Éter
(do gr. aither, aitheros, região superior do ar, éter, opondo-se ao ar, correspondendo ao que envolve a atmosfera da Terra, onde esta se dá. A raiz mais longínqua vem de aidh, no sânscrito edhah, que significa iluminar, brilhar, o radiante.)
Os corpos devem a sua posição a uma “modalidade intrínseca”, que os escolásticos chamavam ubi e que Suarez estudou ao tratar da ubiquação, em suas famosas Disputationes Metaphysicas. Encontramos essa teoria na concepção do éter de Lorentz, em que um corpo obtém sua posição ou lugar, mediante um contato “interno” com uma porção de éter, que é interposto, que marca a distância entre dois corpos. Se não se pode medir o movimento do corpo em relação ao éter, pode-se, no entanto, medir em relação a outro corpo. Se o éter de Lorentz existe, este pode ser considerado como meio universal de localização, como o mostra Hoenen. Se não se aceita a teoria do contato, teríamos de aceitar a da localização, como a de Demócrito, por exemplo. Neste caso, os átomos estariam separados pelo nada. E como se tocariam se há o nada entre eles, pois tocar o nada não é o mesmo que não tocar? Entre esses seres não haveria distância, pois não há um intermédio, pois este é nada. E como poderiam mover-se nesse nada? Demócrito sentiu o absurdo da idéia, daí ter exclamado, para salvar-se da aporia, que “até o não-ser existe” emprestando, assim, ao vazio, um ser; o que era negar o próprio princípio mecanicista. A teoria do contato (que é de Tomás de Aquino) foi aceita (sem que o soubesse) por Einstein ao afirmar: Se se forma... o conceito dos corpos, a experiência sensível constringe a estabelecer relações locais entre os corpos, isto é, relações de mútuo contato. O que indicamos como relações espaciais entre os corpos, não é nada mais que isso. Portanto, sem o conceito dos corpos, nenhum conceito de relações espaciais, nenhum conceito de espaço
. O éter de Lorentz é um campo real. Como poderiam surgir efeitos físicos do nada, que é nada? A gravitação é algo real, e o campo de gravidade atua sobre a “massa”. Esta é uma ação física. O que enche o espaço é algo real, é uma substância, no genuíno e filosófico sentido desse termo, algo subsistente de per si. Einstein aceita (na verdade combateu o éter de Lorentz) que, no entanto, o espaço revela acidentes físicos caracterizados matematicamente. E como poderiam tais acidentes se dar sem uma substância? Se o espaço tem “qualidades físicas”, e estas são acidentes, o são de algo, já que o acidente não é um ser de per si, como perseitas. Por isso Hoenen acusa a Einstein de combater apenas a palavra éter, terminando por estabelecê-lo ao afirmar que há algo subsistente, ao afirmar os acidentes.