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Maquinismo (Na Economia)

Máquina

A máquina é "um conjunto de seres inanimados (ou até excepcionalmente animados), capazes de substituir o homem na execução de um conjunto de operações propostas pelo próprio homem".

Para alguns, ferramenta é uma máquina; para outros, é apenas o instrumento que empresta uma força do meio exterior, porque é usada pela força do homem. Esta última opinião, por exigir que a máquina empregue força do meio exterior tem sua vantagem, porque permite que se compreendam e se interpretem melhor os fatos econômicos.

Há nas máquinas a conjugação de certos fatores:

a)

o fator trabalho, que está na origem da sua confecção;


b)

o fator capital;


c)

o fator técnico;


d)

o fator natureza, o dom gratuito da natureza que antecede ao trabalho humano, e que é descoberto pelo homem e empregado metodicamente através da máquina, que distribuem-se em três fases:

  1. um emprego esporádico e acidental, na fase da eotécnica até à Revolução Industrial;
  2. emprego generalizado que acompanha o capitalismo industrial, na segunda metade do século XVIII;
  3. o emprego sistemático que vem até os nossos dias.

O maquinismo, com o decorrer do tempo, aumentou de extensão e de qualidade, mas também se complicou a tal ponto que um novo invento não poderia ser desde logo aproveitado, sem que se fizessem profundas transformações em outros ramos da maquinaria. Trouxe assim diversas consequências. Com as novas máquinas, o risco aumentava para o empresário, que não as possuía e não podia competir com o concorrente. Por outro lado ela podia não corresponder, como muitas vezes se deu, criando um risco ainda maior. Os empresários que empregaram as primeiras máquinas foram considerados pioneiros. Tal desenvolvimento vinha encontrar a resistência de uma fraca organização bancária e de crédito, que era exigível para que completasse seu ciclo. O desenvolvimento do maquinismo permitiu o desenvolvimento do sistema bancário. Hoje os riscos técnicos são assegurados e os riscos econômicos são reduzidos.

Análise do maquinismo — Do ponto de vista técnico, a máquina aumenta o rendimento material, tornando possíveis muitas tarefas novas, mais rápidas e menos custosas, e que mal poderiam ser feitas apenas com os instrumentos de trabalho (ferramentas). Ela permitiu que se aumentasse a dimensão da empresa, abaixou o preço de revenda, tornando muitos bens acessíveis a maior número de pessoas, alargou as fronteiras, intensificou a concorrência, permitindo também que se desenvolvesse o transporte.

Por outro lado trouxe como consequência deslocações demográficas, aumentando a população dos grandes centros industriais e o problema do desemprego que, tecnologicamente, é o desequilíbrio entre a quantidade de mão de obra disponível e a quantidade de mão de obra efetivamente empregada, quando da introdução de uma nova invenção num ramo de atividade econômica. Esse desemprego tecnológico observado durante as grandes crises do capitalismo se processa:

  1. Pela diminuição do número de trabalhadores empregados numa tarefa que é substituída pela máquina, que necessita menos trabalhadores;
  2. Substituição da mão de obra forte pela mão de obra fraca, como a inclusão de mulheres e crianças, onde domina a paleotécnica. A máquina permite que um trabalhador menos especializado, menos competente, possa fazer o trabalho exigido de um mais competente trazendo a substituição da mão de obra qualificada pela não qualificada, a substituição do trabalhador especializado pelo não especializado. Só posteriormente a especialização torna-se outra vez exigente, com a passagem para a neotécnica e a biotécnica.

A reintegração dos trabalhadores se processa:

  1. pelo desenvolvimento da empresa, seu crescimento;
  2. pela propagação do aumento. Dá-se uma disseminação técnica e econômica no capitalismo. Assim, quando uma empresa é deficitária, ela diminui suas compras, e difunde o déficit às outras que lhe são subsidiárias. Quando aumenta seu rendimento, compra mais e aumenta o escoamento. Elevam-se os salários, aumentando o poder de compra dos operários, criando novos escoamentos que se difundem a outras e, sucessivamente.
  3. pelo surgimento de profissões novas.

O desenvolvimento do maquinismo trouxe problemas de desemprego provocando revoltas de trabalhadores, ataque às máquinas, sabotagem, destruição, etc. Entretanto, a máquina deve servir ao homem e acabará por servir-lhe, porque essa será a grande conquista pela solução racional e justa dos problemas humanos. Permitiu o maquinismo que houvesse um desenvolvimento extraordinário do rendimento material, que se abrissem novas indústrias, e que se atualizassem possibilidades até então em estado latente. Melhorou-se o padrão de vida dos trabalhadores, embora eles ficassem dependentes. Diminuíram-se as horas de trabalho graças ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores, sem que se prejudicasse o padrão de vida das populações. A máquina não beneficiou apenas aos trabalhadores, mas, sobretudo, ao patronato, que aumentou de poder econômico e político. Sem dúvida atravessamos uma época de transição da grande concentração industrial para a descentralização, como já o prenunciava Kropotkine no século passado, acentuada pelo desenvolvimento de outras fontes de energia.

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