Voltar ao Dicionário

Panteísmo

Panteísmo

(do gr. pan, tudo e theos, Deus, ou seja tudo é Deus)

Doutrina que afirma que o cosmos nada mais é que a manifestação do próprio Deus. Costumam os teólogos dividir o panteísmo em:

1) Panteísmo poético

Não é um pensamento surgido de especulações de ordem filosófica, mas de um sentir, de um pathos unificador, que leva a considerar como sendo um só, no fundo, todos os seres que se identificam num Grande Todo (o Grande Pan). É uma posição mais estética que filosófica, que encontramos não só entre os poetas ocidentais como também entre poetas e religiosos de outras culturas.


2) Panteísmo religioso

Apresenta essa posição panteísta muita semelhança com a poética. Todas as coisas estão em Deus e Deus em todas as coisas. O panenteísmo também considera que tudo está em Deus e vê em todas as coisas algo de Deus. É a posição de alguns autores cristãos.

"O universo, através do qual Deus se revela, não é somente sua obra; é sua criatura. Não é somente uma coisa que Deus, em seu poder, fez do nada; é um ser que não é, e que não vive senão da vida e do ser que ele toma incessantemente de seu autor"

(H. de Lubac)

Entretanto convém esclarecer que a admissão de Deus, como o ser subsistente, no qual todas as coisas subsistem, é uma concepção escolástica. Mas esse ser é transcendente ao cosmos, que é dele, sem ser ele, razão pela qual não se deve considerar, dentro da concepção cristã e, sobretudo católica, a posição de Lubac como um panenteísmo puro, mas como pertencente, apesar das suas modalidades, à posição criacionista.


3) Panteísmo filosófico

Coloca-se na posição de que as heterogeneidades do existir são manifestações de um ser único, divino, e que a percepção diferencial, distinta das heterogeneidades, surgem apenas ou das perspectivas do observador que participa do ser (como nas concepções hindus, que consideram tais perspectivas como maya, e não como a realidade de Brahman), ou apenas como manifestações modais do ser, que é sempre um e único.

O panteísmo filosófico apresenta diversas modalidades, como variantes do mesmo pensamento: o panteísmo naturalista, que afirma a imanência de Deus no mundo (o que porém não o faz o panenteísmo, que afirma a transcendência de Deus), o que se costuma denominar de cosmoteísmo, como a posição hilozoísta na filosofia grega, que anima o cosmos de divindade. Deus é o Logos, imanente ao mundo, a forma que modela e organiza o cosmos, que nele se imanetiza. Tudo é símbolo de Deus, pois Deus é tudo. Em tudo há o seu espírito.

Para os neoplatônicos e, sobretudo, em Plotino e Proclo, há uma modalidade de panteísmo, o emanatista. A natureza procede de Deus por emanação, num ato livre e de superabundância do ser divino. Como ato puro, portanto infinito, Deus nada perde ao criar, nem nada acrescenta ao criar o mundo, assim como grosseiramente, mas apenas como símbolo do ato emanatista, a chama de uma vela, que acende outras e nada perde de si, nem nada se lhe ajunta por isso.

Há ainda o panteísmo idealista, que considera serem as ideias a única realidade, cujo exemplo encontramos em Hegel, na concepção da Ideia absoluta e na filosofia romântica de Fichte e de Schelling.


4) Panteísmo teológico

É o genuíno panteísmo, que afirma a imanência de todos os seres em Deus, como a concepção de Spinoza.

Voltar ao Dicionário