Voltar ao Dicionário

Sistemas Monetários

Moeda

a)

Na economia a moeda pode ser considerada como moeda-mercadoria, como fiduciária e como escritural. Os sistemas de moeda metálica caracterizam-se pelo emprego simultâneo de diversos metais. A moeda de banco caracteriza-se pela sua convertibilidade em um ao menos desses metais e a maior parte dela (atualmente) é feita de papel, e apenas a divisionária, para trocos, é feita de metal ou de ligas metálicas, de caráter acessório. O uso do metal como moeda vem do passado. O cobre, o chumbo, a prata circulavam em forma de lingotes, avaliados segundo o seu peso. Finalmente as moedas foram cunhadas, isto é, marcadas com um sinal de valor, não necessitando mais, por isso, serem pesadas para sua avaliação, o que também permitiu que a sua aceitação fosse mais fácil, cumprindo assim sua finalidade, que é facilitar as trocas. Os antigos sistemas são essencialmente sistemas de moeda metálica. O Estado comprava metais, amoedava-os e tarifava as espécies. Posteriormente admitiu-se a cunhagem livre. Recebia o Estado os lingotes dos particulares e os restituía sob a forma de moedas cunhadas. Devolvia-se peso por peso, cabendo ao Estado uma pequena parcela para cobrir as despesas da cunhagem, dando-lhe o título ou teor da moeda, expressa geralmente em milésimos, pois se toma como referência o quilograma. O metal escolhido como a base de um sistema monetário é o metal-padrão. Onde há só um metal que serve de padrão, temos o monometalismo. Em regra geral é o ouro. Quando há dois metais (ouro e prata, por exemplo) temos o bimetalismo ou sistema de duplo padrão.


b)

Papel-moeda: Distingue-se três espécies: 1) Certificados, como os gold and silver certificates dos Estados Unidos. São declarações impressas em papel, que não são moeda papel, senão na forma exterior, pois representam estritamente o ouro e a prata que se encontra nas barras depositadas no Tesouro. Os portadores do certificado têm a faculdade de fazer devolver contra a entrega do mesmo a quantidade de moeda neles declarada sabendo o portador que tem direito a ser reembolsado em seus bilhetes. 2) Bilhetes garantidos como os bilhetes de banco e os do Estado, quando trazem uma garantia especial. No início o bilhete de banco era apenas uma promessa de pagar e não uma moeda. Permanecia convertível, isto é, o portador estava autorizado a pedir o reembolso em metal nos bancos. Dessa forma o bilhete aproximava-se ao certificado americano. Mas sucede que a emissão geralmente é superior ao encaixe de moeda e se todos os portadores reclamassem simultaneamente a conversão de seus bilhetes em espécie, não seria possível atendê-los. Há assim uma diferença entre a emissão e o encaixe. Neste caso diz-se que há bilhetes em descoberto. 3) Os bilhetes, inconvertíveis em moeda metálica, recebem a denominação de papel-moeda. É já uma forma degradada das anteriores, usada e abusada pelo Estado, que lhes dá curso-forçado. Dá-se o nome de inflação (de inflar, inchar) quando a emissão desses papel inconvertível está além das necessidades normais da troca (e realmente só aí). Essa moeda inconvertível é moeda apenas dentro do território do Estado, onde tem curso forçado, sem o mesmo valor fora desse território, razão pela qual sofre o risco de flutuar o seu valor sem limites em relação às moedas estrangeiras. Na realidade, essa flutuação depende da capacidade de troca dessa moeda. Ela vale pelo qual ela pode dar em troca, quando oferecida para uma troca. Por isso esses regimes de papel moeda se caracterizam pela instabilidade. Após a guerra de 1914-18 verificou-se que a maioria dos países não tinha reservas suficientes para garantir e estabilizar a moeda circulante. Procurou-se, então, aberturas de crédito, isto é, obter de outras moedas, aceitar uma paridade e, portanto, uma troca, a fim de garantir a moeda sem lastro suficiente. Tal processo, no entanto, não pode levar à disposição de créditos ilimitados, por isso tal funcionamento supõe um equilíbrio aproximativo das trocas internacionais. O funcionamento de um sistema monetário é caracterizado sobretudo pelas condições nas quais se estabelecem as relações com outros sistemas monetários. As regulações internacionais se operam, tanto quanto possível, pela compensação, graças à negociação de letras de câmbio (trocas comerciais), assegurando assim a estabilidade da moeda. Para isso exercem os estados modernos um grande controle nessas trocas, tendendo sempre ao maior equilíbrio ou a um saldo favorável sempre que possível.

Voltar ao Dicionário