Amoralismo
Doutrina que nega à valoração ética o caráter universal e imperativo. O amoralismo é antes a proclamação da relatividade da moral do que a sua negação, visto que a existência de uma valoração moral, ainda que regional e historicamente condicionada, é um fato evidente.
O adjetivo amoral, entretanto, que não se aplica à doutrina, mas à atitude prática de um indivíduo, significa um estado de neutralidade perante os valores do bem e do mal, que pode ser uma mentalidade primitiva ao desconhecer a qualificação ética ou uma neutralidade reflexiva que despreza aqueles valores. Vide Imoralismo.
Quanto à doutrina de Nietzsche, é difícil classificá-la como amoralismo ou imoralismo. Ele que chama sua própria doutrina de imoralismo, ataca a moral tradicional e exige um procedimento que, dentro das categorias dessa moral tradicional, é imoral. Isto porém não passa ainda de amoralismo. Mas esse procedimento que ele exige, não é algo de arbitrário, mas faz parte de um sistema, é uma nova moral, proclama ele expressamente pela criação de uma nova escala de valores, o que é mais do que amoralismo, porque ninguém que se convença da relatividade e, portanto, da futilidade da moral em geral ou em particular, sente a necessidade de erigir uma nova moral. Nietzsche propõe, precisamente, a derruição da moral tradicional, fundamentada numa concepção extra humana e interessada na retribuição, para ser substituída por outra, fundamentada nos verdadeiros instintos humanos caluniados, sem interesse na retribuição, senão aquela que oferece a função da própria dignidade e da vitória sobre eles próprios com caráter aristocrático; isto é, sem porquês nem para quês, segundo suas próprias expressões.
Usado ainda para designar a ausência de moralidade num indivíduo.