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Socialismo

Socialismo

Em face do Liberalismo surge o socialismo como doutrina social, que nega os benefícios daquela para afirmar apenas seus defeitos, que são atualizados, e que afirma que, em substituição da iniciativa privada e do jogo livre dos interesses sociais e dos grupos, pode-se econômica e politicamente organizar a sociedade, de modo a oferecer melhor bem estar coletivo e individual a todos, através de certas práticas que são distintas segundo as diversas maneiras de conceber o fato social e econômico, consoante ao modo de ver das várias escolas socialistas e socializantes.

Distinguem-se os socialistas em autoritários e libertários. Os primeiros afirmam que a transformação da sociedade, de liberal para socialista, ou de qualquer outra forma para esta, deve-se dar por um ato de autoridade, que pode ser coletivo, como a revolução, que rompe a ordem existente, mas que passa a ser orientada por um partido ou facção, rigidamente organizado, que constitui a vanguarda e é o dirigente do movimento, capaz de marcar a direção para o socialismo, através de uma férrea disciplina e ordenação do processo pós-revolucionário, como entre os marxistas. Há, aqui, lugar para uma tendência moderada, que propugna a realização do socialismo pela ascensão ao poder de um partido, que dirigiria dentro dos quadros políticos liberais (democráticos), a marcha para a conquista constante das reivindicações socialistas, até alcançar pelo apoio da maioria a implantação do regime em substituição do liberal. Este é o pensamento do socialismo democrático.

Os socialistas libertários distinguem-se em dois grandes grupos: o dos que aceitam a forma revolucionária e o dos que aceitam a forma evolucionária. Em linhas gerais, os socialistas libertários são contrários à admissão de uma direção por minorias, pois consideram que toda direção de grupos ou facções ou partidos tende ao abuso e ao excesso de poder. Consideram que a transformação da sociedade liberal para a socialista deve dar-se através da revolução permanente, realizada pelas associações livres, que deverão procurar experimentar as possíveis formas de vida. Ou seja, concede a iniciativa ao homem em geral, dentro dos seus grupos e afins. Quanto à maneira de alcançar o socialismo, para uns o ponto de partida é o revolucionário, para outros o evolucionário. Entre os primeiros temos os anarquistas (vide anarquismo), e entre os segundos, os mutualistas, os cooperativistas, os cooperacionistas e alguns anarquistas comunistas. Os socialistas autoritários tendem e permanecem no socialismo de Estado, e os libertários tendem para a diminuição do poder despótico do Estado. Entre os primeiros há os que afirmam que alcançarão o anarquismo, a abolição do Estado (o que os fatos desmentem), como na Rússia, apesar das críticas prévias que lhes dirigiram os libertários. Estes afirmam que a abolição do Estado não pode ser obtida através do seu fortalecimento, mas através de uma lenta ou imediata abolição do mesmo. É impossível compendiar todas as modalidades de socialismo, pois têm surgido quase tantas quantos socialistas de pensamento autônomo têm aparecido. Em suma, o socialismo é a doutrina social que pode ser compendiada por suas negações e por suas afirmações. Nega validade à liberal democracia e a tudo quanto é fundamental desta, para afirmar que o bem-estar do homem só pode ser obtido pelas formas coletivas de organização social, com maior ou menor restrição da liberdade. O anarquismo surge como uma exceção, porque julga que a ausência de liberdade não concederá ao homem melhor situação nem aumentará a sua dignidade. Só pela livre experiência social poderá o homem encontrar uma solução para a sua vida.

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