Hábito
(do gr. éxis, do lat. habitus, ao habere, ao ter de uma coisa, ao seu haver).
Na filosofia é uma das categorias aristotélicas. Vide Categorias e Acidente Predicamental.
Em psicologia costuma-se chamar de hábito uma disposição que, depois de adquirida, torna-se duradoura, e que consiste em reproduzir os mesmos atos ou em sofrer as mesmas influências. Considera-se, freqüentemente, o instinto como inato, inerente ao indivíduo; o hábito, no entanto, como adquirido. Eles são considerados ativos ou passivos. O hábito ativo consiste numa atividade que é repetida, mas difícil ao princípio. Passivo é um costume que se adquire, sem uma ação consciente, volicional. Para alguns, a repetição é a criadora do hábito, mas na realidade a repetição o reforça, não o cria. Na primeira vez que um ato foi realizado está criado como possibilidade, e a repetição vai servir para reforçá-la como ato. Os hábitos passivos são adquiridos pela prolongação da ação, com a graduação da intensidade do excitante exterior. Há atos adquiridos pela vontade: são os atos úteis. Todo o sistema de trabalho, de ação realizadora, é uma série de hábitos adquiridos, através de uma longa aprendizagem. Com a repetição sofre pela ação da vontade uma correção progressiva dos ensaios. Inicia-se por uma decomposição da ação, que é feita por partes, até conseguir o domínio geral que dá a maestria, que é o ato já praticado com independência da consciência dirigente. Este aspecto leva alguns psicólogos a afirmarem que o hábito traz um debilitamento da consciência. Se realmente a repetição, atingido o grau de hábito, traz consigo certo automatismo, há apenas debilitamento aparente da consciência, porque esta como tensão nada perde, pois está virtualizada apenas no ato habitual, que é feito sem a sua participação, mas é conservada para surgir onde e quando necessária. O hábito não é uma ação que favoreça a inconsciência. Ao contrário, ele permite que a consciência seja aplicada a outros aspectos mais elevados e é isso, em grande parte, que favorece o progresso da atividade humana, como também da sensibilidade. É essa posição inicial que leva muitos psicólogos a confundirem o hábito com a adaptação biológica. Nesta, que é de ação fisiológica, não entra a consciência e, portanto, o hábito não executa nenhum papel, porque há aí a influência da vontade e de toda a vida reflexiva do homem, como encadeamento de idéias; há uma contribuição pensamental. O que levou também a essa confusão foram os hábitos passivos. Mas esses não o são tão passivos como se pensa, porque se não há atividade da parte do homem na realização de atos exteriores, há uma atividade psicológica. Foi por não terem prestado a atenção ao hábito, que alguns filósofos acabaram por reduzi-lo a uma manifestação da inércia, enquanto outros, pondo-se num campo oposto, atribuíram-no à liberdade. O hábito pertence somente aos seres vivos, como o salientava Aristóteles. Certos fatos, porém, levaram alguns filósofos a atribuí-lo também às coisas inanimadas. Assim como há corpos que tendem a repetir suas combinações, outros a facilitar uma ação quando repetida, como o exemplo da borracha, que se torna mais favorável à elasticidade, quando repetida a ação. Se existe aqui uma espécie de adaptação, que mostra semelhança com as adaptações biológicas, não se deve porém, confundir o hábito que é o do ser vivo com o que se dá com as coisas inanimadas.