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Extensidade E Intensidade

Extensão

A extensão toma duas acepções: como ação de estender e como caráter de ser extenso. Na física é empregado como: fatores de extensidade e fatores de intensidade.

“Para bem sublinhar a oposição que se dá entre eles (os fatores da energia, que possuem os caracteres contrários dos fatores de intensidade) e as intensidades, nós os designamos... com o nome de extensidade” (Ostwald).

Partindo daí propôs Ostwald substituir o uso do termo quantidade pelo de fatores de quantidade e o de capacidade pelo de fatores de capacidade. Posteriormente preferiu a expressão fator de extensidade para dominar essas grandezas extensivas da energia, os “fatores materiais”, porque, diz ele, “é a consideração dessas grandezas que determina a antiga concepção da matéria”. A preferência que damos ao termo extensidade decorre de não ter sido ainda usado sob várias acepções, como em geral o foram os outros termos, permitindo assim que se lhe empreste um sentido claro e nítido.

A palavra é formada do verbo latino extendere, isto é, ex e tendere, tender para fora. A palavra intensidade vem de intensus, que, por sua parte, vem de tendere, in tendere, tender para dentro. Indicam os dois prefixos ex e in a direção da tensão, o dinamismo inverso da tensão.

Elas servem para denominar uma série de fatos na experiência científica. São, no entanto, constantemente usadas na linguagem familiar como intensidade, intensivo, intensificar, intenso, extensão, extensivo, extensibilidade e extensidade. Quando empregamos as expressões que decorrem de extensão, queremos significar o que se prolonga, o que parte para o exterior; é um dinamismo de afastamento, de desdobramento, de alongamento, é uma direção tomada para o objeto, para o que é heterogêneo, mutável, para abrangê-lo, incorporá-lo; é centrífugo. As expressões decorrentes de intensidade, intenso, se referem a alguma coisa de interior, alguma coisa que vem da heterogeneidade da sucessão, do movimento de mutações do exterior para dentro, é uma transformação em si mesma, envolvida para o interior; é centrípeta.

Na extensão de um plano, de um programa, o sentido é de prolongar, de abranger; no caso da intensidade de um som pensamos no caráter desse som em si mesmo, é um som que se modifica (mais intenso, menos intenso) como som, é uma direção tomada para o sujeito, é mais um aspecto subjetivo, porque é uma relação para consigo mesma. Enquanto o primeiro leva ao conceito-objeto, o segundo leva ao conceito-sujeito. Num há mais objetividade, noutro mais subjetividade.

Enquanto na extensidade há um sentido de afastamento, há na intensidade um sentido de concentração. Enquanto a extensão tende para assemelhar; a intensidade tende para diferenciar.

Para Descartes “quantidade contínua, ou melhor a extensão em comprimento, largura e profundidade, que existe nessa quantidade”, é englobada na noção de extenso, distinta inteiramente do pensamento, da alma. Ele deixa confusamente colocada em sua idéia de alma a noção de intensidade.

Kant diz que uma grandeza é extensiva, quando a representação das partes torna possível a representação do todo. É o sentido da homogeneidade, cujas partes são homogêneas, como o todo é homogêneo. Para ele uma grandeza é intensiva quando ela é apreendida como unidade. A quantidade aí só pode ser representada por maior ou menor aproximação da negação (mais veloz, menos veloz).

“A intensidade não é a quantidade das coisas que se contam, nem é a duração, nem é a extensão, quantidades que se medem por meio de unidades homogêneas” (Gobot).

O caráter sintético é fundamental da extensidade; enquanto o analítico o é da intensidade. Sintético, porque é um dinamismo sintetizador, que implica sempre uma grandeza, uma operação, desenvolvendo-se em extensão na realidade, enquanto a intensidade se desenvolve em intensidade, em si, em separação, em distinção, em análise. Nós sentimos mais a intensidade, mas sabemos mais da extensidade, por isso esta é mais definível que aquela.

Lalande define os dois conceitos:

“Intensidade – Caráter do que admite estados de mais ou de menos mas, de tal sorte, que a diferença de dois desses estados não é um grau do que é assim suscetível de aumento ou diminuição: por exemplo, um sentimento de temor pode diminuir ou crescer, mas a diferença entre um leve temor e um temor mais forte, não é um grau de temor que possa ser comparado a outros, como a diferença de dois comprimentos ou de dois números é um comprimento ou um número, tendo seu lugar na escala das grandezas da mesma espécie.”

Bergson, e sua escola, absorve a intensidade na qualidade; dessa forma, todo verdadeiro conflito, toda oposição são suprimidos entre ela e a extensidade, por sua vez absorvida na quantidade. Mas a quantidade nem se opõe excludentemente à qualidade, nem podem ambas serem confundidas, essencialmente, pois ambas definem vetores, cujas naturezas são rigorosamente fechadas uma à outra.

a)

a posição dos que reduzem a intensidade à extensidade;


b)

a dos que reduzem a extensidade à intensidade;


c)

a dos que reduzem ambas a uma terceira entidade, onde esse antagonismo desaparece.


d)

Propomos uma quarta: a de que a extensidade e a intensidade formam duas ordens dinâmicas, antinômicas da natureza. Posição dialética que afirma a contemporaneidade de ambas, que podem ser admitidas concretamente como fazendo parte de toda existência e de todo existir cronotópico (tempo-espacial).

Os conceitos de extensidade e de intensidade encontraram na ciência moderna novos meios de aplicação e, graças a eles, ela pode penetrar em campos inexplorados. A energia é concebida como o produto de dois fatores, um de extensidade e outro de intensidade. Uma intensidade pode ser atual e uma extensidade pode ser potencial.

Segundo Ostwald:

“A única maneira legítima de compreender as palavras energia atual e energia potencial, é olhar como atual uma energia presente no momento considerado, e como potencial uma energia que, nas circunstâncias presentes, pode formar-se por intermédio da energia presente. Se atribuirmos a essas duas expressões as significações que acabamos de enunciar, a força de tensão ou a energia de distância, que se encontra numa massa elevada acima da terra é atual, e a energia de movimento que ela contém é potencial; é o inverso depois da queda. Para o pêndulo, a energia de distância é atual quando está no alto do seu curso, a energia de movimento é atual quando ele está em sua posição mais baixa, e, durante as oscilações, essas duas energias trocam constantemente seus caracteres.”

Sintetizando: tanto a intensidade como a extensidade podem ser ou atual ou potencial. Ambas não o podem ser no mesmo instante e há oscilação constante entre sua atualidade e sua potencialidade em todo acontecimento físico. “Não são de forma alguma grandezas no sentido ordinário da palavra. Quando reunimos duas grandezas iguais, obtemos, como se sabe, uma grandeza dupla. Ora, se reunimos duas temperaturas iguais, isto é, se metemos em contato dois corpos da mesma temperatura, esta não se torna dupla, mas permanece a mesma.” Assim “quando indicamos a grandeza de uma massa, não dissemos tudo sobre essa massa quanto dela se pode dizer. Se se divide uma massa em duas metades, essas duas metades não diferem uma da outra; cada uma tem, portanto, enquanto massa, as mesmas propriedades que a outra.” (Ostwald).

Assim é a homogeneidade, a exterioridade ou a objetividade o que caracteriza a extensidade e, ao contrário, a heterogeneidade, a interioridade ou a subjetividade parecem engendrar o processo da intensidade. O tempo intervém nesta e vemos que a física moderna, quando trata da intensidade, necessita do tempo para seus cálculos, enquanto é o espaço que é necessário para medir o extensivo. Nos fenômenos macrofísicos há predomínio da extensidade sobre a intensidade. Nos microfísicos, na física atômica, a intensidade predomina sobre a extensidade. Nos fatos psicológicos há maior predominância da intensidade sobre a extensidade.

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