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Crise

Crise

(do gr. krisis, separação, abismo e também juízo, decisão, etc.). Há, em todo existir, um separar-se, uma crise, quer pela forma, quer pela separação física das coisas. Mas estas não se separam, porém absolutamente, porque do contrário haveria rupturas no ser, o que é absurdo ante uma concepção que não aceita qualquer dualismo nem pluralismo principal. E se a verdade do mundo fosse o pluralismo, a crise se instalaria ainda em maior escala, porque haveria seres absolutamente separados e infinitamente distantes uns dos outros. Há de qualquer forma, de modo absoluto ou não, um separar-se entre as coisas.

E é a crise que leva o homem à crítica, ao trabalho analítico, ao exame das partes de um todo, para apreender mais concretamente o todo. Há nela um dualismo vetorial: a diácrise, que é a separação constante, intensiva, e a sincrise, que é a reunião dos elementos dispersos. A crítica que é a aplicação da inteligência no exame da realização de crise, que é todo objeto finito de exame, realiza a diácrise de início, para proceder, afinal, à síncrise. Emprega-se o termo para indicar as situações instáveis e oscilantes entre impulsos antagônicos, entre forças contrárias, quando a oposição cria a diácrise. Deste modo, em todos os campos do conhecimento, e em todos os setores da vida humana, encontramos sempre instalada a crise. Daí poder-se falar em crise intelectual, em crise econômica, em crise política, em crise ética, em crise moral, etc.

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