Autômato
(do gr. autós, por si mesmo e makhia, movimento). O que se move a si mesmo: o mecanismo que, uma vez posto em movimento não precisa da intervenção de uma vontade inteligente para continuar o funcionamento. Chamam-se automáticos os movimentos dos organismos vivos, que não são determinados pela vontade. Estes podem ser determinados por um estímulo interno, como a circulação do sangue, a respiração, etc., tratando-se então de movimentos automáticos no sentido estrito da fisiologia. Se, entretanto, eles dependem de um estímulo externo, a palavra se aplica só num sentido mais lato, impróprio como sinônimo do que a neurologia chama movimentos reflexos; movimentos reativos que se produzem sem o controle do cérebro.
A psicologia distingue as ações primariamente automáticas, como a respiração e todos os movimentos conjuntos das ações sucessivas, que só chegam a ser tais desde que aprendemos individualmente, pelo hábito, a promovê-las sem atenção. A definição que liga o automatismo à não-intervenção da vontade, reserva, eo ipso, as ações não automáticas ao homem só. Quando o "controle" cerebral é tomado como o distintivo, também os animais escapam ao automatismo puro. Foi porém feita a tentativa de explicar a totalidade dos processos da vida, inclusive da vida humana, sem recurso à intervenção da consciência. A própria consciência, então, seria só um epifenômeno inativo, que por um luxo inexplicável da natureza acompanha os movimentos moleculares que em si mesmos constituem um círculo fechado de causas.
Huxley declara que as nossas condições mentais são simplesmente os "símbolos em consciência" das mutações que se processam automaticamente no organismo; e o sentimento que chamamos volição não é a causa de um ato voluntário, mas o símbolo daquele estado do cérebro, que é a causa imediata do ato. Segundo outros, os estados de consciência não só deixam de produzir movimentos externos, mas também são incapazes de causar outros estados de consciência. Essa forma extrema do automatismo filosófico choca-se evidentemente com o princípio da conservação da energia, que não admite que, na natureza, haja efeitos que nada custaram. São diversas as tentativas de resolver essa dificuldade.