Produção
Para atender as exigências, para satisfazer suas necessidades, precisam os homens de bens. O processo que empregam para obtê-los chama-se produção. Diz-se consumo a aplicação que lhes for dada. Assim, produzir é a atividade econômica consistente em obter bens. Esses bens, naturalmente, destinam-se a atender as exigências individuais ou coletivas do homem. Mas produzir como atividade econômica tem essa direção. O verbo produzir vem de dois radicais latinos: pro e ducere (do lat. pro e ducere) e, em seu sentido etimológico, significa conduzir (ducere) para a frente (pro), por em evidência e extensivamente significa criar, engendrar.
O processo mais simples de produção é a ocupação, consistente em colocar alguém, uma coisa sob sua ação, tomando-a ou pondo-se nela, se móvel ou imóvel. Essa deverá ser a primitiva forma de produção do homem. Produzir não significa criar ex-nihilo, mas tomar bens de natureza para atender as necessidades. Uma divisão do processo de produção logo se nos torna patente. A atividade produtiva do homem não se realiza sempre pela ocupação simples. Exige o emprego de utensílios, instrumentos, aparelhamentos para a realização de tal atividade. Temos: produção simples – a que não reclama aparelhamentos ou se os exige são insignificantes; produção técnica – onde intervém um aparelhamento mais complexo, conhecimentos aplicados.
A produção pode ainda ser classificada: produção individual, quando é feita para atender as necessidades do próprio produtor; produção familiar, quando se destina à sociedade. Essas formas podem coexistir. Outras classificações podem ser apresentadas como: regional, estadual (provincial), nacional, continental, mundial, etc. Conceito de produtividade – À capacidade de dar lugar ou de surgir bens dá-se o nome de produtividade. Assim se fala na produtividade do solo, na de uma fábrica, de um homem, de um escritor.
A produção pode ser material ou imaterial. Na primeira temos: ocupação; coleta que consiste na aglomeração de bens para dispor deles quando necessário; extração, quando das coisas coletadas é extraído, tirado qualquer elemento útil; transformação, quando se dá às coisas outra forma ou se lhes modificam as propriedades. Na imaterial temos a produção de bens que se destinam a uma aplicabilidade psíquica e intelectual.
É necessário aproximar os bens das necessidades para satisfazê-las. E esse ato chama-se transporte, que faz parte do processo da produção, tanto como a transformação, pois facilita as trocas. Pode considerar-se como ato o que visa à satisfação de uma necessidade, mesmo que não seja ele acompanhado de transformação, nem de transporte? Os economistas clássicos negam que seja um ato produtivo. Entretanto outros consideram como um produtor tanto a cozinheira ou a dona de casa que preparam a comida, como o cozinheiro que trabalha num restaurante. Para outros essa afirmação extrapola o sentido da palavra produção. Assim, aquele que oferece seu serviço, e que não participa em nenhuma fase do processo produtivo, não deve ser compreendido na categoria de produtor. Entretanto, atualmente, dá-se ao termo produção sua máxima extensão, englobando entre os produtores todos os que participam da atividade econômica, todos os que fornecem qualquer prestação, com o fito de satisfazer uma necessidade. Desta forma se estabelece uma completa concordância entre a noção de produção e a de necessidade e, consequentemente, uma concordância entre os conceitos de utilidade e os bens ou serviços, visualizando a atividade de uma coletividade de maneira mais concreta.
Os fatores de produção – Podemos destacar três grupos fundamentais e indispensáveis de fatores (do verbo latino facere, fazer).
1º) a natureza – o nosso próprio ambiente, a soma de todos os corpos simples e compostos, orgânicos e inorgânicos, as energias latentes (ocultas), não atualizadas exteriormente, as quais são suscetíveis de transformações de grau maior ou menor e que possam servir às exigências individuais ou coletivas.
2º) o trabalho – sendo inertes as coisas, o homem deve nelas intervir, captá-las, despendendo deliberadamente um esforço (uma energia), com a intenção de aplicá-lo à produção de bens.
3º) o capital – contando apenas com o próprio esforço físico poucos seriam os bens que poderia produzir. Desta forma com a evolução técnica aparelhou-se o homem com meios que lhe permitem vencer dificuldades até então insuperáveis. Esse aparelhamento, em linhas gerais, chama-se capital e é composto pelos utensílios. Os economistas discutem para saber qual dos três fatores é o mais importante. No estado atual todos eles são essenciais à produção e a valorização estabelecida em benefício de um ou de outro representa uma falsa colocação do tema. Pode-se considerar a natureza e o trabalho como os fatores cronologicamente anteriores ao capital. Os economistas excluem o capital dos fatores necessários e suficientes, considerando-o como um fator composto. Toda sociedade humana possui riquezas adquiridas, e entre essas algumas que servem para a produção de novas riquezas. Temos instrumentos, matérias primas, as quais servem exclusivamente para a fabricação de outros bens, e que têm um papel na produção de novos bens. Esta foi a razão que levou os economistas a classificá-los entre os fatores de produção. Assim o solo, transformado pela cultura, pelo estabelecimento de vias de comunicação, pela vizinhança de aglomerações humanas, oferece novas condições. A terra se torna um produto da natureza e do trabalho e, consequentemente, um capital. O capital é um fator composto de natureza e trabalho.