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Gil Vicente(Gil Vicente)

Dramaturgo português, nasceu por volta de 1470; ele estava vivo em 1536. Estudou direito, mas abandonou-o em favor da literatura. Como poeta lírico, está representado por alguns poemas humorísticos no "Cancioneiro" de Garcia de Resende. Deve sua fama às suas peças e, com razão, é chamado de pai do drama português. Ele escreveu um total de 42 peças, das quais 10 estão em espanhol, 14 em português e o restante em uma mistura de espanhol e português. Já havia se tornado moda entre os principais autores portugueses escrever tanto em espanhol quanto em sua língua nativa, e essa tendência continuaria ao longo do Renascimento. Muitas das peças de Vicente foram compostas com o intuito de celebrar festivais religiosos e nacionais; outras comemoram eventos na vida da família real; ainda outras têm um tom bastante popular e foram concebidas por ele para servir apenas aos fins de entretenimento. A primeira de suas peças foi a "Visitacao" (em espanhol), que celebra o nascimento de João III, Rei de Portugal (1502). Ele a recitou pessoalmente no quarto da mãe espanhola de João III. É sabido que damas e cavalheiros da Corte, assim como o próprio poeta, desempenharam papéis em seus dramas quando foram apresentados no palácio. Como os dramas clássicos da Espanha, eles são regularmente em verso, e contêm letras de sua autoria com melodias também compostas por ele, além de outras letras e melodias populares introduzidas para efeito particular. Para maior conveniência, as peças podem ser agrupadas sob os títulos de autos (as peças mais especificamente religiosas), comédias e tragico-médias, e farsas. Os 17 autos são geralmente chamados de suas "Obras de devocao". Eles revelam uma influência do dramaturgo espanhol contemporâneo, Juan del Encina, enquanto espanhóis contemporâneos, como Lucas Fernandez e Torres Naharro, possivelmente inspiraram suas composições profanas. Mas ele nunca foi um imitador servil; a vida da época é refletida repetidamente por ele de uma maneira original e interessante, e, apesar da rudeza da forma, seus pequenos dramas permanecem bastante legíveis. Claro que apenas um católico genuinamente devoto poderia ter escrito suas "Obras de devocao". A primeira edição de suas obras foi publicada em Lisboa em 1561-2.

Portuguese dramatist, b. about 1470; he was living in 1536. He took up the study of law but abandoned it for literature. As a lyric poet he is represented by some humorous poems in the "Cancioneiro" of Garcia de Resende. He owes his fame to his plays, and with good reason he is styled the father of the Portuguese drama. He wrote in all no fewer than 42 pieces, of which 10 are in Spanish 14 in Portuguese, and the rest in mingled Spanish and Portuguese. It had already become the fashion for the leading Portuguese authors to write in Spanish as well as in their native tongue, and this fashion was to continue throughout the Renaissance. Many of Vicente's plays were composed for the purpose of celebrating religious and national festivals; others commemorate events in the life of the royal family; still others are quite popular in their tone and were intended by him to serve the ends of entertainment only. The first of his plays was the "Visitacao" (in Spanish), which celebrates the birth of John III, King of Portugal (1502). He recited it himself in the chamber of the Spanish mother of John III. It is known that ladies and gentlemen of the Court, as well as the poet himself, played parts in his dramas when they were produced in the palace. Like the classic dramas of Spain, they are regularly in verse, and they contain lyrics of his own with melodies composed also by him, as well as other popular lyrics and melodies introduced for particular effect. For the sake of convenience the plays may be grouped under the headings of autos (the more peculiarly religious pieces), comedias and tragi- comedias, and farces. The 17 autos are usually called his "Obras de devocao". They reveal an influence of the contemporaneous Spanish dramatist, Juan del Encina, while contemporaneous Spaniards, like Lucas Fernandez and Torres Naharro, may possibly have inspired his profane compositions. But he was never a servile imitator; the life of the time is reflected again and again by him in an original and interesting manner, and, in spite of uncouthness of form, his little dramas remain very readable. Of course, only a genuinely devout Catholic could have written his "Obras de devocao". The first edition of his works was published at Lisbon in 1561-2.


Fontes:

Sources:

  • Eds. das Obras de Gil Vicente (Hamburgo, 1834, e Lisboa, 1852), uma boa edição crítica é necessária
  • MICHAELIS DE VASCONCELLOS em GREBER, Grundriss der romanischen Philologie, II, ii, 270 e seguintes
  • MENENDEZ Y PELAYO, Antologia de poetas líricos castelhanos, VII (Madri, 1898), clxiii
  • SANCHES DE BAENA, Gil Vicente (Marinha Grande, 1894)
  • BRAGA, Escola de Gil Vicente, etc. (Porto, 1898)
  • IDEM
  • Gil Vicente e as origens do teatro nacional (Porto, 1898)
  • BRAGA deve ser sempre usado com cautela.
  • Eds. of the Obras de Gil Vicente (Hamburg, 1834, and Lisbon, 1852), a good critical ed. is needed
  • MICHAELIS DE VASCONCELLOS in GREBER, Grundriss der romanischen Philologie, II, ii, 270 sqq.
  • MENENDEZ Y PELAYO, Antologia de poetas liricos castellanos, VII (Madrid, 1898), clxiii
  • SANCHES DE BAENA, Gil Vicente (Marinha Grande, 1894)
  • BRAGA, Eschola de Gil Vicente, etc. (Oporto, 1898)
  • IDEM
  • Gil Vicente e as origens de theatro nacional (Oporto, 1898)
  • BRAGA is always to be used with caution.