Contemplação
(do lat. contemplare, de cum e templum). Palavra de origem obscura, mas que significa um lugar limitado, circunscrito, consagrado. Daí a palavra templo.
Contemplar significa olhar atentamente, considerar com acuidade, examinar diligentemente.
Na filosofia indica a atitude contemplativa, muito usada na mística, a qual é a que toma alguém que mira um objeto real ou ideal, no intuito de conhecê-lo teoricamente em sua verdade, ou de poder admirar a sua bondade, a sua beleza. Se opõe a prático, a poético. Por isso Aristóteles distinguia to theorein de to plattein e de to poiein: o primeiro é o contemplar, o segundo corresponde à atitude prática, e o terceiro à atitude poética ou criadora. Assim se pode distinguir uma vida contemplativa de uma vida prática e de uma vida poética.
Na mística, a contemplatio é o meio de conhecer as coisas na sua própria individualidade, o que corresponde à intuição da haecceitas, da singularidade das coisas. Para os místicos havia três graus ou estágios do conhecimento: primeiro a cogitatio, a cogitação, o raciocínio; a segunda, a meditatio, a meditação sobre as relações, sobre a classificação, ordenação das ideias, e o mais alto era a contemplatio, que era a captação da concreção, porque captava a verdade na sua onticidade, dividida em três operações: a lectio, captação do tema; a meditatio, meditação sobre o tema e oratio, discurso sobre ele.
O termo é empregado para referir-se à direção do espírito absorvido no objeto de seu pensamento, de tal modo que afasta todas as outras coisas.