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Paixões

Paixão

Na psicologia geralmente se considera a paixão como um estado que dura; assim a emoção é a forma aguda e a paixão a forma crônica, na qual se assinalam os caracteres de violência e duração. Hoje considerada pelos psicólogos como uma tensão dirigida, como tendência em atividade, mas concentrada intensivamente quanto ao fim, anulando muitas vezes todas as vontades contrárias, que se lhe opõem.

Os filósofos divergem no tratar das paixões e das emoções. Kant distingue uma da outra: "onde há muita emoção, há freqüentemente pouca paixão". E observa que os povos que experimentam facilmente emoções parecem ser incapazes de paixões profundas e, que ao contrário, os temperamentos tranqüilos, pouco dados a comover-se, são os que com freqüência experimentam paixões violentas. Essa distinção é justa e destrói a concepção comum de que a emoção e a paixão estão estreitamente ligadas. A emoção ou a comoção são estados primários; mas na paixão há uma concentração da propensão e das inclinações que preponderam, dominam, avassalam as outras. Ribot, apesar de julgar que há semelhança entre ambas, distingue bem, quando diz que a paixão é, "na ordem afetiva, o que a idéia fixa é na ordem intelectual". Quando alguém é dominado por ela, toda a vida psicológica parece tender para aquele fim, o que também implica a necessidade de uma intensa concentração da vida psicológica, por isso não se verificam paixões nas crianças, cuja vida psicológica não está ainda devidamente concentrada, e também não se desenvolveu a personalidade.

O termo paixão tem diversos sentidos. Para Aristóteles é uma das categorias e opõe-se habitualmente à ação. O ser se manifesta como paixão e como ação; são portanto dois modos de manifestações do ser. Neste caso é a qualidade ou o conjunto das qualidades passivas, não só do sujeito como de todo objeto em geral. Posteriormente tomou o sentido de afetos e emoções, que perturbam os ânimos e a razão. Dessa forma ela incluía também as emoções. As paixões foram analisadas pelos moralistas, ora para elogiá-las, ora para deplorá-las, ora para combatê-las. Uns consideram-nas bruscas, outros demoradas, produtos de um trabalho de cristalização; outras as consideram extirpáveis pela vontade, que também pode impedir seu nascimento, enquanto outros as consideram poderosas e avassaladoras da vontade; ora um sinal de força, ora um sinal de fraqueza; ora obstaculizam o desenvolvimento moral, ora o impulsionam.

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