Jogo
Atividade que se caracteriza pelo exercício de alguma das formas típicas de conduta de uma determinada espécie, sem nenhuma finalidade específica com referência às necessidades orgânicas (ludus de exercício, que é o predominante nas crianças de primeira idade). Atividade física ou mental, despendida sem um fim imediatamente útil (autotélica, portanto), sem um fim definido de qualquer espécie que, ante a consciência de quem o pratica, apresenta-se apenas como um recreio ou passatempo ou, sobretudo, pelo prazer que oferece. Nesse sentido eqüivale a brinquedo, a ludus. Quando nesse jogo (brinquedo) há regras estabelecidas entre os parceiros, ou para quem o empreende, temos o ludus de regra, como se observa nos jogos infantis quando na idade da razão.
O esporte é uma espécie de ludus de regra, mas de adultos, com ou sem finalidade eugênica.
Há jogo, como se emprega essa palavra freqüentemente, quando esse exercício, além das regras, oferece um bom êxito ou um malogro; um ganhou ou uma perda de caráter econômico, que se torna quase sempre a finalidade do mesmo, ou seja um ganho à custa do perdedor.
Diz-se, por extensão, do risco do espírito ao empreender, em seu afã de saber, as investigações que invadem terrenos cheios de aporias (de dificuldades teóricas), que desafiam a argúcia do pensamento humano, e que marcam a via (o caminho), onde muitos ganham, muitos perdem, mas que sempre oferece prazeres inesperados.
Também empregado para significar (sobretudo na filosofia hindu) a criação, pois Brahma fez o mundo num ato lúdico, sem porquê, autotélico, cuja razão de ser não está em outro. Seria um ludus puro, perfeito, do qual o ludus infantil apenas levemente participa. Os hinduistas chamam esse ludus divino de lilá.