Reflexo
Os reflexos distinguem-se das reações e são intitulados de espontâneos ou fortuitos. Todo movimento que fazemos, dirigido pela vontade, já fizemos antes espontaneamente. Se resolvemos dar um salto para ultrapassar uma barreira é que sabemos antes que, saltando, podemos atravessá-la. E se o tentamos é porque já fizemos experiências anteriores, mesmo não dirigidas pela vontade. Classificam os psicólogos em geral esses movimentos mecânicos em reflexos, tropismos, e alguns de tactismos, que é uma espécie de tropismo ou a ele se assemelha e, segundo alguns, os instintos. "O reflexo é uma reação motriz invariável, que responde a um estímulo preciso, e que se produz, desde a primeira vez, completo e seguro", define Roustan, exemplificando com a tosse, o espirro, etc. São os tropismos fenômenos de orientação, como na botânica a orientação dos vegetais sob uma influência momentânea como a da luz. A planta, num quarto, inclina-se para a janela, de onde vez a luz; na zoologia também são observados tropismos, como o chamado anemotropismo dos insetos, que se colocam sempre de face para o vento. O tactismo diferencia-se do tropismo. São excitações físicas ou químicas que determinam a progressão automática de um animal em certo sentido. Procuram os psicólogos distinguir o tactismo do tropismo, considerando este apenas mecânico, enquanto julgam precipitado considerar aquele assim. A ação dos necróforos, que se dirigem ao cadáver de um rato, não pode ser explicada apenas por um automatismo mecânico; Jennings reconhece diferenças entre certos fenômenos de um simples tropismo, como os do paramécio que procura a parte acidulada da água. Se fosse uma ação meramente mecânica, a marcha que empreende para alcançar essa região, seria apenas sujeita às leis da mecânica. Entretanto tal não se dá. O paramécio, ora se aproxima, ora se afasta, vai, cai, torna, retorna, procura ali, até que, ao tocar a região acidulada, pára, mantém-se aí, onde parece manifestar certo prazer. A explicação mecanicista de Loeb dos fenômenos do tropismo não satisfaz a todos os biólogos porque toda explicação mecanicista é uma explicação extensista, apenas abstratista. Como na natureza os fatos são regidos por um dualismo antinômico de intensidade e extensidade, toda e qualquer interpretação que se construa, fundada numa, com a exclusão da outra, não pode satisfazer, por visualizar apenas um dos aspectos da realidade. A vida não pode ser explicada apenas pela ordem dinâmica de extensidade, como é a da mecânica, porque na vida há predominância da ordem dinâmica da intensidade. O fato dos biólogos não se encerrarem na concepção do tropismo e criarem a do tactismo, em contraposição, é já o produto da má colocação do problema. Uma explicação que atualiza um dos aspectos para virtualizar o outro, é uma interpretação abstrata.