (153-54), nuns (156), for the sick (282), for marriages (265), kings (276), travellers (283), the dead (301 sq.), and a large collection of Masses of general character to be said on any Sunday (224-44). In this book the name first occurs, "Missa votiva in sanctorum commemoratione" (p. 367; Rheinau and S. Gallen manuscripts). The Gregorian Sacramentary, too, has a large collection of such Masses and the name "Missa votiva" (e.g., P.L., LXXVIII, 256).
Assim, ao longo da Idade Média, a Missa votiva foi uma instituição regular. O princípio que se estabeleceu foi que, enquanto uma Missa alta oficial (capitular) era celebrada em correspondência ao Ofício, um sacerdote que celebrava uma Missa privada para uma intenção especial dizia uma Missa votiva correspondente à sua intenção. O grande número de formas disponibilizadas nos Missais medievais fornecia uma para qualquer intenção possível. De fato, parece que em certa época um sacerdote normalmente dizia uma Missa votiva sempre que celebrava. João Beleto, no século XIII, descreve uma série de Missas votivas celebradas (fuit quoddam tempus) em cada dia da semana: no domingo, da Santíssima Trindade; na segunda-feira, pela caridade; na terça-feira, pela sabedoria; na quarta-feira, do Espírito Santo; na quinta-feira, dos Anjos; na sexta-feira, da Cruz; no sábado, da Bem-Aventurada Virgem (Explic. div. offic., 51). Isso ignora completamente o ano eclesiástico. Mas havia um sentimento geral de que, pelo menos nas principais festas, até mesmo as Missas privadas deveriam se conformar ao Ofício do dia. É bem conhecido, por exemplo, que nossa festa da Santíssima Trindade começou como uma Missa votiva a ser celebrada em qualquer domingo após Pentecostes, quando não há festa. Essa ideia de permitir que Missas votivas sejam celebradas apenas quando não ocorre um jejum especial acabou produzindo as regras contidas em nosso atual Missal (1570). De acordo com essas regras, distinguimos entre Missas votivas estritamente ditas e Missas votivas em um sentido mais amplo. As primeiras são aquelas que devem ser celebradas em certos dias; a segunda categoria, aquelas que um sacerdote pode ou não celebrar, a seu critério.
So all through the Middle Ages the votive Mass was a regular institution. The principle came to be that, whereas one official (capitular) high Mass was said corresponding to the Office, a priest who said a private Mass for a special intention said a votive Mass corresponding to his intention. The great number of forms provided in medieval Missals furnished one for any possible intention. Indeed it seems that at one time a priest normally said a votive Mass whenever he celebrated. John Beleth in the thirteenth century describes a series of votive Masses once said (fuit quoddam tempus) each day in the week: on Sunday, of the Holy Trinity; Monday, for charity; Tuesday, for wisdom; Wednesday, of the Holy Ghost; Thursday, of the Angels; Friday, of the Cross; Saturday, of the Blessed Virgin (Explic. div. offic., 51). This completely ignores the ecclesiastical year. But there was a general sentiment that, at least on the chief feasts, even private Masses should conform to the Office of the day. It is well known, for instance, that our feast of the Holy Trinity began as a votive Mass to be said on any Sunday after Pentecost, when there was no feast. This idea of allowing votive Masses to be said only when no special fast occurs finally produced the rules contained in our present missal (1570). According to these we distinguish between votive Masses strictly so called and votive Masses in a wider sense. The first are those commanded to be said on certain days; the second kind, those which a priest may say or not, at his discretion.
Misas votivas estritas são, primeiramente, aquelas ordenadas pelas rubricas do Missal, nomeadamente uma Missa da Bem-Aventurada Virgem em todos os sábados do ano que não sejam ocupados por um dia duplo, semi-duplo, octava, vigília, feria da Quaresma, ou dia de ember, ou pelo Ofício do domingo transferido (Rubr. Gen., IV, 1). Esta é a "Missa de S. Maria" em cinco formas para várias estações, entre as missas votivas ao final do Missal. A isso devemos acrescentar as missas votivas ordenadas pelo papa ou pelo ordinário para certas ocasiões graves (pro re gravi). Tais missas são para a eleição de um papa ou bispo, em tempos de guerra, peste, perseguição, e assim por diante. Essas missas votivas podem ser ordenadas pelo ordinário em todos os dias, exceto nos dias duplos de primeira ou segunda classe, na Quarta-feira de Cinzas e nas ferias da Semana Santa, nas vésperas do Natal e de Pentecostes; exceto também nos dias em que o ofício é dito para a mesma intenção ou evento que seria prescrito pela missa votiva. Nesse caso, a Missa deve se conformar ao ofício como de costume. Um terceiro tipo de missa votiva estrita é aquela celebrada durante a devoção das chamadas "Quarenta Horas". Nessa ocasião, a Missa no primeiro e no terceiro dias é do Santíssimo Sacramento; no segundo dia, é pela paz. Mas em dias duplos de primeira e segunda classe, domingos de primeira e segunda classe, na Quarta-feira de Cinzas, na Semana Santa, durante as octavas da Epifania, Páscoa, Pentecostes, nas vésperas do Natal e de Pentecostes, a Missa do dia deve ser celebrada, com a coleta do Santíssimo Sacramento acrescentada à do dia sob uma única conclusão.
Strict votive Masses are, first, those ordered by the rubrics of the Missal, namely a Mass of the Blessed Virgin on every Saturday in the year not occupied by a double, semi-double, octave, vigil, feria of Lent, or ember-day, or the transferred Sunday Office (Rubr. Gen., IV, 1). This is the "Missa de S. Maria" in five forms for various seasons, among the votive Masses at the end of the Missal. To this we must add votive Masses ordered by the pope or the ordinary for certain grave occasions (pro re gravi). Such are for the election of a pope or bishop, in time of war, plague, persecution, and so on. Such votive Masses may be ordered by the ordinary on all days except doubles of the first or second class, Ash Wednesday, and the ferias of Holy Week, the eves of Christmas and Pentecost; except also days on which the office is said for the same intention or event as would be prescribed by the votive Mass. In this case the Mass should conform to the office as usual. A third kind of strictly votive Mass is that said during the devotion of the so-called "Forty Hours". On this occasion the Mass on the first and third days is of the Blessed Sacrament; on the second day it is for peace. But on doubles of the first and second class, Sundays of the first and second class, on Ash Wednesday, in Holy Week, during the octaves of Epiphany, Easter, Pentecost, on the eves of Christmas and Pentecost, the Mass of the day must be said, with the collect of the Blessed Sacrament added to that of the day under one conclusion.
O outro tipo de missa votiva (late sumpta) pode ser celebrada por qualquer sacerdote em um dia semidobrado, simples ou ferial, a seu critério, exceto aos domingos, na Quarta-feira de Cinzas, nas vésperas do Natal, da Epifania, do Pentecostes, durante os octavos da Epifania, da Páscoa, do Pentecostes, do Corpus Christi, na Semana Santa e no Dia de Todos os Fiéis Defuntos. Também não pode ser celebrada uma missa votiva em um dia cuja Oração já corresponde à mesma ocasião; mas, neste caso, deve ser celebrada a Missa correspondente do dia, de acordo com as rubricas habituais. Uma missa votiva pode ser escolhida de qualquer uma das que estão no final do missal, ou do comum dos Santos, ou de suas proprias, desde que o texto não implique que seja a sua festa. Uma Missa dominical ou ferial não pode ser usada como missa votiva. Também não pode ser celebrada em honra de um Beato, a menos que isso seja permitido por indulto especial.
The other kind of votive Mass (late sumpta) may be said by any priest on a semidouble, simple or feria, at his discretion, except on Sunday, Ash Wednesday, the eves of Christmas, Epiphany, Pentecost, during the octaves of Epiphany, Easter, Pentecost, Corpus Christi, Holy Week, and on All Souls' Day. Nor may a votive Mass be said on a day whose Office is already that of the same occasion; but in this case the corresponding Mass of the day must be said, according to the usual rubrics. A votive Mass may be taken from any of those at the end of the missal, or of the common of Saints, or of their propers, if the text does not imply that it is their feast. A Sunday or ferial Mass may not be used as a votive Mass. Nor may it be said of a Beatus, unless this is allowed by special indult.
A Glória deve ser dita nas Missas votivas pro re gravi, a menos que a cor seja violeta; também nas Missas votivas da Bem-Aventurada Virgem no sábado, de anjos, sempre que dita, nas de santos, quando celebradas em um dia em que são mencionados no Martirológio ou durante suas octavas. O Credo é dito em Missas votivas solenes pro re gravi. As primeiras e terceiras Missas das Quarenta Horas têm a Glória e o Credo, não a Missa pela Paz (mas se celebrada em um domingo, possui o Credo). Missas votivas solenes têm somente uma coleta; as outras são tratadas como semidobres, com comemorações do dia, etc., conforme a regra usual. A cor utilizada para uma Missa votiva é aquela que corresponde ao evento celebrado; exceto que vermelho é usado para os Santos Inocentes. É vermelho para a eleição de um papa, branco para o aniversário da eleição ou consagração de um bispo, violeta no caso geral de pedir alguma graça especial e para a Paixão. O caso particular das Missas votivas para cada dia da semana, correspondendo aos Ofícios votivos ordenados por Leão XIII, foi agora abolido pelo Decreto "Divino afflatu" de 1 de novembro de 1911. Missas de Réquiem e Missas de casamentos são realmente casos particulares de uma Missa votiva, que são consideradas em seu lugar (veja MISSAS DE RÉQUIEM; MISSAS NUPCIAIS).
The Gloria is to be said in votive Masses pro re gravi unless the colour be violet; also in votive Masses of the Blessed Virgin on Saturday, of angels, whenever said, in those of saints, when said on a day on which they are named in the Martyrology or during their octaves. The Creed is said in solemn votive Masses pro re gravi. The first and third Masses of the Forty Hours have the Gloria and the Creed, not the Mass for Peace (but if said on a Sunday it has the Creed). Solemn votive Masses have only one collect; others are treated as semidoubles, with commemorations of the day, etc., according to the usual rule. The colour used for a votive Mass is the one which corresponds to the event celebrated; except that red is used for Holy Innocents. It is red for the election of a pope, white for the anniversary of a bishop's election or consecration, violet in the general case of asking for some special grace and for the Passion. The particular case of votive Masses for each day of the week, corresponding to votive Offices ordered by Leo XIII, is now abolished by the Decree "Divino afflatu" of 1 Nov., 1911. Requiems and Masses for marriages are really particular cases of a votive Mass, which are considered in their place (see MASSES OF REQUIEM; NUPTIAL MASS).
O caráter imutável das liturgias orientais exclui qualquer coisa que realmente corresponda à nossa Missa votiva. Mas eles têm o costume de cantar certos troparios e, às vezes, de ler lições especiais em certos aniversários e ocasiões, o que é virtualmente o que se faz nas Missas votivas latinas.
The unchangeable character of the Eastern liturgies excludes anything really corresponding to our votive Mass. But they have a custom of singing certain troparia, sometimes of reading special lessons on certain anniversaries and occasions, which is virtually what is done in the Latin votive Masses.
Fontes:
Sources:
- BONA, Rerum liturgicarum libri II, I, xv, 3
- BENTO XIV, De SS. sacrificio Missae, III, xxiii
- DE HERDT, S. Liturgiae praxis, I (Louvain, 1894), 26-54
- LE VAVASSEUR-HAEGY, Manual de liturgia, I (Paris, 1910), 222-231.
- BONA, Rerum liturgicarum libri II, I, xv, 3
- BENEDICT XIV, De SS. sacrificio Missae, III, xxiii
- DE HERDT, S. Liturgiae praxis, I (Louvain, 1894), 26-54
- LE VAVASSEUR-HAEGY, Manuel de liturgie, I (Paris, 1910), 222-231.