Voltar ao Dicionário

Instintos Sociais

Instintos Sociais

Consideram-se as propensões transmitidas por hereditariedade, relativas à vida em sociedade, como o instinto de conservação, etc. Neles há força e direção (vetor). A sociogênese é a disciplina que estuda tais instintos. Para outros é a paleo-sociologia e a neo-sociologia, que estuda a atividade social e tudo quanto decorre desses instintos.

Para muitos há a primazia da paleo-sociologia, como os que seguem as correntes do biologismo e do psicologismo; isto é, que explicam os fatos sociológicos como simples fatos biológicos, ou então psicológicos. Os que proclamam a primazia da neo-sociologia tendem a cair na forma viciosa do sociologismo.

O ser humano está ligado aos antepassados por um elo ancestral e sobrevive graças à presença dos instintos parentais (instintos de mãe, de pai). Pode dizer-se que é toda tendência do indivíduo a reagir de maneira determinada numa situação determinada (considerada, porém, em sua raiz orgânica, biológica; é a lógica dos órgãos da vida biológica).

Para os sociólogos há duas ordens de instintos: a) os instintos individuais ou egoístas e b) instintos sociais, altruístas. Entretanto o ser humano, ao julgar a si mesmo, ora se considera totalmente bom, que se torna mau pela vida social, segundo os rousseaunianos ou considera-se totalmente mau, que se torna bom pela ação social, como os pessimistas em geral. O otimismo do primeiro grupo e o pessimismo do segundo pecam pelo unilateralismo, típico das posições abstratas. No homem há impulsos benevolentes e malevolentes. Muitos negam os primeiros explicando-os pelos segundos.

Para os sociólogos há um instinto de atração que gesta a simpatia. É este instinto que permite a formação da coesão social (tensão). Mas as atrações variam no âmbito social. Uma assembléia, uma reunião de homens, pode atrair uns ao seu âmbito, mas também afastar outros. Os tipos psicologicamente estudados por Jung como introvertidos e extrovertidos procederão diferentemente em face de uma assembléia. Enquanto os segundos se sentirão atraídos e estimulados, os primeiros precisarão afastar-se ou a permanecer inibidos, calados. A atração social manifesta-se entre sexos, entre idades, mas como tudo o que se refere ao homem, apresenta graus diferentes.

A simpatia é um sentimento geral (cuja origem etimológica vem de pathos, em gr.) e opõe-se polarmente à antipatia. Tudo que intuímos no mundo através dos nossos sentidos têm suas ressonâncias na nossa afetividade e nos produzem pathências (estados afetivos), conscientes ou não. E podem ser de atração, num desejo de fusão com o objeto, como é a simpatia (sentir com... padecer com... ) ou de repulsa como o é a antipatia (sentir aversão por... ).

Há um instinto de conservação da espécie, que se chama comumente de instinto sexual, o qual se manifesta na atração entre indivíduos de sexos diferentes e um instinto de grupo. Os grupos tendem a conservar sua coerência. Mas também os indivíduos tendem a agregarem-se em grupos, para naturalmente obterem maior consistência e consequentemente maior força social.

O homem não pode viver fora da sociedade, tanto na sua origem como também no seu desenvolvimento. Toda associação humana revela duas propriedades fundamentais: 1) ordem específica; 2) força específica. A primeira é revelada pela origem peculiar ao tipo de grupo, e a força é uma decorrência desta. Os instintos sociais atuam como elementos fundamentais para a força da consistência dos grupos. Estes tendem a durar, a permanecer, e seu grau de consistência depende do espírito de grupo que lhe dá coerência.

Voltar ao Dicionário