Parcimônia
É a poupança nos gastos, é despender moderadamente, é evitar malgastar. Chama-se de lei ou princípio de parcimônia, um preceito de ordem epistemológica e também criteriológica, onde devem-se evitar os esforços ao mínimo possível quando se trata, por exemplo, da demonstração. O filósofo deve poupar ao leitor a perda de seu tempo ao tratar de nímias particularidades, com excesso de argumentos desnecessários. Ademais, a doutrina filosófica vale mais ou menos na proporção em que oferecer menor ou maior número de aporias. A solução de uma aporia filosófica é quase sempre a abertura de duas ou três mais. A lei da parcimônia, como critério, permite-nos avaliar o valor de uma nova doutrina, que pretendendo resolver uma velha aporia torna aporético o que até então não o era e que passa a ser indemonstrável.
Também se emprega a expressão princípio de economia que é a famosa sentença de Ockam: Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (os seres não devem ser multiplicados, só se houver necessidade).
A natureza, segundo Galileu, não opera com muito quando pode operar com pouco. Há sempre a obediência a uma lei do menor esforço, do menor dispêndio, um princípio de simplicidade, ou em suma como o chamamos “lei do bem”: Na natureza tudo obedece à lei do menor esforço para obter os máximos resultados; ou seja, atingir ao máximo dando o mínimo. Só o homem, sem dúvida, pode e tem dado o máximo para obter o mínimo, porque na história, maiores têm sido os esforços que os bons resultados, quando se tratam das realizações ideológicas.