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Benevolência

Benevolência

Hábito moral de promover o bem para os outros.

Só o cristianismo estabeleceu a benevolência como virtude, porém não a contou entre as virtudes cardeais, mas identificou-a com a virtude teológica da caridade.

Em Platão e Aristóteles a benevolência para com os homens como tais não é encontrada. Em seu lugar achamos a liberalidade (com caráter universal) e a amizade que, porém, de certo modo se reduz a um egotismo, porque o bem dos amigos é considerado o bem próprio de cada um.

Essa identificação, sem dúvida, implica ao mesmo tempo uma atitude altruísta; contudo não se deve universalizá-la. Tanto mais que a amizade, na acepção antiga, pressupõe um certo grau de identidade nas condições de vida e uma homogeneidade nos sentimentos.

O cosmopolitismo dos estóicos e a filantropia dos Acadêmicos levaram a uma consideração das necessidades alheias, analogamente à justiça que zela pelos direitos dos outros.

Ela tende por natureza ao universalismo com respeito à sua aplicação; porém aqui surge o problema de se o homem deve um maior grau de benevolência a pessoas que lhe estão mais perto (parentes, benfeitores) do que ao resto da humanidade, e se tal preferência quando praticada pode ser aprovada do ponto de vista moral.

Mas a questão além de ética implica ainda um problema psicológico; uma extensão e generalização da benevolência significa praticamente uma perda de intensidade e eficiência.

Visto que a benevolência visa o bem dos outros, é também problemático que espécie de bem, dentro dessa vasta hierarquia, tem que ser procurada em primeiro lugar. Kant afirma que é simplesmente a felicidade dos outros, já que não é possível promover o bem verdadeiro dos outros, a sua virtude, porque essa é um valor puramente pessoal.

O caráter desinteressado da benevolência foi outra questão controvertida. Hobbes quis reduzi-la ao amor para dominar, outros qualificam-na de amor próprio, sob o véu da hipocrisia. Outros afirmaram o seu caráter desinteressado.

Uma certa reconciliação dos pontos de vista extremos se acha em alguns autores que estabelecem a simpatia como força motriz da benevolência, sendo que a simpatia reúne o sentimento altruístico e o impulso da satisfação pessoal.

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