§ 335 - Que pedimos com as últimas palavras da Ave-Maria?
Com as ultimas palavras da Ave-Maria pedimos a proteção da Santíssima Virgem no decurso desta vida e especialmente na hora da nossa morte, no qual será mais necessária.
§ 336 - Por que depois do Pai-Nosso, dizemos antes a Ave-Maria do que outra qualquer oração?
Porque a Santíssima Virgem é a Advogada mais poderosa junto de Jesus Cristo: por isso, depois de termos rezado a oração que Jesus Cristo nos ensinou, pedimos à Santíssima Virgem que nos alcance as graças que imploramos.
§ 337 - Por que motivo é tão poderosa a Santíssima Virgem?
A Santíssima Virgem é tão poderosa, porque é Mãe de Deus, e é impossível que não seja atendida por Ele.
§ 338 - Que nos ensinam os Santos a respeito da devoção à Virgem Maria?
A respeito da devoção a Maria, os Santos nos ensinam que os seus verdadeiros devotos são por Ela amados e protegidos com amor de Mãe muito terna, e por meio dEla têm a certeza de encontrar a Jesus Cristo, e de alcançar o Paraíso.
§ 339 - Qual é a devoção à Virgem Maria, que a Igreja nos recomenda de modo especial?
A devoção que a Igreja nos recomenda de modo especial em honra da Santíssima Virgem é a reza do santo Rosário.
§ 340 - É coisa boa e útil recorrer à intercessão dos Santos?
É coisa utilíssima invocar os Santos, e todo o Cristão o deve fazer. Devemos invocar particularmente nossos Anjos da Guarda, São José, protetor da Igreja, os Santos Apóstolos, o Santo do nosso nome e os Santos protetores da diocese e da paróquia.
§ 341 - Que diferença há entre as orações que fazemos a Deus e as que fazemos aos Santos?
Entre as orações que fazemos a Deus e as que fazemos aos Santos, há esta diferença: que a Deus, invocamo- Lo a fim de que, como autor das graças, nos dê os bens e nos livre dos males, e aos Santos, invocamo-los para que, como advogados junto de Deus, intercedam por nós.
§ 342 - Que queremos dizer, quando dizemos que um Santo concedeu uma graça?
Quando dizemos que um Santo concedeu uma graça, queremos dizer que esse Santo obteve de Deus aquela graça.
§ 343 - De que trata a terceira parte da Doutrina Cristã?
A terceira parte da Doutrina Cristã traiu dos Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja.
§ 344 - Quantos são os Mandamentos da Lei de Deus?
Os Mandamentos da Lei de Deus são dez:
- Amar a Deus sobre todas as coisas.
- Não tomar seu Santo Nome em vão.
- Guardar domingos e festas.
- Honrar pai e mãe.
- Não matar.
- Não pecar contra a castidade.
- Não furtar.
- Não levantar falso testemunho.
- Não desejar a mulher do próximo.
- Não cobiçar as coisas alheias.
§ 345 - Por que os Mandamentos da Lei de Deus têm esse nome?
Os Mandamentos da Lei de Deus têm esse nome porque foi o próprio Deus que os gravou ria alma de todo o homem, os promulgou no monte Sinai, na antiga Lei, esculpidos em duas tábuas de pedra, e Jesus Cristo os confirmou na Lei nova.
§ 346 - Quais são os Mandamentos da primeira tábua?
Os Mandamentos da primeira tábua são os três primeiros, que se referem diretamente a Deus, e aos deveres que temos para com Ele.
§ 347 - Quais são os Mandamentos da segunda tábua?
Os Mandamentos da segunda tábua são os últimos sete, que se referem ao próximo e aos deveres que temos para com ele.
§ 348 - Somos obrigados a observar os Mandamentos?
Sim, todos somos obrigados a observar os Mandamentos, porque todos devemos viver segundo a vontade de Deus que nos criou; e basta transgredir gravemente um só deles para merecermos o Inferno.
§ 349 - Podemos observar os Mandamentos?
Podemos, sem dúvida, observar os Mandamentos da Lei de Deus, porque Deus não nos manda nenhuma coisa impossível, e dá a graça para os observar a quem o pede devidamente.
§ 350 - Que se deve considerar em cada Mandamento?
Em cada Mandamento deve-se considerar a parte positiva e a parte negativa; isto é, o que nos é ordenado e o que nos é proibido.
§ 351 - Por que disse o Senhor antes de ditar os Mandamentos: “Eu sou o Senhor teu Deus”?
Antes de promulgar os seus Mandamentos, Deus disse: “Eu sou o Senhor teu Deus”, para que saibamos que Deus, sendo o nosso Criador e Senhor, pode mandar o que quiser, e nós, criaturas suas, somos obrigados a obedecer-Lhe.
§ 352 - Que nos ordena Deus com as palavras do primeiro Mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas?
Com as palavras do primeiro Mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas, Deus nos ordena que o reconheçamos, adoremos, amemos e sirvamos a Ele só, como nosso Soberano Senhor.
§ 353 - Como se cumpre o primeiro Mandamento?
Cumpre-se o primeiro Mandamento com o exercício do culto interno e externo.
§ 354 - Que é o culto interno?
O culto interno é a honra que se presta a Deus só com as faculdades da alma isto é, com a inteligência e com a vontade.
§ 355 - Que é o culto externo?
O culto externo é a homenagem que se presta a Deus por meio de atos exteriores e de objetos sensíveis.
§ 356 - Não basta adorar a Deus interiormente, só com o coração?
Não basta adorar a Deus interiormente, só com o coração, mas é necessário adorá-Lo também exteriormente, com a alma e com o corpo juntamente, porque Ele é Criador e Senhor absoluto de uma e de outro.
§ 357 - Poderá haver culto externo sem o interno?
Não pode de forma alguma haver culto externo sem o interno, porque aquele, desacompanhado deste, fica privado de vida, de merecimento e de eficácia, como corpo sem alma.
§ 358 - Que nos proíbe o primeiro Mandamento?
O primeiro Mandamento proíbe-nos a idolatria, a superstição, o sacrilégio, a heresia, e todo e qualquer outro pecado contra a religião.
§ 359 - Que é a idolatria?
Chama-se idolatria o prestar a alguma criatura, por exemplo a uma estátua, a uma imagem, a um homem, o culto supremo de adoração, devido só a Deus.
§ 360 - Como está expressa na Sagrada Escritura esta proibição?
Na Sagrada Escritura está expressa esta proibição com as palavras: Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo o que há em cima, no céu, e do que há embaixo, na terra. E não adorarás tais coisas, nem lhes darás culto.
§ 361 - Proíbem estas palavras toda a espécie de imagens?
Não, por certo. Mas só as das falsas divindades, feitas com intuito de adoração, como faziam os idólatras. E tanto isto é verdade, que o próprio Deus deu ordem a Moisés para fazer algumas, como as duas estátuas de querubins que estavam sobre a arca, e a serpente de bronze no deserto.
§ 362 - Que é a superstição?
Chama-se superstição toda e qualquer devoção contrária à doutrina e ao uso da Igreja, bem como o atribuir a urna ação ou alguma coisa uma virtude sobrenatural que ela não tem.
§ 363 - Que é o sacrilégio?
O sacrilégio é a profanação de um lugar, de uma pessoa ou de uma coisa consagrada a Deus ou destinada ao seu culto.
§ 364 - Que é a heresia?
A heresia é um erro culpável de inteligência, pelo qual se nega com pertinácia alguma verdade de fé.
§ 365 - Que mais coisas proíbe o primeiro Mandamento?
O primeiro Mandamento proíbe também todo o comércio ou trato com o demônio, e o filiar-se às seitas anticristãs.
§ 366 - Quem recorresse ao demônio e o invocasse, cometeria pecado grave?
Quem recorresse ao demônio e o invocasse, cometeria um pecado enorme, porque o demônio é o mais perverso inimigo de Deus e do homem.
§ 367 - É lícito interrogar as mesas chamadas falantes ou escreventes, ou consultar de algum modo as almas dos mortos, por meio de espiritismo?
Todas as práticas do espiritismo são proibidas, porque são supersticiosas, e muitas vezes não estão isentas de intervenção diabólica, e por isso foram justamente interditas pela Igreja.
§ 368 - O primeiro Mandamento proíbe acaso honrar e invocar os Anjos e os Santos?
Não. Não é proibido honrar e invocar os Anjos e os Santos, e até o devemos fazer, porque é coisa boa e útil, e altamente recomendada pela Igreja, já que eles são amigos de Deus e nossos intercessores junto dEle.
§ 369 - Sendo Jesus Cristo o nosso único mediador junto de Deus, por que recorremos também à intercessão da Santíssima Virgem e dos Santos?
Jesus Cristo é o nosso mediador junto de Deus, enquanto, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, só Ele, em virtude dos próprios merecimentos, nos reconciliou com Deus e dEle nos obtém todas as graças. Mas, a Santíssima Virgem e os Santos, em virtude dos merecimentos de Jesus Cristo, e pela caridade que os une a Deus e a nós, auxiliam-nos com a sua intercessão a alcançar as graças que pedimos. E este é um dos grandes bens da comunhão dos Santos.
§ 370 - Podemos honrar também as sagradas imagens de Jesus Cristo e dos Santos?
Sim, porque a honra que se tributa às sagradas imagens de Jesus Cristo e dos Santos, refere-se às suas mesmas pessoas.
§ 371 - E as relíquias dos Santos, podem honrar-se?
Sim, também as relíquias dos Santos podem e devem honrar-se porque os seus corpos foram membros vivos de Jesus Cristo e templos do Espírito Santo, e devem ressurgir gloriosos para a vida eterna.
§ 372 - Que diferença há entre o culto que prestamos a Deus, e o culto que prestamos aos Santos?
Entre o culto que prestamos a Deus e o culto que prestamos aos Santos há esta diferença: que a Deus adoramo-Lo pela sua infinita excelência, ao passo que aos Santos não os adoramos, mas só os honramos e veneramos como amigos de Deus e nossos intercessores junto dEle. O culto que prestamos a Deus chama-se latria, isto é, de adoração, e o culto que prestamos aos Santos chama-se dulia, isto é, de veneração aos servos de Deus; enfim o culto especial que prestamos a Maria Santíssima chama-se hiperdulia, isto é, de essencialíssima veneração, como Mãe de Deus.
§ 373 - Que nos proíbe o segundo Mandamento: não tomar seu Santo Nome em vão?
O segundo Mandamento: não tomar seu Santo Nome em vão, proíbe-nos:
- Pronunciar o nome de Deus sem respeito;
- Blasfemar contra Deus, contra a Santíssima Virgem ou contra os Santos;
- Fazer juramentos falsos ou não necessários, ou proibidos desta ou daquela maneira.
§ 374 - Que quer dizer pronunciar o Nome de Deus sem respeito?
Pronunciar o Nome de Deus sem respeito quer dizer: pronunciar este Santo Nome, e tudo o que se refere em modo especial ao próprio Deus como o Nome de Jesus Cristo, de Maria e dos Santos com ira, por escárnio, ou de outro modo pouco reverente.
§ 375 - Que é a blasfêmia?
A blasfêmia é um pecado horrível que consiste em palavras ou atos de desprezo ou maldição contra Deus, contra a Virgem, contra os Santos, ou contra as coisas santas.
§ 376 - Há diferença entre a blasfêmia e a imprecação ou praga?
Há diferença, porque com a blasfêmia se amaldiçoa ou se deseja mal a Deus, a Nossa Senhora, aos Santos; ao passo que, com a imprecação ou praga, se amaldiçoa ou se deseja mal a si mesmo ou ao próximo.
§ 377 - Que é jurar?
Jurar é tomar a Deus em testemunho da verdade do que se afirma ou se promete.
§ 378 - É sempre proibido jurar?
Não é sempre proibido o juramento, mas é lícito e até honroso para Deus, quando há necessidade, e se jura com verdade, discernimento e justiça.
§ 379 - Quando não se jura com verdade?
Quando se afirma com juramento o que se sabe ou se julga ser falso, e quando com juramento se promete o que não se tem a intenção de cumprir.
§ 380 - Quando não se jura com discernimento?
Quando se jura sem prudência e sem madura ponderação, ou por coisas de pequena importância.
§ 381 - Quando não se jura com justiça?
Quando se jura fazer uma coisa que não é justa ou permitida, como jurar vingar-se, roubar e outras coisas parecidas.
§ 382 - Somos obrigados a cumprir o juramento de fazer coisas injustas ou proibidas?
Não só não somos obrigados, mas pecaríamos fazendo-as, porque são proibidas pela lei de Deus ou da Igreja.
§ 383 - Quem jura falso, que pecado comete?
Quem jura falso comete pecado mortal, porque desonra gravemente a Deus, verdade infinita, chamando-O em testemunho do que é falso.
§ 384 - Que nos ordena o segundo Mandamento?
O segundo Mandamento ordena-nos que honremos o Santo Nome de Deus, e que cumpramos, além dos juramentos, também os votos.
§ 385 - Que é um voto?
Um voto é uma promessa feita a Deus de uma coisa boa, para nós possível, e melhor que a coisa contrária, a que nós nos obrigamos, como se nos fosse preceituada.
§ 386 - Se a observância do voto se nos tornasse no todo ou em parte muito difícil, que haveria a fazer?
Podia-se pedir a comutação ou a dispensa ao Bispo próprio, ou ao Sumo Pontífice, conforme a qualidade do voto.
§ 387 - É pecado transgredir os votos?
O transgredir os votos é pecado, e por isso não devemos fazer votos sem madura reflexão, e ordinariamente sem o conselho do confessor, ou de outra pessoa prudente, para não nos expormos ao perigo de pecar.
§ 388 - Podem fazer-se votos a Nossa Senhora e aos Santos?
Os votos fazem-se só a Deus; pode-se, porém, prometer a Deus fazer alguma coisa em honra de Nossa Senhora ou dos Santos.
§ 389 - Que nos ordena o terceiro Mandamento: guardar domingos e festas?
O terceiro Mandamento: guardar domingos e festas, ordena-nos que honremos a Deus com obras de culto nos dias de festa.
§ 390 - Quais são os dias de festa?
Na Antiga Lei, eram os sábados e outros dias particularmente solenes para o povo judeu; na Lei Nova, são os domingos e outras festividades estabelecidas pela Igreja.
§ 391 - Por que na Lei Nova se guarda o domingo e não o sábado?
O domingo, que significa dia do Senhor, substituiu o sábado, porque foi em dia de domingo que Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitou.
§ 392 - Que obra de culto nos é preceituada nos dias de festa?
É-nos preceituado assistir devotamente ao Santo Sacrifício da Missa.
§ 393 - Com que outras obras costuma um bom cristão santificar as festas?
Um bom cristão santifica as festas:
- Assistindo à doutrina cristã, às pregações e aos ofícios divinos;
- Recebendo com frequência, com as devidas disposições, os Sacramentos da Penitência e da Eucaristia;
- Dando-se à oração e às obras de caridade cristã para com o próximo.
§ 394 - Que nos proíbe o terceiro Mandamento?
O terceiro Mandamento proíbe-nos os trabalhos servis, e qualquer obra que nos impeça o culto de Deus.
§ 395 - Quais são os trabalhos servis proibidos nos dias santos?
Os trabalhos servis proibidos nos dias santos são os trabalhos chamados manuais, isto é, aqueles trabalhos materiais em que tem parte mais o corpo do que o espírito, como os que ordinariamente são próprios dos servidores, dos operários e dos artífices.
§ 396 - Que pecado se comete trabalhando em dia santo?
Trabalhando em dia santo, comete-se pecado mortal; não obstante não há culpa grave se o trabalho dura pouco tempo.
§ 397 - Não há nenhum trabalho servil que seja permiti do nos dias santos?
Nos dias santos são permitidos aqueles trabalhos que são necessários à vida, ou ao serviço de Deus, e os que se fazem por uma causa grave, pedindo licença, se for possível, ao próprio pároco.
§ 398 - Por que nos dias santos são proibidos os trabalhos servis?
São proibidos nos dias santos os trabalhos servis, a fim de que possamos melhor dedicar-nos ao culto divino e à salvação da nossa alma, e para repousar das nossas fadigas. Por isso não é proibido entregar-se a divertimentos honestos.
§ 399 - Que mais devemos evitar de modo especial nos dias santos?
Nos dias santos devemos evitar principalmente o pecado e tudo o que possa induzir-nos a ele, como são os bailes e outras diversões e reuniões perigosas.
§ 400 - Que nos ordena o quarto Mandamento: honrar pai e mãe?
O quarto Mandamento: honrar pai e mãe, ordena-nos respeitar o pai e a mãe, obedecer-lhes em tudo o que não é pecado, e auxiliá-los em suas necessidades espirituais e temporais.
§ 401 - Que nos proíbe o quarto Mandamento?
O quarto Mandamento proíbe-nos ofender os nossos pais com palavras, obras, ou de qualquer outra maneira.
§ 402 - Debaixo do nome de pai e de mãe, que mais pessoas compreende este Mandamento?
Debaixo do nome de pai e de mãe, este Mandamento também compreende todos os legítimos superiores tanto eclesiásticos como seculares, aos quais portanto devemos obedecer e respeitar.
§ 403 - De onde vem aos pais a autoridade de mandar nos filhos, e aos filhos a obrigação de lhes obedecer?
A autoridade que os pais têm de mandar nos filhos, e a obrigação que têm os filhos de obedecer, vêm-lhes de Deus que constituiu e ordenou a família, a fim de que nela o homem encontre os primeiros meios necessários para o seu aperfeiçoamento material e espiritual.
§ 404 - Têm os pais deveres para com os filhos?
Os pais têm o dever de amar, cuidar e alimentar seus filhos, de prover à sua educação religiosa e civil, de dar-lhes o bom exemplo, de afastá-los das ocasiões de pecado, de corrigi-los nas suas faltas, e de auxiliá-los a abraçar o estado para o qual são chamados por Deus.
§ 405 - Deu-nos Deus o modelo da família perfeita?
Deus nos deu o modelo da família perfeita na Sagrada Família, na qual Jesus Cristo viveu sujeito a Maria Santíssima e a São José até aos trinta anos, isto é, até quando começou a desempenhar a missão que o Pai Eterno Lhe confiara, de pregar o Evangelho.
§ 406 - Poderiam as famílias, se vivessem isoladamente uma das outras, prover a todas as suas necessidades materiais e morais?
Se as famílias vivessem isoladamente umas das outras, não poderiam prover às suas necessidades, e é necessário o que elas se unam em sociedade civil, a fim de se auxiliarem mutuamente, para o seu aperfeiçoamento e para sua felicidade comum.
§ 407 - Que é a sociedade civil?
A sociedade civil é a reunião de muitas famílias, dependentes da autoridade de um chefe, para se auxiliarem reciprocamente a conseguir o mútuo aperfeiçoamento e a felicidade temporal.
§ 408 - De onde vem à sociedade civil a autoridade que a governa?
A autoridade que governa a sociedade civil vem de Deus, que a quer constituída para o bem comum.
§ 409 - Há obrigação de respeitar a autoridade que governa a sociedade civil e de lhe prestar obediência?
Sim, todos os que pertencem à sociedade civil, têm obrigação de respeitar a autoridade e de lhe obedecer, porque esta autoridade vem de Deus, e porque assim o exige o bem comum.
§ 410 - Devem respeitar-se todas as leis que são impostas pela autoridade civil?
Devem respeitar-se todas as leis que a autoridade civil impõe, desde que não sejam contrárias à Lei de Deus, pois esta é a ordem e o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
§ 411 - Além do respeito e da obediência às leis impostas pela autoridade, os que formam parte da sociedade civil têm mais alguns deveres?
Os que formam parte da sociedade civil, além da obrigação de respeitar e obedecer às leis, têm o dever de viver em harmonia e de procurar, segundo suas possibilidades, que a sociedade seja virtuosa, pacífica, ordenada e próspera para o proveito comum, com vistas à salvação eterna dos indivíduos.
§ 412 - Que nos proíbe o quinto Mandamento: não matar?
O quinto Mandamento: não matar, proíbe dar a morte ao próximo, nele bater ou feri-lo, ou causar qualquer outro dano no seu corpo, por nós ou por meio de outrem. Proíbe também ofendê-lo com palavras injuriosas e querer-lhe o mal. Neste Mandamento Deus proíbe ainda ao homem dai, a morte a si mesmo, isto é, o suicídio, e maior crime é matar crianças no aborto.
§ 413 - Por que é pecado grave matar o próximo?
Porque o que mata usurpa temerariamente o direito que só Deus tem sobre a vida do homem; porque destroi’ a segurança da sociedade humana, e porque tira ao próximo a vida, que é o maior bem natural que ele tem neste mundo.
§ 414 - Haverá casos em que seja lícito matar o próximo?
É lícito tirar a vida do próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime; e finalmente quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.
§ 415 - No quinto Mandamento proíbe também Deus fazer mal à vida espiritual do próximo?
Sim, Deus no quinto Mandamento proíbe também fazer mal à vida espiritual do próximo com o escândalo.
§ 416 - Que é o escândalo?
O escândalo é toda palavra, ação ou omissão, que é ocasião para os outros de cometerem pecados.
§ 417 - É pecado grave o escândalo?
O escândalo é um pecado grave, porque tende a destruir a maior obra de Deus, que é a redenção, com a perda das almas: pois que ele dá ao próximo a morte da alma tirando-lhe a vida da graça, que é mais preciosa que a vida do corpo; e porque é causa de uma multidão de pecados. Por isso, Deus ameaça os escandalosos com os mais severos castigos.
§ 418 - Por que no quinto Mandamento Deus proíbe ao homem dar a morte a si mesmo, isto é, suicidar-se?
No quinto Mandamento Deus proíbe o suicídio, porque o homem não é senhor da sua vida, como o não é da dos outros. A Igreja, por seu lado, castiga o suicida com a privação da sepultura eclesiástica.
§ 419 - É proibido no quinto Mandamento também o duelo?
Sim, o quinto Mandamento proíbe também o duelo, porque o duelo participa da malícia do suicídio e do homicídio, e fica excomungado todo o que voluntariamente nele toma parte, ainda que seja como simples espectador.
§ 420 - É também proibido o duelo, quando é excluído o perigo de morte?
Sim, é também proibido este duelo, porque não só não podemos matar, mas nem sequer ferir voluntariamente a nós mesmos ou a outrem.
§ 421 - Pode a defesa da honra justificar o duelo?
Não. Porque é falso que no duelo se repare a ofensa, e porque não se pode reparar a honra com uma ação injusta, irracional e bárbara, qual é o duelo.
§ 422 - Que nos ordena o quinto Mandamento?
O quinto Mandamento ordena-nos que perdoemos aos nossos inimigos e queiramos bem a todos.
§ 423 - Que deve fazer quem danificou o próximo na vida do corpo, ou na da alma?
Quem danificou o próximo, não basta que se confesse, mas deve também reparar o mal que fez, compensando o próximo dos danos que lhe causou, retratando os erros que lhe ensinou, e dando-lhe bom exemplo.
§ 424 - Que nos proíbe o sexto Mandamento: não pecar contra a castidade?
O sexto Mandamento: não pecar contra a castidade, proíbe qualquer ação, palavra ou olhar contrários à santa pureza, e a infidelidade no matrimônio.
§ 425 - Que nos proíbe o nono Mandamento?
O nono Mandamento proíbe expressamente todo o desejo contrário à fidelidade que os cônjuges se juraram ao contrair matrimônio; e proíbe também todo o pensamento culpável e todo desejo de ação proibida pelo sexto Mandamento.
§ 426 - É um grande pecado a impureza?
É um pecado gravíssimo e abominável diante de Deus e dos homens; rebaixa o homem à condição dos irracionais, arrasta-o a muitos outros pecados e vícios, e provoca o, mais terríveis castigos de Deus nesta vida e na outra.
§ 427 - São pecados todos os pensamentos que nos vêm ao espírito contra a pureza?
Os pensamentos que nos vêm ao espírito contra ti pureza, por si mesmos não são pecados, mas antes tentações e incentivos ao pecado.
§ 428 - Quando são pecados os maus pensamentos?
Os maus pensamentos, ainda que não sejam seguidos de ação, são pecados, quando culpavelmente lhes damos motivo, ou neles consentimos, ou nos expomos ao perigo próximo de neles consentir.
§ 429 - Que nos ordenam o sexto e o nono Mandamentos?
O sexto Mandamento ordena-nos que sejamos castos e modestos nas ações, nos olhares, no porte e nas palavras. O nono Mandamento ordena-nos que sejamos castos e puros, ainda mesmo no nosso íntimo, isto é, na alma e no coração.
§ 430 - Que devemos fazer para observar o sexto e o nono Mandamentos?
Para bem observarmos o sexto e o nono Mandamentos, devemos invocar freqüenternente e de todo o coração a Deus, ser devotos de Maria Virgem, Mãe da pureza, lembrar-nos de que Deus nos vê, pensar na morte, nos castigos divinos, na Paixão de Jesus Cristo, guardar os nossos sentidos, praticar a mortificação cristã, e freqüentar os sacramentos com as devidas disposições.
§ 431 - Que devemos evitar para nos mantermos castos?
Para nos conservarmos castos, devemos fugir da ociosidade, dos maus companheiros, as más leituras, a intemperança, o olhar para figuras indecentes, os espetáculos licenciosos, os bailes, as conversas e diversões perigosas, bem como todas as demais ocasiões de pecado.
§ 432 - Que nos proíbe o sétimo Mandamento: não furtar?
O sétimo Mandamento: não furtar, proíbe tirar ou reter injustamente as coisas alheias, e causar dano ao próximo nos seus bens de qualquer outro modo.
§ 433 - Que quer dizer furtar?
Furtar quer dizer: tirar injustamente as coisas alheias contra a vontade do dono, quando ele tem toda a razão e todo o direito de não querer ser privado do que lhe pertence.
§ 434 - Por que se proíbe o furtar?
Porque se peca contra a justiça, e se faz injúria ao próximo, tirando e retendo, contra o seu direito e contra a sua vontade, o que lhe pertence.
§ 435 - Que são as coisas alheias?
São todas as coisas que pertencem ao próximo, das quais tem a propriedade ou o uso, ou simplesmente as tem em depósito.
§ 436 - De quantos modos se tiram injustamente as coisas alheias?
De dois modos: com o furto e com o roubo.
§ 437 - Como se comete o furto?
Comete-se o furto tirando ocultamente as coisas alheias.
§ 438 - Como se comete o roubo?
Comete-se o roubo tirando com violência ou manifestamente as coisas alheias.
§ 439 - Em que casos se podem tirar as coisas alheias, sem cometer pecado?
Quando o dono se não opõe, ou então, quando se opõe injustamente, como aconteceria se alguém estivesse em extrema necessidade, contanto, que tirasse só o que lhe é estritamente necessário para suprir à necessidade urgente e extrema.
§ 440 - É só com o furto e com o roubo que se prejudica o próximo nos seus bens?
Prejudica-se também com a fraude, com a usura e com outra qualquer injustiça contra os seus bens. 44O. Como se comete a fraude? Comete-se a fraude enganando o próximo no comércio com pesos, medidas ou moedas falsas, ou com gêneros deteriorados; falsificando escrituras e documentos; em suma, fazendo falsidades nas compras, nas vendas ou em qualquer outro contrato, e ainda quando se não quer dar o preço justo ou o preço combinado.
§ 441 - Como se comete a fraude?
A fraude é cometida enganando o próximo no comércio com pesos, medidas ou moedas falsas, ou com gêneros deteriorados; falsificando escrituras e documentos; em suma, fazendo falsidades nas compras, nas vendas ou em qualquer outro contrato, e ainda quando se não quer dar o preço justo ou o preço combinado.
§ 441 - De que modo se comete a usura?
Comete-se a usura exigindo sem titulo legítimo um juro ilícito por uma quantia emprestada, abusando da necessidade ou da ignorância do próximo.
§ 442 - Que outras injustiças se cometem contra os bens do próximo?
São injustiças fazê-lo perder injustamente o que tem, danificá-lo nas suas propriedades, não trabalhar como se deve, não pagar, por malícia, as dívidas e mercadorias compradas, ferir ou matar os animais do próximo, estragar ou deixar estragar-se o que se tem em depósito, impedir alguém de auferir um lucro justo, auxiliar os ladrões, e receber, esconder ou comprar as coisas roubadas.
§ 443 - É pecado grave roubar?
É um pecado grave contra a justiça quando se trata de matéria grave, porque é de suma importância que seja respeitado o direito que cada um tem sobre os próprios bens, e isto para bem dos indivíduos, das famílias e da sociedade.
§ 444 - Quando é grave a matéria do furto?
É grave quando se tira coisa importante, e ainda quando, ‘tirando-se coisa de pouca monta, o próximo sofre com isso grave dano.
§ 445 - Que nos ordena o sétimo Mandamento?
O sétimo Mandamento ordena-nos que respeitemos as coisas alheias, que paguemos o justo salário aos operários, e que observemos a justiça em tudo o que se refere à propriedade alheia.
§ 446 - Quem pecou contra o sétimo Mandamento, basta que se confesse disso?
Quem pecou contra o sétimo Mandamento, não basta que se confesse, mas é necessário que faça o que puder para restituir as coisas alheias e reparar os danos causados ao próximo.
§ 447 - Que é a reparação dos danos causados?
A reparação dos danos causados é a compensação que se deve dar ao próximo pelos frutos e lucros perdidos por causa do furto e das outras injustiças cometidas em seu prejuízo.
§ 448 - A quem se devem restituir as coisas roubadas?
Àquele a quem se roubaram; aos seus herdeiros, se já tiver morrido; e se isso for verdadeiramente impossível. deve-se dar o seu valor aos pobres e a obras pias.
§ 449 - Que se deve fazer, quando se acha alguma coisa de grande valor?
Deve-se empregar grande diligência para achar o dono, e restituir-lhe fielmente.
§ 450 - Que nos proíbe o oitavo Mandamento: não levantar falso testemunho?
O oitavo Mandamento: não levantar falso testemunho, proíbe-nos atestar falsidade em juízo; proíbe também a detração ou murmuração, a calúnia, a adulação, o juízo e a suspeita temerários, e toda espécie de mentiras.
§ 451 - Que é a detração ou murmuração?
A detração ou murmuração é um pecado que consiste em manifestar, sem justo motivo, os pecados ou defeitos alheios.
§ 452 - Que é a calúnia?
A calúnia é um pecado que consiste em atribuir maliciosamente ao próximo culpas e defeitos que não tem.
§ 453 - Que é a adulação?
A adulação é um pecado que consiste em enganar urna pessoa, dizendo-lhe falsamente bem dela mesma ou de outra, com o fim de tirar daí algum proveito.
§ 454 - Que é o juízo ou suspeita temerária?
O juízo ou suspeita temerária é um pecado que consiste em julgar ou suspeitar mal dos outros, sem justo fundamento.
§ 455 - Que é a mentira?
A mentira é um pecado que consiste em afirmar como verdadeiro ou como falso, por meio de palavras ou de ações, o que se julga não ser assim.
§ 456 - De quantas espécies é a mentira?
A mentira é de três espécies: jocosa, oficiosa e nociva.
§ 457 - Que é a mentira jocosa?
Mentira jocosa é aquela pela qual se mente por gracejo e sem prejuízo para ninguém.
§ 458 - Que é a mentira oficiosa?
Mentira oficiosa é a afirmação de urna falsidade para utilidade própria ou alheia, sem prejuízo para ninguém.
§ 459 - Que é a mentira nociva?
Mentira nociva é a afirmação de uma falsidade com prejuízo do próximo.
§ 460 - É lícito alguma vez mentir?
Nunca é lícito mentir nem por gracejo, nem para proveito próprio ou alheio, porque é coisa má por si mesma.
§ 461 - Que pecado é a mentira?
A mentira, quando é jocosa ou oficiosa, é pecado venial; mas, quando é nociva, é pecado mortal, se o prejuízo que causa é grave.
§ 462 - É necessário dizer sempre tudo conforme se pensa?
Não. Nem sempre é necessário, especialmente quando quem pergunta não tem o direito de saber o que pergunta.
§ 463 - Quem pecou contra o oitavo Mandamento, basta que se confesse?
Quem pecou contra o oitavo Mandamento, não basta que confesse o seu pecado, mas é também obrigado a retratar tudo o que disse caluniando o próximo, e a reparar, do melhor modo que possa, os danos que lhe causou.
§ 464 - Que nos ordena o oitavo Mandamento?
O oitavo Mandamento ordena-nos que digamos oportunamente a verdade, e que interpretemos em bom sentido, tanto quanto pudermos, as ações do nosso próximo.
§ 465 - Que nos proíbe o décimo Mandamento: não cobiçar as coisas alheias?
O décimo Mandamento: não cobiçar as coisas alheias, proíbe o desejo de privar o próximo dos seus bens, e o desejo de adquirir bens por meios injustos.
§ 466 - Por que Deus proíbe o desejo dos bens alheios?
Deus proíbe-nos o desejo dos bens alheios, porque Ele quer que nós, até interiormente, sejamos justos, e nos conservemos cada vez mais afastados das ações injustas.
§ 467 - Que nos ordena o décimo Mandamento?
O décimo Mandamento ordena-nos que nos contentemos com o estado em que Deus nos colocou, e que soframos com paciência a pobreza, quando Deus nos queira neste estado.
§ 468 - Como pode o cristão estar contente na pobreza?
O cristão pode estar contente mesmo na pobreza, considerando que o maior de todos os bens é a consciência pura e tranqüila, que a nossa verdadeira pátria é o céu, e que Jesus Cristo se fez pobre por amor de nós, e prometeu um prêmio especial a todos aqueles que suportam com paciência a pobreza.
§ 469 - Além dos Mandamentos da Lei de Deus, que mais coisas somos nós obrigados a observar?
Além dos Mandamentos da Lei de Deus, somos obrigados a observar os mandamentos ou preceitos da Igreja.
§ 470 - Somos obrigados a obedecer à Igreja?
Sem dúvida, somos obrigados a obedecer à Igreja, porque o próprio Jesus Cristo no-lo ordena, e porque os preceitos da Igreja facilitam a observância dos Mandamentos de Deus.
§ 471 - Quando começa a obrigação de observar os preceitos da Igreja?
A obrigação de observar os preceitos da Igreja começa geralmente com o uso da razão.
§ 472 - É pecado transgredir um preceito da Igreja?
Transgredir com advertência um preceito da Igreja em matéria grave é pecado grave.
§ 473 - Quem pode dispensar de um preceito da Igreja?
De um preceito da Igreja só pode dispensar o Papa ou quem dele receber as competentes faculdades.
§ 474 - Quantos e quais são os preceitos da Igreja?
Os preceitos da Igreja são cinco:
- Ouvir Missa inteira nos domingos e festas de guarda.
- Confessar-se ao menos uma vez cada ano.
- Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição.
- Jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja.
- Pagar dízimos segundo o costume.
§ 475 - Que nos manda o primeiro preceito ou manda mento da Igreja: ouvir Missa inteira nos domingos e festas de guarda?
O primeiro preceito da Igreja: ouvir Missa inteira nos domingos e festas de guarda, manda-nos assistir com devoção à Santa Missa nos domingos e nas outras festas de preceito.
§ 476 - Qual é a Missa à qual a Igreja deseja que se assista nos domingos e nas outras festas de preceito?
A Missa à qual a Igreja deseja que, sendo possível, se assista nos domingos e nas outras festas de guarda, é a Missa paroquial.
§ 477 - Por que recomenda a Igreja aos fiéis que assistam à Missa paroquial?
A Igreja recomenda aos fiéis que assistam à Missa paroquial:
- A fim de que aqueles que pertencem à mesma paróquia se unam a orar, juntamente com o pároco, que é seu chefe espiritual;
- A fim de que os paroquianos participem mais do Santo Sacrifício, que é aplicado principalmente por eles;
- A fim de que ouçam as verdades do Evangelho que os párocos têm obrigação de expor à Santa Missa;
- A fim de que conheçam as prescrições e avisos que se dão à estação da referida Missa.
§ 478 - Que quer dizer domingo?
Domingo quer dizer dia do Senhor, isto é, dia especialmente consagrado ao serviço de Deus.
§ 479 - Por que no primeiro mandamento da Igreja se faz menção especial do domingo?
No primeiro mandamento da Igreja faz-se menção especial do domingo, porque é ele o principal dia (de festa entre os cristãos, como entre os judeus o principal dia de festa era o sábado, por instituição do próprio Deus. 48O. Que outras festas instituiu a Igreja? A Igreja instituiu também as festas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, dos Anjos e dos Santos.
§ 480 - Que outras festas instituiu a Igreja?
A Igreja instituiu também as festas de Nosso Senhor, da Santíssima Virgem, dos Anjos e dos Santos.
§ 481 - Por que instituiu a Igreja outras festas de Nosso Senhor?
A Igreja instituiu outras festas de Nosso Senhor memória dos seus divinos mistérios.
§ 482 - Por que foram instituídas as festas da Santíssima Virgem, dos Anjos e dos Santos?
As festas da Santíssima Virgem, dos Anjos e dos Santos foram instituídas:
- Em memória das graças que Deus lhes fez e para as agradecer à bondade divina;
- A fim de que os honremos, imitemos os seus exemplos e alcancemos o auxílio de suas orações.
§ 483 - Que nos manda a Igreja com as palavras do segundo preceito: confessar-se ao menos uma vez cada ano?
Com as palavras do segundo preceito: confessar-se ao menos uma vez cada ano, a Igreja obriga todos os cristãos que chegaram ao uso da razão, a receber, uma vez ao menos em cada ano, o Sacramento da Penitência.
§ 484 - Qual é o tempo mais próprio para cumprir o preceito da confissão anual?
O tempo mais próprio para cumprir o preceito da confissão anual é a Quaresma, segundo o uso introduzido e aprovado ein toda a Igreja.
§ 485 - Por que diz a Igreja que nos confessemos ao menos uma vez cada ano?
A Igreja diz ao menos, para dar a conhecer o seu desejo de que nos aproximemos deste Sacramento com mais freqüência.
§ 486 - É pois útil confessar-nos com freqüência?
É muito útil confessar-nos com freqüência, sobretudo porque é difícil que se confesse bem e se conserve isento de pecado mortal, quem se confessa raras vezes.
§ 487 - Satisfaz-se a este segundo preceito com uma confissão sacrílega?
Quem fizer uma confissão sacrílega, não satisfaz ao segundo preceito da Igreja, porque a intenção da Igreja é que se receba este Sacramento para nossa santificação.
§ 488 - Que nos manda a Igreja com as palavras do terceiro preceito: comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição?
Com as palavras do terceiro preceito: comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição, a Igreja obriga todos os cristãos que chegarem à idade da discrição a receber todos os anos a Santíssima Eucaristia, durante o tempo pascal; e é bom que seja na própria paróquia.
§ 489 - Qual o tempo útil para satisfazer, no Brasil, o preceito da Comunhão Pascal?
No Brasil, o tempo útil para satisfazer o preceito da Comunhão Pascal vai do dia 2 de fevereiro, festa da Purificação de Nossa Senhora e da Apresentação do Menino Jesus no Templo, até o dia 16 de julho, comemoração de Nossa Senhora do Carmo.
§ 490 - Somos obrigados a comungar em alguma outra ocasião, fora do tempo pascal?
Sim, somos obrigados também a comungar em perigo de morte.
§ 491 - Por que se diz que devemos comungar ao menos pela Páscoa?
Porque a Igreja deseja vivamente que não somente na Páscoa, mas com muita freqüência, nos aproximemos da Sagrada Comunhão, que é o alimento divino das nossas almas.
§ 492 - Satisfaz-se a este preceito com uma Comunhão sacrílega?
Quem fizer uma Comunhão sacrílega não satisfaz ao terceiro preceito da Igreja; porque a intenção da Igreja é que se receba este Sacramento para o fim para que foi instituído, isto é, para nossa santificação.
§ 493 - Que nos manda o quarto preceito da Igreja com as palavras jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja?
O quarto preceito da Igreja: jejuar e abster-se de carne quando manda a Santa Madre Igreja, manda-nos que jejuemos e nos abstenhamos de carne na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa; e que nos abstenhamos de carne em todas as sextas-feiras do ano. Esta abstinência pode ser comutada por outra obra pia, a juízo do Bispo Diocesano.
§ 494 - Em que consiste o jejum?
O jejum consiste em tomar uma só refeição, durante o dia, e em não comer coisas proibidas.
§ 495 - Nos dias de jejum, além da única refeição, é proibido tomar qualquer outro alimento?
Nos dias de jejum, a Igreja permite uma pequena parva pela manhã, e uma ligeira refeição à noite, ou, então, cerca do meio-dia, quando se deixa para a tarde a refeição maior.
§ 496 - Para que serve o jejum?
O jejum serve para nos dispor melhor para a oração, para fazer penitência dos pecados cometidos, e para nos preservar de cometer outros novos.
§ 497 - Quem é obrigado a jejuar?
São obrigados a jejuar todos os cristãos, desde os vinte e um anos completos até aos sessenta começados, se não estão dispensados ou escusados por legitimo impedimento. A abstinência começa a obrigar aos catorze anos.
§ 498 - Estão também dispensados de toda a mortificação os que não estão obrigados a jejuar?
Os que não estão obrigados a jejuar, nem por isso estão dispensados de toda a mortificação, porque todos temos obrigação de fazer penitência.
§ 499 - Para que fim foi instituída a Quaresma?
A Quaresma foi instituída a fim de imitarmos, de algum modo, o rigoroso jejum de quarenta dias que Jesus Cristo observou no deserto, e a fim de nos prepararmos, por meio da penitência, para celebrar santamente a festa da Páscoa.
§ 500 - Qual o fim do jejum do Advento?
O jejum do Advento foi instituído para nos dispor a celebrar santamente a festa do Natal
§ 501 - Para que foi instituído o jejum das Quatro Têmporas?
O jejum das Quatro Têmporas foi instituído para consagrar cada uma das quatro estações do ano com a penitência de alguns dias; para pedir a Deus a conservação dos frutos da terra; para Lhe dar graças pelos frutos já concedidos, e para Lhe pedir que dê à sua Igreja santos ministros, que são ordenados nos sábados das Quatro Têmporas.
§ 502 - Para que foi instituído o jejum das vigílias?
O jejum das vigílias foi instituído a fim de nos prepararmos para celebrar santamente as festas principais.
§ 503 - Que nos proíbe a Santa Igreja nos dias de jejum e abstinência?
Quando a pessoa não está legitimamente dispensada, deve no dia de jejum e abstinência tornar uma só refeição plena, podendo fazer duas outras pequenas, uma pela manhã e outra à tarde, que evite grave dano, como, por exemplo, uma forte dor de cabeça. Nos dias de abstinência, proíbe o uso da carne e do caldo de carne.
§ 504 - Por que a Igreja quer que nos abstenhamos de comer carne a sexta-feira?
A fim de que façamos penitência todas as semanas, e sobretudo à sexta-feira, em honra da Paixão de Jesus Cristo.
§ 505 - Como se observa o quinto preceito da Igreja: pagar dízimos segundo o costume?
Observa-se o quinto preceito: pagar dízimos segundo o costume, pagando aquelas ofertas ou contribuições, que foram estabelecidas, para reconhecer o supremo domínio que Deus tem sobre todas as coisas, e para sustentar os ministros do altar.
§ 506 - Que vêm a ser os deveres do próprio estado?
Por deveres do próprio estado entendem-se aquelas obrigações particulares que cada um tem por causa do seu estado, da sua condição e da situação em que se acha.
§ 507 - Quem impôs aos diversos estados os seus deveres particulares?
Foi o mesmo Deus que impôs aos diversos estados os deveres particulares, porque estes derivam dos seus divinos Mandamentos.
§ 508 - Explicai-me com algum exemplo como os deveres particulares derivam dos Dez Mandamentos
No quarto Mandamento, sob o nome de pai e mãe, entendem-se também todos os nossos superiores; assim deste Mandamento derivam todos os deveres de obediência, de amor e de respeito dos inferiores para com os seus superiores e todos os deveres de vigilância que têm os superiores sobre os seus inferiores.
§ 509 - De que Mandamentos derivam os deveres dos operários, dos comerciantes, dos administradores de bens alheios e outros semelhantes?
Os deveres de fidelidade, de sinceridade, de justiça, de eqüidade, que eles têm, derivam do sétimo, do oitavo e do décimo Mandamento, que proíbem toda a fraude, injustiça, negligência e duplicidade.
§ 510 - De que Mandamento derivam os deveres das pessoas consagradas a Deus?
Os deveres das pessoas consagradas a Deus derivam do segundo Mandamento, que manda cumprir os votos e as promessas feitas a Deus; visto como essas pessoas se obrigaram por esta forma à observância de todos ou de alguns conselhos evangélicos.
§ 511 - Que são os conselhos evangélicos?
Os conselhos evangélicos são alguns meios sugeridos por Jesus Cristo no santo Evangelho, para chegar à perfeição cristã.
§ 512 - Quais são os conselhos evangélicos?
Os conselhos evangélicos são: pobreza voluntária, castidade perpétua e obediência inteira, em tudo o que não seja pecado.
§ 513 - Para que servem os conselhos evangélicos?
Os conselhos evangélicos servem para facilitar a observância dos Mandamentos e para assegurar melhor a salvação eterna.
§ 514 - Por que os conselhos evangélicos facilitam a observância dos Mandamentos?
Os conselhos evangélicos facilitam a observância dos Mandamentos, porque nos ajudam a desapegar o coração do amor dos bens terrenos, dos prazeres e das honras, e assim nos afastam do pecado.