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Cogito, Ergo Sum

Cogito, ergo sum

(Loc. lat.) = penso, logo existo. Quanto à origem desta sentença, atribuem-na a Cícero, Vivere et cogitare; outros a Santo Agostinho, no famoso Solilóquio (livr. II, cap. 1).

Pelo processo da dúvida metódica, em que pôs tudo em dúvida, alcançou Descartes a uma certeza, porque não podia deixar de reconhecer que, ao duvidar, cogitava, tendo a vivência de si mesmo ao cogitar, da qual não podia duvidar. O cogito cartesiano não é apenas uma operação intelectual, mas também afetiva, porque significa sentir-se imediatamente como uma coisa que cogita, cuja existência não pode duvidar. Este é o seu verdadeiro sentido, aliás, como o entendiam também os escolásticos.

Ele partiu de que a verdade devia ser fundada em idéias claras e distintas, e o que ele cogitava, era para ele claro e distinto; portanto, verdadeira a sua existência. A idéia clara e distinta é aquela que é indubitável, que não pode levar à dúvida, que é infalível, que não pode levar ao erro, e que é inata (não proveniente da realidade objetiva). O cogito apresentava estes caracteres. Três são os caminhos estabelecidos por Descartes: 1) método: a dúvida; 2) verdade fundamental: sum cogitans, sou pensante; 3) critério: a percepção clara e distinta. O método cartesiano, entretanto, oferece dificuldades e tem sido objeto de crítica filosófica, porque não nos leva com segurança a outra ou outras certezas fora de nós.

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