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Imaginação

Imaginação

Para os antigos a imaginação era a faculdade de pensar por meio de imagens. Na realidade a palavra teve diversas acepções. Usa-se na psicologia para designar duas funções mentais bem distintas:

a)

Uma de simples reprodução, imaginação reprodutora. A imaginação reprodutora é um modo da memória, memorização das imagens. A palavra imagem, na psicologia, é empregada como o retorno de uma sensação ou de uma percepção, sem a presença do objeto que o provocou, com ausência de toda excitação periférica atual, ou melhor como "representação", como a consideravam os antigos, pois há aqui re-presentação. Vemos um livro e dele guardamos uma imagem. Assim podemos recordar imagens de diversos fatos passados, de sensações agradáveis ou desagradáveis. A capacidade de reproduzir imagens varia de indivíduo para indivíduo. Uns têm mais capacidade para reviver imagens auditivas, outros tácteis, outros olfativas, outros visuais, combinando-as diversamente. Verifica-se também que a precisão, a nitidez delas varia no indivíduo, como de indivíduo para indivíduo. Há pessoas que têm imagens nítidas e podem conservá-las por muito tempo, como certos indivíduos com o sentido auditivo desenvolvido, que podem recordar perfeitamente uma peça musical, enquanto outros guardam mais as imagens visuais.


b)

Uma de combinação original e de criação, imaginação criadora. A imaginação criadora já se manifesta por formas diversas. Nela penetram afetos, tendências, paixões, sentimentos de formas mais intensas que naquela, intuições, apreensões de pensamentos novos, revelações, descobertas, etc. Discutem os psicólogos se há realmente criação nessa imaginação ou apenas combinações. Para alguns e entre eles Locke, o espírito é incapaz de criar uma idéia por simples que seja. Por isso todas as imagens são apenas cópias de sensações. Todos os fatos parecem fundamentar essa opinião, pois em tudo quanto o homem cria, através da imaginação, sempre vamos encontrar aspectos da realidade. Um mito, um monstro de mil formas, um ser imaginado, sempre tem aspectos de realidade que com outros formam o tipo criado pela imaginação. São compostos de reminiscências de percepções passadas. No entanto há criação (em certo aspecto) no da ordem. Na imaginação reprodutora há apenas memorizações de imagens de fatos passados. Mas na imaginação criadora, embora as imagens isoladamente sejam consideradas como reminiscências de percepções anteriores, há criação na combinação desses elementos que formam um todo, o qual não é apenas um conjunto ou uma soma das partes, mas muito mais.

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