Assimilação
Ação pela qual se passa uma coisa do diferente ao semelhante, tornando uma ou mais coisas semelhantes; o termo oposto é diferenciação.
Na fisiologia é o processo pelo qual os alimentos digeridos são transformados em elementos vivos e adaptados ao organismo.
Na psicologia designa um ato do espírito, que afirma uma semelhança observada ou imaginada entre coisas numericamente diferentes. Wundt deu à palavra o sentido de uma associação de ideias entre elementos ou combinações semelhantes entre si.
Na pedagogia significa o processo (análogo ao observado na fisiologia quanto à assimilação alimentar), de digerir e incorporar, íntima e organicamente, o material apreendido. Neste sentido opõe-se à invenção, que parte de um material já previamente assimilado, como também à memória pura, que simplesmente aceita material de fora, sem (teoricamente) assimilá-lo.
Na linguística o fato de fonemas, originalmente diferentes, tenderem a aproximar-se ou a identificação de certas leis fonéticas.
Tem um sentido teológico, que parte de uma observação de Tomás de Aquino: Omnia intendunt assimilari Deo (tudo tende a assemelhar-se a Deus), interpretadas como assimilação da ação e do amor, interpretação profunda que porém tem contra si o fato de que Tomás de Aquino não diz omnes, mas omnia, o que fala em favor de outra interpretação, que faz dessa assimilatio uma semelhança mais extrínseca e entitativa, que consiste na convicção de que cada criatura morta, viva ou racional, representa uma cópia parcial da perfeição de Deus.
Assimilação físico-química e a biológica: Há no ser vivo, imanente, emergível, um esquema de aptidão que permite, ao acomodar-se ao meio ambiente (coordenadas da realidade), atualizar a assimilação que, neste caso, não se dá pela incorporação transformativa do outro neste, isto é, o oxigênio não se torna hidrogênio; nem o hidrogênio, oxigênio. A assimilação, portanto, é diferente da assimilação biológica, em que há transformação do assimilado que se corrompe no que é para gerar-se em outro, com o qual se homogeneiza. Mantém-se porém a aptidão heterogênea, pois na análise química, o hidrogênio, embora virtualizado, continua sendo o que é, e o mesmo se processa com o oxigênio. Neste caso, a assimilação dar-se-á apenas pela correspondência de um ao esquema de aptidão do outro, que é seletivo, pois procede com este diferentemente do que procede com outro. Nos esquemas da físico-química a assimilação não se dá como na biologia, salvo nas desintegrações atômicas em que há transmutação de uma estrutura atômica que se corrompe para dar surgimento a uma nova estrutura, formalmente outra, que vai constituir um novo ente, embora atomicamente os componentes permaneçam formalmente o que são, mas a totalidade forma uma nova unidade, uma nova tensão, com características diferentes. Poderíamos estabelecer dois tipos de assimilação química: a molecular e a eletrônica, pois na transmutação ter-se-ia de dar uma modificação eletrônica, que na primeira não se verificaria. No setor biológico se dá por incorporação no orgânico. O elemento físico-químico processa as assimilações físico-químicas, mas ao incorporar-se ao elemento orgânico, vai molecularmente compor-se em formas semelhantes às do orgânico, e o inassimilável é dejectado. Estamos em face de um modo de proceder tensional diferente: o metabolismo, o qual corresponde ao interesse de uma totalidade, que é o ser orgânico, quer em suas partes tensionais, quer como todo. A seletividade manifesta-se também aqui e obedece aos esquemas do organismo, o qual assimila segundo eles e segundo o processo esquemático. O ser vivo como corpo (soma) está imerso na concreção. Mas quando atinge o estágio complexo em que se manifestam os reflexos, estes já exigem uma análise. O reflexo é um esquema e os reflexos condicionados e incondicionados também são verdadeiros esquemas. A resposta ao estímulo exterior não é qualquer resposta. É esta ou aquela e se corresponde ao estimulo, é proporcionada ao estimulado. Há uma assimilação do estímulo sem incorporação do mesmo que é apenas estímulo. A assimilação aqui, já é diferente da assimilação biológica (do metabolismo), que incorpora o elemento físico-químico ao orgânico. O estímulo não é incorporado. Apenas a diferença de potencial que ele estimula modifica o funcionar das cronaxias (correntes elétricas das células nervosas) e provoca a resposta reflexa, neuro-muscular. Mas o esquema do reflexo funciona segundo o estímulo Neste caso ele atua estimulando. Ele não se eficientiza no ato reflexo, apenas é uma eficacidade que provoca no processo neuro-muscular mudanças de potencial. A assimilação aqui já é diferente e fundamentalmente psicológica, pois o estímulo provoca uma resposta. A diferença de potencial atua como sinal para o reflexo, portanto este assimila o sinal do estímulo e não o incorpora. O esquema reflexo atua tanto para este como para aquele estímulo individual e, como reflexo, é o mesmo; procede do mesmo modo e na proporção variável daquele. Neste caso, no reflexo, há uma inversão outra vez da ordem da fase do processo de assimilação, o que não se vê, senão analogicamente e não univocamente, nos planos da biologia e da físico-química. Nas reações a complexidade permanece obedecendo à mesma ordem psíquica, diferente das outras. A seletividade já atua por outro tipo de esquemas. Não é exagero considerar que já se processa, aqui, uma fase elementar da intuição (que é um captar do singular).