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Juliano, o Apóstata(Julian the Apostate)

(Flávio Cláudio Juliano).

(FLAVIUS CLAUDIUS JULIANUS).

Imperador romano de 361 a 363, nasceu em Constantinopla em 331 e morreu em 26 de junho de 363, filho de Júlio Constâncio, meio-irmão de Constantino, o Grande. Com seu meio-irmão Galos, que era alguns anos mais velho, ele escapou do massacre de seus parentes em Constantinopla após a morte de Constantino, o Grande, e foi criado pelo eunuco Mardonio e pelo filósofo Nicocles—este último, secretamente pagão. O suspeito imperador Constâncio enviou Julian posteriormente para o castelo de Macellum na Capadócia. Julian recebeu uma formação cristã, mas a lembrança do assassinato de seus parentes semeou nele um ressentimento amargo contra os autores daquele massacre, e ele estendeu esse ódio aos cristãos em geral. Quando Constâncio se envolveu em guerra no Ocidente com o usurpador Magnêncio, nomeou Galos como seu colega, com o título de César. Julian foi autorizado a estudar em Constantinopla, mas seu caráter intelectual chamou a atenção e fez com que Constâncio o enviasse em 350 para Nicomédia. Lá, Julian se dedicou exclusivamente à filosofia neoplataônica, misturada com todos os tipos de magia e mistérios. O neoplataonista Maximus de Éfeso o deslumbrava com seus ensinamentos fantásticos e profetizou sua tarefa destinada, a restauração do paganismo. Quando, no final de 354, Constâncio recallou Galos César para a Itália e o mandou decapitar por suas várias crueldades, Julian foi feito prisioneiro estatal em Milão, mas, ao ganhar a simpatia da imperatriz Eusebia, conseguiu permissão para visitar em 355 as escolas de Atenas, onde a filosofia e retórica grega desfrutavam de seu último período de prosperidade. Julian agora se entregou completamente ao chamado helenismo, e foi iniciado nos mistérios eleusinos.

Roman emperor 361-63, born at Constantinople in 331, died 26 June, 363, son of Julius Constantius, the half-brother of Constantine the Great. With his stepbrother Gallus, who was some years older, he escaped the massacre of his kinsfolk at Constantinople after the death of Constantine the Great, and was brought up by the eunuch Mardonius and the philosopher Nicocles—the latter secretly a pagan. The suspicious Emperor Constantius sent Julian later to the castle of Macellum in Cappadocia. Julian received a Christian training, but the recollection of the murder of his relatives sowed in him a bitter resentment against the authors of that massacre, and he extended this hatred to the Christians in general. When Constantius became involved in war in the West with the usurper Magnentius, he named Gallus his colleague, with the title of Caesar. Julian was allowed to study at Constantinople, but his intellectual character aroused attention and caused Constantius to send him in 350 to Nicomedia. Here Julian devoted himself exclusively to neo-Platonic philosophy, mixed with all kinds of magic and mysteries. The neo-Platonist, Maximus of Ephesus, dazzled him by his fantastic teachings and prophesied his destined task, the restoration of paganism. When, at the close of 354, Constantius recalled Gallus Caesar to Italy, and had him beheaded for his manifold cruelties, Julian was taken a state prisoner to Milan, but, gaining the sympathy of the Empress Eusebia, secured permission to visit in 355 the schools of Athens, where Greek philosophy and rhetoric were enjoying their last period of prosperity. Julian now went over completely to the so-called Hellenism, and was initiated into the Eleusinian mysteries.

Juliano foi apresentado em 6 de novembro de 355 ao exército como César, casou-se com a irmã mais nova do imperador, Helena, e foi enviado à Gália. Aqui, ele imediatamente demonstrou grande habilidade, tanto como soldado quanto como administrador. Ele avançou ousadamente de suas instalações em Vienne para Reims e, a partir daí, fez uma incursão no território dos Alamanos no Alto Reno, ocupando e guarnecendo Colônia, que um ano antes havia sido tomada e saqueada pelos francos. No ano seguinte, embora não tivesse o apoio das tropas de Constâncio, ele derrotou completamente mais de 30.000 Alamanos perto de Estrasburgo. Ele então retornou por Mainz, Colônia e Julich até Reims e Lutécia (Paris). Em uma expedição posterior, ele reabriu o Reno para a passagem de navios: em 359, ele até se aventurou no coração do território dos Alamanos (o atual Würtemberg). Juliano também demonstrou uma atividade incansável em promover uma tributação justa e a administração das leis. Enquanto isso, a guerra com a Pérsia havia eclodido novamente, com o rei Shápur exigindo a cessão da Mesopotâmia e da Armênia. Longamente ciumento de Juliano, o imperador agora ordenou que este enviasse uma parte de seus auxiliares germânicos mais experientes, embora essas tropas tivessem sido recrutadas apenas para a guerra gália. Contrariando o conselho de Juliano, o comissário imperial Decentius, no inverno de 360, partiu com as tropas selecionadas pela rota de Paris e parou aqui para descansar: uma motim eclodiu, as tropas apareceram diante da residência de Juliano e o proclamaram entusiasticamente Augusto. Para evitar uma guerra civil, Juliano buscou um acordo com Constâncio, a quem estava disposto a reconhecer como imperador supremo. No entanto, Constâncio exigiu a rendição incondicional do título de César e de sua posição como governador da Gália. Nem o exército nem o povo consentiriam com isso, e Juliano avançou na primavera para a Ilírico, assumindo a posse da capital, Sirmium. Shápur, tendo desmobilizado seu grande exército persa, agora planejava voltar toda a sua força de combate contra seu rebelde primo Juliano. No entanto, durante a marcha, Constâncio morreu em 3 de novembro de 361.

Julian was presented on 6 November, 355, to the army as Caesar, married the emperor's youngest sister Helena, and then sent to Gaul. Here he at once displayed great ability, both as soldier and administrator. He boldly advanced from his headquarters at Vienne to Reims, and thence made a sally into the territory of the Alamanni on the Upper Rhine, occupying and garrisoning Cologne, which a year before had been taken and sacked by the Franks. The following year, although not supported by the troops of Constantius, he completely routed over 30,000 Alamanni near Strasburg. He then returned by way of Mainz, Cologne, and Julich to Reims and Lutetia (Paris). In a later expedition he opened the Rhine again for the passage of ships: in 359 he even made his way into the heart of the territory of the Alamanni (the present Wurtemberg). Julian also displayed an unwearied activity in promoting just taxation and administration of the laws. In the meantime war had again broken out with Persia, King Shâpûr demanding the cession of Mesopotamia and Armenia. Long jealous of Julian, the emperor now ordered the latter to send a part of his most experienced German auxiliaries, although these troops had been enlisted for the Gallic war only. Against the advice of Julian the imperial commissioner Decentius in the winter of 360 started with the picked troops by way of Paris and stopped here to rest: a mutiny now broke out, the troops appeared before Julian's residence, and enthusiastically proclaimed him Augustus. To avoid a civil war, Julian sought to come to an agreement with Constantius whom he was ready to acknowledge as supreme emperor. Constantius. however, demanded the unconditional surrender of the title of Caesar and of his position as governor of Gaul. Neither the army nor the people would consent to this, and Julian advanced in the spring to Illyricum, taking possession of the capital, Sirmium. Shapur having disbanded his great Persian army, Constantius now planned to turn his entire fighting strength against his rebellious cousin Julian. While on the march, however, Constantius died, 3 November, 361.

Juliano avançou triunfante para Constantinopla. Até então, exteriormente um cristão, agora se deixava retratar como sob a proteção de Zeus, que, em sua opinião, possuía com Hélio o mesmo poder criador indiviso. Ele ordenou que todas as cidades reabrissem os templos para o culto pagão, restaurou os sacrifícios de animais e assumiu as funções de Pontifex Maximus. Os cristãos estavam unidos na luta contra seu inimigo. Juliano publicou um decreto que ab-rogava todos os títulos de terras, direitos e imunidades concedidos desde o reinado de Constantino aos galileus, como ele se referia desdenhosamente aos cristãos, e que os recursos financeiros concedidos à Igreja a partir da receita do Estado deveriam ser devolvidos. Ele proibiu a nomeação de cristãos como professores de retórica e gramática. No entanto, ele copiava a organização da Igreja Cristã; criou, por exemplo, uma forma de hierarquia, cujo chefe era o Pontifex Maximus imperial, e incentivou os pagãos a imitar virtudes cristãs como a caridade e a misericórdia. No entanto, as mudanças de Juliano falharam em trazer-lhe qualquer sucesso apreciável. Sua tentativa de desafiar o Evangelho e reconstruir o templo em Jerusalém foi reduzida a nada por meio de fogo e terremoto.

Julian advanced in triumph to Constantinople. Hitherto outwardly a Christian, he now let himself be portrayed as under the protection of Zeus, who in his opinion possessed with Helius the same undivided creative power. He commanded all towns to reopen the temples for pagan worship, restored animal sacrifices, and assumed the duties of a Pontifex Maximus. The Christians were united in fighting their enemy. Julian issued a decree that all titles to lands, rights and immunities bestowed since the reign of Constantine upon the Galileans, as he contemptuously called the Christians, were abrogated, and that the moneys granted to the Church from the revenues of the State must be repaid. He forbade the appointment of Christians as teachers of rhetoric and grammar. Still, he copied the organization of the Christian Church; he created, for example, a form of hierarchy, the head of which was the imperial Pontifex Maximus, and urged pagans to imitate such Christian virtues as charity and mercy. Yet Julian's changes failed to bring him any appreciable success. His attempt to defy the Gospel and rebuild the temple at Jerusalem was brought to nothing by fire and earthquake.

Em maio de 362, Juliano deixou Constantinopla em direção à Ásia e fez preparativos ativos em Antioquia para uma grande guerra contra a Pérsia. Enquanto estava em Antioquia no inverno de 362-63, escreveu seus livros contra os cristãos. Em março de 363, avançou de Antioquia para a Mesopotâmia, cruzou com sucesso o Tigre e travou uma batalha vitoriosa contra os persas. Incendiando sua frota de suprimentos, marchou para o interior da Pérsia, mas logo se viu obrigado, pela falta de provisões, a iniciar uma retirada, durante a qual foi cercado pela cavalaria persa. Em 26 de junho de 363, foi ferido no lado por uma flecha em um pequeno confronto de cavalaria e morreu durante a noite. Variados relatos sobre as circunstâncias de sua morte chegaram até nós. Tanto cristãos quanto pagãos acreditaram no boato de que ele gritou ao morrer: Nenikekas Galilaie (Venceste, ó Galileu).

In May, 362, Julian left Constantinople for Asia and made active preparations at Antioch for a great war with Persia. While at Antioch in the winter of 362-63, he wrote his books against the Christians. In March, 363, he advanced from Antioch into Mesopotamia, successfully crossed the Tigris, and fought a successful battle with the Persians. Burning his supply fleet, he now marched into the interior of Persia, but soon found himself obliged by lack of provisions to begin a retreat, during which he was beset by the Persian cavalry. On 26 June, 363, he was wounded in the side by an arrow in a small cavalry skirmish, and died during the night. Various reports concerning the circumstances of his death have come down to us. Both Christians and pagans believed the rumor that he cried out when dying: Nenikekas Galilaie (Thou hast conquered, O Galilean).

Com Juliano, a dinastia de Constantino chegou ao fim. Ele era mais um literato filosófico de um caráter um tanto visionário, do que um grande governante cujas ações eram ditadas por uma vontade forte e princípios. Os bons começos de um governo justo que ele mostrou na Gália não foram mantidos quando se tornou o único governante. Embora sua vida pessoal fosse discreta, ele era apaixonado, arbitrário, vaidoso e preconceituoso, submisso de maneira cega aos retóricos e magos. Alguns dos muitos escritos, orações e cartas controversas de Juliano foram preservados, mostrando seu caráter discordante e subjetivo.

With Julian the dynasty of Constantine came to an end. He was rather a philosophical littérateur of a somewhat visionary character, than a great ruler whose actions were the dictates of strong will and principles. The good beginnings of a just government which he showed in Gaul were not maintained when he was sole ruler. Although his personal life was unostentatious, he was passionate, arbitrary, vain, and prejudiced, blindly submissive to the rhetoricians and magicians. Some of Julian's many controversial writings, orations, and letters have been preserved, showing his discordant, subjective character.


Fontes:

Sources:

  • TALBOT, (Obras de Julien (Paris, 1863)
  • HERTLEIN, O que restou dos escritos de Juliano, imperador, além das relíquias nos escritos de Cirilo (Leipzig, 1875)
  • NEUMANN, Livros de Juliano, imperador, contra os cristãos que restaram (1880)
  • IDEM, O Livro de Juliano, imperador, contra os cristãos (1880)
  • IDEM, O afastamento de Juliano, imperador, do cristianismo (1884)
  • WIEGAND, A Batalha alamã em Estrasburgo 357
  • KOCH, Juliano, imperador, na Jahrb. für klassische Philologie, supl. vol. XXV (1899)
  • ALLARD, Juliano, o Apóstata (3 vols., Paris, 1900-2)
  • MAU, Sobre a filosofia da religião de Juliano, imperador, em seus discursos sobre o Rei Hélio e a Mãe dos Deuses (Leipzig e Berlim, 1908)
  • ASMUS, Obras filosóficas de Juliano, imperador (Leipzig, 1908).
  • TALBOT, (Euvres de Julien (Paris, 1863)
  • HERTLEIN, Juliani imperatoris quae supersunt praeter reliquias apud Cyrillum omnia (Leipzig, 1875)
  • NEUMANN, Juliani imperatoris librorum contra Christianos quae supersunt (1880)
  • IDEM, Kaiser Julians Bucher gegen die Christen (1880)
  • IDEM, Kaiser Julians Abfall vom Christentum (1884)
  • WIEGAND, Die Alamannenschlacht bei Strassburg 357
  • KOCH, Kaiser Julian in Jahrb. fur klassische Philologie, suppl. vol. XXV (1899)
  • ALLARD, Julien l'Apostat (3 vols., Paris, 1900-2)
  • MAU, Ueber die Religionsphilosophie Kaiser Julians in seinen Reden auf Konig Helios und die Gottermutter (Leipzig and Berlin, 1908)
  • ASMUS, Kaiser Julians philosophische Werke (Leipzig, 1908).