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Normal

Normal

(do lat. norma, esquadria formada por duas peças perpendiculares).

a)

O que é conforme à norma. "Anormal" não deve ser confundido com "anomal" (a privativa e nomos, lei), apesar de uma parcial congruência do sentido. Normal, portanto, no sentido próprio, é tudo o que é conforme à sua própria ideia do bem, ficando assim "normal" sinônimo de bom, justo e direito.


b)

Como a norma não é sempre uma regra abstrata, normal também pode significar a conformidade de um indivíduo com a ideia da sua espécie, que representa para ele a norma e o ideal ao qual aspira, não obstante tratar-se aqui de uma norma, que só empiricamente pode ser conhecida, cujo valor a priori só é presuntivo. Daí logicamente deduz-se o amplo emprego que se faz do termo na língua médica e, geralmente, na descrição de fenômenos patológicos.


c)

Contudo aqui se acha a raiz de um uso muito impróprio e superficial da palavra e que, particularmente, se afasta da acepção filosófica do termo. Pois normal, agora, se considera tudo o que é observado com uma mais ou menos pronunciada regularidade, originalmente partindo da representação ingênua, para em vista dessa regularidade, poder-se estabelecer um traço específico, mas ultimamente até sem essa justificativa. De maneira que um fato, encontrado com frequência, já por isso é chamado normal, ainda que seja patológico ou por qualquer outra razão perfeitamente anormal. Assim se fala de um certo número normal de suicídios, ou se diz normal que para aumentar a produção, os industriais tratem por todos os meios de incrementar o consumo. Entre esses extremos de normal = justo e normal = habitual ou costumeiro, ainda há uma série de acepções semantologicamente intermediárias.


d)

Com aplicação à sociologia, Durkheim estabelece: "Um fato social é normal para um determinado tipo social, considerado sob uma fase determinada e seus desenvolvimentos, quando ele se produz na média das sociedades dessa espécie, consideradas em fase análoga de evolução". Aqui se mostra o valor a priori do normal, justificado como tal, pelo caráter específico que se tornou tão fraco que é preciso recorrer a um valor emprestado da "média" para poder proclamar um fato como normal. Também a média, em sua acepção puramente quantitativa, pode motivar a atribuição do caráter normal de alguma coisa. Neste sentido fala-se, por exemplo, da temperatura normal, que é a média observada a uma mesma data durante anos de experiência. Na vida econômica fala-se da "ação normal" de um certo grupo industrial, o que significa a ação ou o procedimento que se deve esperar desse grupo sob determinadas condições.

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