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Relações Sociais

Relação Social

As relações sociais são concretas e os seres humanos mantêm-nas necessariamente, porque a sua vida se transmite pela vida humana e lhes é imprescindível a assistência de seus semelhantes. Desta forma elas têm uma base biológica, como tem consequentemente uma psicológica, porque há interatuação psíquica entre os seres humanos. Por sua vez, para aplacar as necessidades, o ser humano tem de retirar do meio ambiente bens. E essa atividade econômica implica uma técnica. Portanto, no fato sociológico geral, há sempre: 1) o físico-químico do somático (do corpo); 2) o biológico, incluindo o fisiológico com suas carências, a economia natural, etc.; 3) o psicológico, incluindo a técnica social; 4) a técnica industrial, criadora e transformadora de bens para aplacar as necessidades; 5) o meio ambiente (natureza, com suas condições, etc.). Portanto toda relação social inclui e exige a concreção geral, o conjunto dos elementos que crescem juntos ( concrescior , em lat. quer dizer crescer junto, daí concreção).

As relações sociais podem ser: a) múltiplas , quando numerosas; b) diversas , quando distintas umas das outras; c) interatuantes , quando umas atuam para modificar as outras. As relações sociais podem ainda ser, simultaneamente, múltiplas, diversas e interatuantes. Numa família, por exemplo, as relações sociais podem apresentar tais caracteres.

Mas numa relação social podem intervir diversos indivíduos, por isso ela pode ser dividida em: a) singular , quando apenas se dá entre dois indivíduos; b) coletiva , quando nela tomam parte numerosos indivíduos; c) mista , quando um dos termos é um indivíduo e o outro é formado de uma coletividade. Por ex., a entre um indivíduo e um grupo social.

As relações sociais duram no tempo, por isso podem ser: a) efêmeras , quando sucedem rápidas, como a entre um passageiro e o cobrador de um ônibus; b) duráveis , como a entre um operário e o patrão; c) permanentes , como a entre pai e filho.

Como em toda relação social há sempre, pelo menos, dois termos (as partes que se relacionam entre si) pode ela ser: a) bilateral , quando há influência recíproca entre as duas partes; b) unilateral , quando apenas um dos termos é influenciado.

Nas relações sociais podem dar-se ainda dois aspectos dignos de nota: ou essa relação apresenta cordialidade entre as partes ou deixa um germe de discórdia. Temos: a) positiva , aquela em que há vantagens para ambas as partes; b) negativa quando apenas uma das partes tem a vantagem total ou então uma muito maior que a outra. Quando a vantagem de uma parte é à custa da outra, quando a que a primeira obtêm é em detrimento da outra, sem que receba uma suficiente compensação, estamos em face de uma relação social negativa. Na relação social positiva, ambas as partes aumentam a sua força. Na negativa só uma tem a vantagem ou tem a melhor.

Compreende-se desde logo que a relação social positiva é justa e evita dissenções, enquanto a negativa traz o germe da discórdia e provoca ressentimento da parte prejudicada. Se essa relação se elabora por constrangimento ou por persuasão ou por troca de vantagens, temos situações diferentes. A discórdia, o ressentimento podem crescer segundo a força social empregada.

Sempre as relações sociais negativas tiveram um papel destruidor na constituição das sociedades humanas. E em todas as eras houve homens que sentiram a injustiça dessas relações sociais negativas, sobretudo quando a força que as dirigia era de persuasão, aproveitando-se da ignorância ou da fraqueza e, muito mais odienta, quando era a do constrangimento, da coação. Por isso surgiram sempre aqueles que desejaram evitá-las e propuseram para os homens, cada vez mais ou apenas, relações sociais positivas.

Esta a razão porque surgem idéias que podemos sintetizar neste esquema: 1) os que desejam abolir as relações sociais negativas; 2) os que desejam reduzir o número de relações sociais negativas; 3) os que procuram justificar essas relações. Nestas três divisões podemos incluir todas as idéias políticas. Como para atingir tais resultados impõe-se o emprego de meios e a variedade destes é imensa, as idéias políticas se caracterizam: a) pela intencionalidade, o fim desejado: abolição total, redução parcial ou justificação; b) os meios a serem empregados. São tais aspectos que nos permitem compreender, desde já, a multiplicidade de idéias políticas, bem como a variedade dos argumentos que elas empregam para justificar as suas posições; o que é matéria da política, como disciplina filosófica.

Também se deve considerar que se as relações sociais negativas trazem um germe de discórdia, também são elas, sob muitos aspectos, estimulantes e fecundas, pois levam o termo prejudicado a fortalecer a sua força social, a fim de evitar a repetição das relações que lhe são prejudiciais. Muitas vezes os prejudicados por essas relações sociais negativas unem-se para defender a sua posição. Como individualmente representam uma força social frágil, consideram que, unindo-se uns aos outros, podem ter uma força maior e evitar as relações que lhes são nocivas.

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