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Escolástica

Escolástica

(do lat. schola, escola, scholasticus significa o mestre de artes, e queria referir-se à ciência da escola)

a)

A escolástica tem sua origem no pensamento dos chamados doctores scholastici. O termo grego skholazein significa, ainda, ser o mestre de alguém, fazer cursos, dar conferências, mas ele corresponde mais propriamente ao conceito medieval, pois os doutores, doctores scholastici, eram os que ensinavam as artes liberais ou a teologia nos claustros ou nas igrejas.


b)

Em sentido amplo abrange todas as atividades intelectuais, artísticas, filosóficas e teológicas das escolas medievais.


c)

Em sentido mais restrito indica um método e um sistema de pensamento, que tomou o nome de filosofia da escolástica. Entretanto considerando as diferenças que se dão entre os principais autores escolásticos, torna-se difícil estabelecer, nitidamente, em que ela consiste sistematicamente. Apresentá-la como um sistema filosófico é um grave erro pois, na verdade, é apenas uma corrente de opiniões, doutrinas, teorias e sistemas conexionados e analogados pelos fundamentos comuns do cristianismo, em sua expressão filosófica.

Assim podemos estabelecer um conjunto de aspectos que os escolásticos têm em comum. Com a subordinação da filosofia à teologia (Philosophia ancilla theologiae), consequentemente buscava-se, dentro da esquemática e das possibilidades humanas, dar uma explicação filosófica dos principais postulados religiosos. O método para a especulação é o método lógico de Aristóteles, dedutivo, e fundado na argumentação silogística. As fontes principais da escolástica são de origem grega e, sobretudo, da patrística (vide patrística).

Durante a alta Idade Média houve um período prolongado em que a cultura europeia se desligou da cultura greco-romana, e poucos foram os autores conhecidos nesse período. De Platão conhecia-se apenas o Timeu, traduzido e comentado por Calcidius. Do neoplatonismo, o Liber de Causis. Através de Boécio, divulgaram-se obras lógicas de Aristóteles, As Categorias e a Hermenêutica (Peri hermeneias), e o Isagoge de Porfírio. Em 1128, tornam-se conhecidas as obras de Aristóteles que, de início, provocam certa resistência. Mas o período áureo da escolástica vai ser precisamente aquele em que Aristóteles é a espinha dorsal de toda a especulação filosófica.

Pode-se estabelecer uma fase pré-escolástica, importante para a compreensão desse processo filosófico, sem dúvida o maior que até hoje realizou o Ocidente. Suas raízes estão em Santo Agostinho e em Boécio. O conhecimento da obra de Dionísio Areopagita, de Proclo, Aristóteles, através dos árabes, e os seus grandes comentaristas, como Avicena e Averrois, bem como as obras filosóficas judaico-islâmicas, os trabalhos de João de Espanha, Gundisalvi, Herman, o germânico, Robert Lincolniensis (Robert Grossetête), Henri de Brabant e, entre os árabes, Alkindi, Alfarabi, e os acima citados, além do judeu Maimônides, tudo isso facilitou a formação da primeira fase da escolástica, o período de preparação (como muitos o chamam), no qual figuram em primeira plana além de Agostinho e Boécio (d.C. 525), John Scotus Eriugena (877), que traduziu para o latim as obras de Dionísio Pseudo Areopagita, Gerbert, Fulbert de Chartres, Berengário de Tours, Pedro Damiani e muitos outros. Mas é com Santo Anselmo (1109) que se codifica, realmente, o pensamento escolástico. Credo ut intelligam expressão tomada de Santo Agostinho, creio para entender. Parte da fé, mas é a fé que interroga agora a filosofia, para que esta contribua na explicação dos fundamentos religiosos, não para os que já creem, mas para fortalecer a fé naqueles que vacilam. É com Santo Agostinho que a escolástica firma-se de uma vez. É nesse período que se inicia a polêmica dos universais, que se prolongará por séculos, onde surgirão figuras de relevo como Guilherme de Champeaux, Roscelinus, Abelardo, a famosa escola de Chartres, William de Conches, Bernard Silvestris, Gilbert de la Porrée, São Bernardo de Clairvaux, William de Saint Thierry, Hugo de Saint Victor, Robert de Melun e, finalmente, Pedro Lombardus, com a Summa Sententiarum.

O século XIII é o período de ouro, fase de fluxo da escolástica, com Guilherme de Auvergne, Neckam, Michael Scot, Alexandre de Hales, John de la Rochelle, São Boaventura, Adam de Marsh, Thomas de Work, John Peckam, Walter de Brügge, Mateus de Aquasparta, Roger de Marson, Ricardo de Middleton, Tomás de Aquino, entre os grandes dominicanos, e também seu mestre Santo Alberto (Alberto Magno), pouco depois Duns Scot, o grande franciscano, Peter Olivi, Herni de Gand, Ulrich de Strasburgo, Aegidius de Lessinam, Aegidius Romanus, etc. Surge no decorrer desse processo autores de tendências neo-platônicas e místicos como Meister Eckhart, Raimundo Lúllio, Roger Bacon, William de Moerbeke, Petrus Hispanus, etc.

Nos séculos XIV e XV sobrevem um período de refluxo. Contudo o declínio seria da escolástica nas suas linhas gerais, e não nas contribuições filosóficas, pois oferecerá ainda grandes figuras como Petrus Aureolus, Durand de Saint Pourçain, Henry de Harclay, William Ockam, Adam Wodham, Jean de Mirecourt, Nicolas d'Autrecourt, Jean Buridan, Nicolas de Oresme, Albert de Sachsen, Peter d'Ailly, John Gerson, Gabriel Biel, Marsilius de Inghen, Francisco Mayrones, Walter Burleigh, Thomas Bradwardine, John Wicliff, Peter Tartaretto, Capreolus, Peter Nigri, Cajetanus, Peter Pomponazzi, Tauler, Jan van Ruysbroeck, Nicolau de Cusa, etc.

Finalmente, nos séculos XVI e XVII, surgem os grandes filósofos da Espanha e Portugal, e de outras regiões, que vão constituir o sólido movimento da Contra-reforma, período de renascença da escolástica, no qual se salientam: Gonzalez, Francisco de Sylvestris, Victória, Dominicus Stoo, Mechor Cano, Medina, Bañez, Toledo, Vasquez, Fonseca, Lessius Valencia, Belarmino, Gois, e o grande Francisco Suarez. E temos, ainda, Cosmes de Lerma, João de São Tomás, Ruiz de Montoya, Benedito Pereira, Furtado de Mendonça, Cosme Alamannus, De Lugo, Sylvester Maurus, Arriaga, Baltazar Telles, Johannis Baptista, Penafiel, Antônio Gouveia, Merinero, Tomás de Argentina, Couto, etc.

Após esse período surge outro refluxo, que chega até os nossos dias, em que, outra vez, experimenta-se um renovado e potente esforço de renovação da escolástica. No período de refluxo podemos, contudo, ressaltar os nomes de Duhamel, Steimeyer, Luís de Lossada, Bruzzetti, Taparelli, Liberatore, Sanseverino, Zigliara, Gonzalez, estes seis últimos do século XIX, além de Karl Werner, Stoeckel, etc. Entre os modernos que tomam em geral o título de neo-escolásticos, que além de se fundarem nos trabalhos anteriores, incluem em suas obras as contribuições atuais visualizadas do ângulo escolástico, depois de examinadas, salientamos: Tongiorgi, Bizzetti, Sordi, Kleutgen, Franz von Baader, A. Günther Deutzinger, Tütschei, Ehrle, Denifle, Grabmann, Mandonnet, Gilson, Mercier, Geyser, Fröbes, Gemelli, Olgiatti, Maréchal, Nuyens, os grandes vultos das Universidades de Louvain, Freiburg, Munich, Salamanca, a Gregoriana, além de Marin, Hoenen, Barbado, Salcedo, Helin, Palmés, etc.

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