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Preço (Na Economia)

Preço

Para alguém obter os bens que necessita para satisfação de suas necessidades, é mister ceder alguma coisa que possui. Em seu aspecto invariante, essa porção de bens que alguém cede em troca do que precisa (ato econômico, portanto oneroso) é o preço. E esse preço, neste caso, sendo bens, pode ser formulado por qualquer espécie de utilidade. Mas essa operação não se processa mecanicamente, numa simples troca. Nela se processam também fatos psicológicos, sociológicos, etc. Intervêm inúmeros fatores co-variantes, que a tornam diferente, que lhe emprestam novos matizes, novas qualidades, que a diferenciam das outras.

Na linguagem cotidiana, diz-se que o preço de uma mercadoria ou de um serviço é a quantidade de moeda que é preciso dar para obtê-la. Poderíamos considerar não só uma quantidade de moeda ou uma mercadoria dada em pagamento, mas um serviço, avaliável em moeda. Ora sabemos que essa serve para medir, para avaliar economicamente os bens. A moeda permite uma divisibilidade, porque é tomada quantitativamente. Há uma relação matemática entre o preço e a mercadoria. Se o preço de um quilo de feijão é X, podemos considerar uma relação entre 1.000 gr com X. Como um quilo de feijão não é um todo indivisível, pode ser tomada como parte por exemplo 1/2 quilo ou 500 gr. Mas se a unidade de mercadoria é um todo indivisível – como um chapéu, o transporte de uma carga – a unidade é definida pela mercadoria ou pela própria prestação. Assim não faria um serviço de transporte quem o fizesse até meio do caminho, porque não teria realizado o serviço porque ele é indivisível em sua unidade, nem poderia ser avaliado em suas partes.

É o preço uma relação de troca qualquer entre as inumeráveis relações de trocas iguais que podemos conceber entre as mesmas unidades. Ele refere-se a uma quantidade invariável, tradicionalmente fixada, de mercadoria ou de serviço. Assim o preço do pão refere-se sempre ao quilo, pois é uma relação de troca entre um número de unidades monetárias que varia mais ou menos e a unidade, sempre tomada por base, é o quilo do pão. São tais fatos que nos permitem comparar os preços das mercadorias tomadas de várias épocas diferentes e permitem que estabeleçamos registros estatísticos sobre as variações proporcionais entre os preços. Estabelecem-se índices que determinam suas variações em porcentagem, a partir de um ano de base.

Ele tem um importante papel regulador, não só no da produção como do consumo. Quem faz certos artigos despende para confeccioná-los de uma determinada quantia: o custo. Como o homem em geral só obtém vantagens e bens necessários a si mesmo através da atividade econômica, sucede que se ele trocasse essa mercadoria produzida pelo que lhe custou permaneceria no mesmo, sem nenhuma vantagem ou proveito. Para obte-la exige na troca, não só o montante do custo, mas um excesso, que é seu proveito ou lucro. É por meio do preço que o produtor consegue essa vantagem e do consumidor, que lhe dá mais, o que ele deseja para si.

Nele há uma relação de troca, que se processa: 1) o resultante de trocas juridicamente livres; 2) o fixado pela autoridade pública. No primeiro caso pode dar-se o preço entre dois agentes econômicos isolados que trocam entre si, ou uma pluralidade ilimitada de compradores (concorrência bilateral perfeita), ou um vendedor e uma pluralidade ilimitada de compradores (monopólio de venda) ou uma pluralidade ilimitada de vendedores e um comprador único (monopólio de compra). As combinações podem ainda variar para um número ilimitado, porque elas se diferenciam segundo a variedade imensa dos bens que se trocam. Estamos aqui no que se pode chamar o mecanismo dos preços, porque precisamente é nessas relações entre compradores e vendedores que os preços se formam, variam, aumentam ou descem segundo as diversas e múltiplas variações dessas relações em função de muitos fatores de ordem social.

É fácil perceber que o mecanismo dos preços é bastante complexo. Antes de analisarmos as condições econômicas e os fatores diversos que influem na formação dos preços, alguns determináveis, outros indetermináveis, podemos estabelecer um campo de ação, onde se processam os preços que apresentam dois aspectos antagônicos. De um lado quem vende e de outro quem compra. Se quem vende cede um bem em troca de outros, e quem compra também cede, dentro das condições econômicas em que vivemos, quem quer em troca mais do que cede, e quem compra desejar o menos possível em troca. Quem vende tem o custo do que vende e o custo é o seu limite máximo de concessão. Poderá ir até ele, sem perda, sem dar mais do que recebe. Logo, quem vende tem como ponto de referência o custo, que é o limite mínimo. Quem compra (consumidor ou não) tem um limite também determinado por seu potencial de compra (poder aquisitivo), isto pela porção de bens que pode ou quer normalmente abrir mão.

Hipóteses: a) Se o comprador ou compradores estão na pressão de adquirir; b) Se eles não estão nessa pressão; c) Se o vendedor ou vendedores estão na pressão de vender; d) Se não estão nessa pressão. Combinemos essas quatro hipóteses com variações como: nos casos a e b, há em relação a eles um ou mais vendedores. E estes variam de grau de pressão. Acrescentem-se outros fatores: políticos, sociais, históricos e ver-se-á que o mecanismo do preço, isto é, o mecanismo que forma os preços, é o mais complexo possível. É fácil depreender-se que ficará sempre à mercê do outro o mais necessitado, aquele para quem a operação de troca é inadiável. Os graus dessa pressão variam segundo os inúmeros casos que se podem formar nessa relação entre quem vende e quem compra. Junte-se a isso a qualidade do bem: a sua conservabilidade. Um bem de deterioração fácil ou rápida, já é por si um fator de inadiabilidade de sua colocação. Atua como pressão e aumenta o grau de pressão. É portanto um fator de pressão que deve ser considerado.

Vendedores e compradores de uma mercadoria ou de um serviço bem definidos, entrando em contato, formulam publicamente sua oferta e sua procura. Determinam, assim, um lugar onde as transações são ligadas umas às outras. Consideram a existência de um mercado, onde vendedores e compradores se encontram, comparam as mercadorias, verificam preços, preferem estas àquelas. Que se dá nesse mercado? Dá-se uma concorrência. Isto é, a eles concorrem compradores e vendedores. Compradores e vendedores podem correr de um para outro. Tal campo de ação e tal qualidade que oferece o mercado chama-se, em economia, fluidez do mercado e diz-se que um mercado tem mais ou menos fluidez quanto mais ou menos permitir essa corrida.

Podem os preços serem diversos e vários e a complexidade dos graus e fatores nos mostraria que se tal se desse não seria nada de admirar. No entanto, a concorrência, a comparação de uns com outros, tende a forçar uma unificação. O mercado tende a uma unidade de preços.

Concorrência nos preços – Dá-se o nome de preço de concorrência à unidade de preço que surge no mercado ao concorrerem os diversos preços desejados. O mecanismo é bastante complexo: a) o número dos que desejam vender e as ofertas que fazem podem ser superiores à procura dos que compram; b) a procura dos que compram pode ser superior à oferta dos que vendem; c) pode dar-se um equilíbrio mais ou menos estável entre ambas. Temos duas novas figuras compendiadas nos termos oferta e procura, cuja relação é variável. Ora Oferta>Procura, ora Procura < Oferta, ora Oferta=Procura. Em outros termos: ora a oferta é maior que a procura, ora a procura é maior que a oferta, ora estão num equilíbrio mais ou menos estável. Todo vendedor como todo comprador tem um preço limitado desejado. Tais fatos são facilmente observáveis, como se verificou também que, em princípio, a oferta é tanto maior e a procura tanto menor, quando mais elevado é o preço, e reciprocamente, é o que se chama a lei da oferta e da procura.

Se admitirmos que num determinado estado do mercado existe um preço único e necessário, toda variação no mesmo se manifesta por uma variação correspondente do preço. Se a oferta diminui, sem que varie a procura dos compradores na mesma proporção, mostra-nos a experiência que o preço do mercado se orienta para a alta. Se a procura dos compradores aumenta, sem que a oferta proceda de igual modo haverá também alta. Então se conclui que toda modificação na relação entre a oferta e a procura prova uma mudança no preço, no sentido da alta ou da baixa, segundo é a quantidade procurada superior à quantidade oferecida ou a quantidade oferecida é superior à quantidade procurada. Essa é, em suas linhas gerais, o que se denomina a lei da oferta e da procura. Verifica-se ainda que a alta dos preços estimula a oferta e modera a procura, e reciprocamente.

Pode-se notar nessa interdependência da quantidade e do preço, o princípio que, através das oscilações sucessivas, assegura o equilíbrio do mercado e, que as modificações surgidas nos dados iniciais do mercado, já considerado estático, tendem a realizar novo equilíbrio, e assim sucessivamente. Tal sintetização é, porém, generalizante, pois inúmeros fatores intervém para modificar o grau de intensidade de tais modificações. E a complexidade desses fatos é de tal monta, que se torna impossível aqui uma análise de todos os casos, nem dos mais numerosos, mas apenas de uma explanação teórica (geral, portanto), que permita dar uma visão panorâmica da influência variável dos covariantes, que intervêm no mecanismo dos preços.

O que nos mostram os fatos é que há uma elasticidade da oferta e da procura e também uma interatuação. Pois se a relação entre elas funciona sobre o preço, este depois de formado, atua funcionando sobre a própria oferta e a procura. Há uma reciprocidade de atuação. A elasticidade da oferta e da procura tem seus graus. Pode ser maior ou menor, isto é, mais intensa ou menos intensa, como mais extensa ou menos extensa. O custo de uma mercadoria varia segundo a quantidade produzida. Podemos nos encontrar em face de duas situações: a) se o rendimento da produção é proporcionadamente menor que o normal, temos um crescimento do custo, e no caso inverso, uma diminuição do custo, ou nos casos normais um custo constante.

Se o preço do mercado depender do custo, pode ele elevar-se ou abaixar-se em função das quantidades produzidas e oferecidas. Há aqui um aspecto novo que pode contrariar a lei da oferta e da procura. Admitamos que a procura de um produto aumenta. Ante essa procura, o produtor desenvolve tecnicamente sua produção e pode baixar o custo das unidades, podendo oferecê-las ao mercado em maior número e a menor preço. Não é fácil definir-se o custo com precisão, pela simples razão de intervirem nele fatores dos mais diversos. Quem executa um serviço, um indivíduo que trabalha isoladamente sem capital, mede o seu custo pelo esforço, pelo trabalho, mas põe este em relação com as suas necessidades que devem ser atendidas. Quem, no entanto, emprega instrumentos e materiais de trabalho de outrem pode melhor medir seu preço de custo, pelo que ele deve dar em troca, que numa economia de moeda pode ser medido pela totalização das somas despendidas. Mas quando é o produtor proprietário dos meios de produção deve calcular o desgaste de suas máquinas, a amortização necessária que é, muitas vezes, calculada arbitrariamente, por encontrar dificuldades numa precisão. Por isso se diz que o custo é uma realidade flua, com graus naturalmente de fluidez, sem que isso implique qualquer redução de sua realidade, mas apenas à sua precisa delimitação.

Assim o custo dos produtos agrícolas é menos preciso que o da produção industrial e do comércio. Por isso se dão variações maiores quando se trata do mercado de gêneros agrícolas do que do de gêneros manufaturados. Geralmente os gêneros agrícolas não têm um preço de oferta preciso. Esperam muitas vezes a procura, a abertura do mercado. Depende o seu preço da quantidade, da abundância e das flutuações naturais do mercado. Já o mesmo não se dá no mercado dos bens manufaturados, cujo custo permite que quem vende dê seu preço ao ofertar. Conclusão: enquanto são mais variáveis os preços dos gêneros agrícolas, são menos variáveis os preços dos gêneros manufaturados.

Fixação dos preços pela autoridade pública – As relações de troca determinadas sobretudo por contratos livres, podem ser também estabelecidas pela autoridade pública. O Estado também intervém nos preços e fixa-os no intuito de evitar abusos. Numa economia dirigida, o Estado intervém não só quanto aos preços, mas também quanto à distribuição dos produtos. Essas intervenções em economia liberal se dão com o intuito de estabilizar os preços e evitar o lucro exagerado. Vários são os processos empregados pelo Estado para atingir esse objetivo: a) taxação simples; b) criação de um monopólio do Estado; c) organização do mercado. Procede ainda com medidas contra a baixa e contra a alta, segundo os casos. Pode-se ainda evitar a baixa pelo desenvolvimento da procura. Neste caso, o Estado pode adquirir parte da produção com o intuito de aumentar a procura no interior ou facilitar a exportação, concedendo vantagens de toda espécie aos produtores ou aos consumidores. A alta pode ser evitada lançando no mercado estoques em seu poder ou abrindo as portas à importação. Há interdependência entre os mercados. Certos produtos quando na alta podem aumentar o preço de outros.

A ação da moeda na formação dos preços – O papel da moeda (vide moeda) é facilitar a troca, e significar todos os fatos econômicos e deixando de ter seu verdadeiro valor quando a troca não é por ela facilitada. Se facilitar a troca, também facilita a formação do mercado e a formação do preço. Sua intervenção permite que o mercado se forme, porque ela serve de denominador comum. Do contrário, as trocas seriam dificultadas pois quem tivesse trigo e desejasse batatas, teria que procurar quem tivesse batatas e que desejasse trigo ou procurar um terceiro que desejasse trigo, mas que tivesse centeio e que este fosse desejado por quem tivesse batatas para trocar por ele, e o centeio desejado por quem quizesse batatas e aceitasse trocá-lo por trigo. Se entre os três tais combinações não fossem possíveis, teria de intervir um quarto ou quinto, e assim sucessivamente, complicando a troca. A presença da moeda facilitou e um dos seus papéis é facilitar a troca. Com ela o mercado pode ser organizado, pois nele iremos procurar o que desejamos, tendo apenas ela para trocar o que quer que seja, permitindo assim que os preços se equilibrem, bem como o próprio equilíbrio do mercado.

...Num mercado de concorrência, quando a procura aumenta, a oferta permanecendo constante, o preço do mercado tem a tendência a subir, e ... quando ela diminui, há tendência a baixar. Ora, numa economia em que a moeda está em uso, um aumento da procura se traduz por um aumento da moeda, que se apresenta no mercado, e reciprocamente. Podemos então dizer que, ... quando a quantidade de moeda aumenta, os preços sobem (em outras palavras o valor da moeda baixa) e que a inversa se produz em caso contrário.

— Nogaro

Assim uma variação da matéria provoca uma variação, da mesma forma, do nível dos preços; isto é, em sentido contrário, uma variação do valor da própria moeda, que pode trocar-se mais ou menos. Muitos economistas afirmam que as variações de preço são proporcionadas à quantidade de moeda. Todos os governos que controlam a moeda procuram que ela corresponda perfeitamente às necessidades da troca, evitando dessa forma os exageros da inflação ou da deflação, isto é, quando há presença excessiva ou falta excessiva. No primeiro caso, temos a alta de preços como decorrente da sua desvalorização; na segunda, temos a aparente baixa deles, mas redução da solvabilidade, que traz como conseqüência um mal tão grande como o primeiro ou pior.

Entretanto pode dizer-se que o destino ou a direção tomada pela moeda através do crédito pode trazer benefícios ou malefícios. Um crédito exagerado a favor do consumidor pode levar à inflação e à alta de preços. Se o consumidor tiver mais moeda do que a produção, os preços subirão, porque a procura será maior que a oferta. Se o produtor receber pelo crédito mais moeda e a empregar na produção, esta aumentará em quantidade e melhorará em qualidade, retornando parte ao consumidor (salários, etc.), aumentando proporcionalmente o consumo.

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