Cristianismo
É a doutrina de Cristo, segundo a interpretação que dela fazem seus partidários. Deste modo é considerado o movimento religioso que se fundamenta nos preceitos de Cristo, segundo os Evangelhos, que compendiam a ação do homem em relação aos seus semelhantes, a si mesmo, e a Deus, indicando-lhe o caminho de sua salvação nesta vida, e noutra vida post-mortem. Como doutrina não é uma filosofia, nem partiu dela para consolidar-se, e até a desprezou por longo tempo, apesar da preocupação filosófica de alguns panegiristas e famosos patrólogos que procuraram fundar, filosoficamente, no pensamento grego, os postulados cristãos.
No Ocidente, sobretudo, buscaram os cristãos encontrar na filosofia não a prova propriamente dos seus fundamentos religiosos, mas a demonstração negativa de que tais fundamentos não são absurdos, por não serem contraditórios e, ainda, por serem devidamente possíveis em face daquela. O grande trabalho da escolástica, e de toda a filosofia medieval de inspiração cristã, exerceu esse papel, bem como buscou fortalecer os pontos vacilantes da fé com o apelo de argumentos de ordem filosófica. Por outro lado, em face das heresias e de doutrinas que subvertiam os fundamentos do cristianismo, os filósofos medievalistas iniciaram o período das famosas questões disputadas, que estimularam os estudos filosóficos e trouxeram contribuições definitivas. Aqueles que julgam que a filosofia pode fundir-se ao cristianismo, ou a daqueles que julgam que há um abismo entre ambos, pecam por excesso, porque não é impermeável o cristianismo ao pensamento filosófico (que até o estimulou), como também não se reduz à filosofia, pois os dogmas cristãos não encontram nesta demonstrações positivas, mas apenas negativas, ou seja, ante a filosofia bem fundada não são absurdos nem incongruências.