Termo
(do lat. terminus, o limite, fim)
Termo final, segundo a natureza das coisas.
A expressão verbal, termo verbal. Na proposição, termos são o sujeito e o predicado; num silogismo, a premissa maior e a menor; numa analogia, o termo analogante e o analogado.
Na lógica o homem expressa o que pensa e o que sente por sinais significativos orais, que constituem os termos orais, e por sinais escritos, os termos escritos.
Diz-se sinal o que, pelo qual, algo se torna conhecido de outro. Ele indica, aponta algo que se torna conhecido por ele, sem ser ele. Desse modo está em lugar de outro, ao qual aponta, indica. Portanto requer: a) alguma coisa significante; b) a coisa significada; c) o nexo entre ele e a coisa significada; d) o sujeito cognoscente, apto a compreender o que aquele aponta. Deste modo o sinal une por meio de algo uma coisa significada ao cognoscente. O termo oral é um sinal constituído de uma voz significativa (vocábulo) para comunicar uma idéia, uma emoção, alguma coisa. É pois uma voz (um som) articulado ou não, que significa alguma coisa.
Divisões dos termos: Chamavam os antigos lógicos de termos categoremáticos os que tinham em si mesmos plena significação, que significam de per si, como homem, casa, árvores; sincategoremáticos, aqueles que não possuem de per si significação, mas modificam algum termo significante, como todo, algum, com, pois, e, daí, etc., chamados atualmente de funcionais. Esta classificação tem importância, sobretudo se considerarmos que uma idéia pode ser tomada categorematicamente ou não. Categorematicamente, quando tem um conteúdo positivo de per si, e poder-se-ia dizer que o Ser Supremo é infinito, sendo a infinitude a sua natureza. Tomado sincategorematicamente, a infinitude seria funcional, um modo de ser. Nas discussões filosóficas esta distinção é importante. Os termos podem ser unívocos, análogos e equívocos. Unívoco é o que significa um conceito simplesmente (simpliciter, um e uma razão simpliciter uma, como homem). Análogo é o que significa um conceito relativamente (secundum quid) ou proporcionalmente um e com uma razão objetiva relativamente uma, ou em outras palavras, o que se predica de muitos, segundo uma significação em parte a mesma e em parte diversa (analogia intrínseca), ou significa muitas razões entre si coerentes (analogia extrínseca). O termo ente é análogo do primeiro modo, porque significa intrinsecamente, enquanto o termo são se diz da medicina ou do alimento extrinsecamente, como ridente, que se pode dizer de um rosto e de um prado. Termo equívoco é o termo ambíguo, de dúplice significação, que significa simplesmente muitas coisas, como o termo cão, que pode significar o animal, uma peça de arma, uma constelação, etc. Note-se, porém, que se os termos podem ser equívocos, não o podem ser os conceitos, que são apenas unívocos ou análogos, porque um conceito equívoco seria outro conceito. Assim o termo cão que é, como termo oral e escrito, o mesmo, quanto ao seu conteúdo conceitual é vário, e cada conceito é outro conceito, e não o mesmo. Os termos significam os conceitos, mas estes significam a si mesmos. Não confundir o termo com o conceito é fundamental na lógica, e poder-se-á assim evitar inúmeros sofismas, que surgem dos termos equívocos, não propriamente dos conceitos. Segundo a compreensão da idéia significada, segundo o conceito, os termos podem ser positivos ou negativos, quando significam alguma coisa positiva ou a privação de uma perfeição. Assim homem e não-homem, sábio e ignorante. Há, contudo, termos que são aparentemente negativos, mas significam alguma coisa positiva, como não-eu e átomo. O termo negativo é chamado também indefinido, quando sua significação é indeterminada, como não-homem que significa, indeterminadamente, tudo quanto não é homem. Termo concreto é o que significa o sujeito com a forma, como homem, sábio. Termo abstrato, o que significa apenas a forma: como humanidade, sapiência. Termo simples é o que é composto de um só vocábulo; complexo, o que consta de muitos. O termo é explicativo, quando convém ao conceito em toda a sua extensão, como homem mortal; e restritivo, ao contrário, como homem sábio. Segundo a extensão das idéias (dos conceitos), o termo é próprio quando significa apenas uma coisa singular, como Sócrates. É comum, quando significa vários, segundo a mesma significação, como é o conceito universal, como mesa, árvore; coletivo, quando não se refere a indivíduos singulares mas tomados simultaneamente numa coleção como batalhão.
Do nome e do verbo: Define-se nome como a voz significativa para a comunicação falada, sem tempo (intemporal), da qual nenhuma parte tem significação separada, finita, reta. Por ser sem tempo, distingue-se do verbo, que é com tempo, exclui a oração e termos complexos; é finita, porque exclui os termos infinitos e indefinidos; reta, porque exclui os casos oblíquos, que são sincategoremáticos. Verbo é, pois, a voz significativa com tempo, possuindo as outras mesmas características do nome. O verbo, na oração, exerce o papel de medium que une e expressa a existência atualmente exercida ou possível nos juízos afirmativos; ou o contrário, nos negativos. O verbo ser é chamado, freqüentemente, cópula, quando realiza uma função copulativa entre o sujeito e o predicado; do contrário, é meramente um verbo substantivo, que afirma o ato de ser atual ou possível do sujeito.