Cultura
(do lat. colere, cultivar).
Neste sentido é empregado para indicar o aperfeiçoamento do saber e do poder humano (cultivo do espírito) e é também empregado no primitivo sentido latino (cultivo dos campos). Na Antigüidade e na Idade Média esse processo era Humanitas e Civilitas. Se considerarmos os seres da natureza, a cultura se realiza toda a vez que o ser humano dá uma marca da sua pessoa e da sua presença e da sua ação num bem da natureza. Assim uma pedra, na montanha, é um bem da natureza, mas, no calçamento de uma rua ou na parede de uma casa passa a ser um bem da cultura. Os bens culturais são, pois, todos aqueles que trazem a marca do homem, que o homem produz, que o homem realiza. O homem é, assim, um criador da cultura e, como tal, pode aperfeiçoá-la. Na verdade, a finalidade da cultura é o aperfeiçoamento do homem. E toda a vez que o homem falseia essa finalidade, realiza uma pseudo-cultura.
Para Spengler, a cultura é a alma viva de um ciclo histórico, é o produzir-se de um povo, de que a civilização é o produto, o resultado da sua realização criadora.
Pode-se empregar o termo no sentido também de coordenação e aumento de conhecimentos, do saber teórico e cultivado. Daí poder-se falar em culturas individuais. A civilização é, em suma, a exteriorização da cultura e, também, a estratificação dos resultados obtidos; ou melhor, o que a cultura pode transmitir por herança, já que os bens interiores (o saber, o gosto, a capacidade criadora e executora, etc.) deverão ser obtidos pelas gerações que sobrevêm. Para manter a posse da cultura é imprescindível o trabalho constante, o trabalho cultural, a transmissão continua do saber adquirido aos vindouros. A cultura surge do esforço comum, sem dúvida, mas deve muito ao esforço individual de seus gênios criadores.