Dinamismo Integral
No dinamismo integral a força ou o poder (dynamis) é o fundamental de todas as coisas de onde todas as coisas surgem, sendo toda realidade uma manifestação dessa dynamis.
O conceito de força é por nós elaborado através da abstração que fazemos das experiências que temos da força física da mecânica. A força, em sua própria essência, exige ou implica uma limitação, uma finitude, porque é um conceito quantitativo. Uma quantidade infinita em ato é simplesmente absurda. Consequentemente, uma força infinita em ato também o seria. Se a força é o princípio de todas as coisas, ou ela é simples ou ela é composta. Se composta, não é o princípio de todas as coisas; portanto, tem de ser absolutamente simples. Se é absolutamente simples, não podendo ser infinita quantitativamente em ato, só o pode ser finitamente, portanto será limitada. Limitada por outro é impossível, se postulamos que é o princípio de todas as coisas. Se limitada por si mesma, não seria absolutamente simples, portanto seria quantitativamente infinita em ato, o que é absurdo; logo a força não pode ser quantitativa nem qualitativa, nem substancial, porque a substância é portadora de acidentes e, portanto, de limites. Ela seria, assim, absoluta e infinitamente ela mesma; então ela seria essencial e existentemente ela mesma, pois sua essência seria o existir dela mesma. Neste caso, ela estaria sendo nada mais, nada menos do que um nome para substituir o do Ser Supremo. E com grande desvantagem: a de incluir, em si mesma, uma contradição, porque o conceito de força implica finitude e essa fora do dinamismo integral seria infinita. Seríamos, por esses argumentos, levados ao que os escolásticos chamavam de ductio per contradictoriam propositionem sive per impossibile, ou seja, a uma proposição contraditória, ou por impossibilidade. E também seria uma contradictio in adjecto, pois haveria contradição nos termos, no qual o atributo é a negação do sujeito, porque infinito, no seu atributo, negaria conceitualmente a força que é finita, e teríamos o exemplo de um predicado ter mais realidade que o sujeito, isto é, teria mais ser que o sujeito, o que é logicamente absurdo.
Consequentemente, os dinamistas nada mais fizeram do que realizar um golpe teatral, fazendo surgir um novo deus ex machina.