Profetas do Antigo Testamento

Os mensageiros de Deus no Antigo Testamento segundo o cânon católico
— sua vida, morte, livros e versículos.

22
Profetas
~457
anos de silêncio
6
Eras históricas
Maior · Menor · Histórico Profeta Maior: Isaías, Jeremias, Baruc, Lamentações, Ezequiel e Daniel — "maiores" pelo tamanho dos livros, não pela importância.

Profeta Menor: Os Doze (Oseias a Malaquias) — livros breves que em hebraico formavam um único rolo chamado Trei Asar.

Profeta Histórico: Mensagem preservada nos livros históricos, sem livro profético próprio.
Classificação

Era Patriarcal

séc. XVI–XI a.C. — Os fundadores da identidade de Israel antes da monarquia
2
Histórico

Moisés

O Libertador de Israel
~1526–1406 a.C.

Nascido no Egito em plena perseguição, foi salvo nas águas do Nilo e criado no palácio do Faraó. Chamado por Deus na sarça ardente do Sinai, liderou o Êxodo de Israel do cativeiro egípcio, guiou o povo quarenta anos no deserto e recebeu a Torá — os Dez Mandamentos gravados pelo próprio dedo de Deus (Ex 31,18).

Como morreu: Morte natural aos 120 anos no Monte Nebo (Dt 34,7), após contemplar a Terra Prometida; foi sepultado no vale, em Moab, e ninguém conhece o seu túmulo (Dt 34,6).
Livros:
Gênesis Êxodo Levítico Números Deuteronômio
Histórico

Samuel

O Último Juiz de Israel
~1105–1012 a.C.

Consagrado ao Senhor por sua mãe Ana antes mesmo de nascer, Samuel ouviu a voz de Deus sendo ainda criança no Templo de Siló (1Sm 3,10). Atuou simultaneamente como juiz, sacerdote e profeta — último dos juízes e primeiro dos profetas da monarquia —, ungindo os dois primeiros reis de Israel: Saul (1Sm 10,1) e Davi (1Sm 16,13).

Como morreu: Morte natural em Ramá, sua terra natal. Todo Israel se reuniu para pranteá-lo e foi sepultado com honras em sua própria casa (1Sm 25,1).
Livros:
1 Samuel 2 Samuel

Profetas Pré-Escrito

séc. IX a.C. — Profetas carismáticos preservados nos livros históricos
2
Histórico

Elias

O Profeta do Fogo
~874–849 a.C.

Profeta de fogo que sozinho desafiou 450 profetas de Baal no Monte Carmelo, invocando fogo do céu que consumiu o sacrifício encharcado de água. Sustentado por anjos no deserto e tocado por Deus no Monte Horeb (1Rs 19,12), Elias é o modelo da vida contemplativa e do zelo pela glória de Deus.

Como morreu: Não morreu: foi arrebatado ao Céu num carro de fogo diante de seu discípulo Eliseu (2Rs 2,11). Malaquias anuncia a sua vinda antes do Dia do Senhor (Ml 3,23), e Jesus ensina que ela se cumpriu em João Batista, vindo «no espírito e no poder de Elias» (Mt 17,11-13; Lc 1,17); alguns Padres esperam ainda uma vinda de Elias antes do fim.
Livros:
1 Reis 17–21 2 Reis 1–2 Eclesiástico 48, 1-11
Histórico

Eliseu

O Herdeiro do Manto
~870–800 a.C.

Discípulo e sucessor de Elias, pediu ao mestre uma dupla porção de seu espírito (2Rs 2,9). Realizou o dobro dos milagres do mestre: curou as águas de Jericó, multiplicou o azeite de uma viúva, ressuscitou o filho da Sunamita, curou Naamã da lepra e alimentou cem homens com vinte pães de cevada. Mesmo seus ossos ressuscitaram um morto (2Rs 13,21).

Como morreu: Morte natural por doença, em avançada idade (2Rs 13,14). Mesmo após a morte, seus ossos possuíam poder milagroso (2Rs 13,21).
Livros:
2 Reis 2–13 Eclesiástico 48, 12-16

Profetas do Século VIII a.C.

~800–700 a.C. — O florescimento da profecia escrita e os primeiros anúncios messiânicos
6
Menor

Joel

O Profeta do Espírito Derramado
~9.º–8.º séc. a.C.

Filho de Petuel, interpretou uma devastadora praga de gafanhotos como prenúncio do terrível "Dia do Senhor". Sua profecia mais célebre — "Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne" (Jl 3,1) — foi citada por São Pedro no discurso de Pentecostes (At 2,17) como cumprimento imediato da promessa. Sua datação exata permanece debatida pela exegese moderna.

Como morreu: Morte natural segundo a tradição. Pouco se sabe de sua vida pessoal; seu nome significa "O Senhor é Deus".
Livros:
Joel Atos 2, 17
Menor

Amós

O Pastor-Profeta
~786–746 a.C.

Simples pastor e cultivador de sicômoros de Tecoa, Amós foi enviado por Deus ao Reino do Norte sem ser profeta de formação (Am 7,14). Com linguagem rude e direta, denunciou os ricos que oprimiam os pobres, "vendendo o indigente por um par de sandálias" (Am 2,6), e clamou por uma justiça que "corra como água" (Am 5,24). Considerado o primeiro profeta a ter um livro escrito em seu nome.

Como morreu: Segundo a tradição patrística (Pseudo-Epifânio), foi golpeado na têmpora por Amazias, filho do sumo sacerdote de Betel, e morreu em consequência dos ferimentos ao ser levado de volta a Tecoa.
Livros:
Amós
Menor

Oseias

O Profeta do Amor Ferido
~755–725 a.C.

Deus ordenou a Oseias que tomasse por esposa Gomer, uma mulher infiel (Os 1,2), tornando seu casamento símbolo vivo da infidelidade de Israel e do amor incansável de Deus, que sempre recebe o povo de volta. Seu livro é um dos mais emocionantes da Bíblia: "Quando Israel era jovem, eu o amei, e do Egito chamei meu filho" (Os 11,1) — texto citado por Mateus em referência à fuga de Jesus para o Egito (Mt 2,15).

Como morreu: Morte natural em Israel segundo a tradição rabínica. Seu sepulcro é venerado em Safed, no norte da Galileia.
Livros:
Oseias
Menor

Jonas

O Profeta Relutante
~786–746 a.C.

Chamado para pregar em Nínive, capital da Assíria inimiga, Jonas fugiu embarcando para Társis. Uma tempestade, o lançamento ao mar e três dias e três noites no ventre de um grande peixe foram necessários para sua obediência (Jn 1–2). Jesus apontou Jonas como sinal da sua própria ressurreição: "Assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra" (Mt 12,40). Identificado com Jonas ben Amitai, mencionado em 2 Rs 14,25.

Como morreu: Morte natural segundo a tradição. Sua suposta tumba foi venerada durante séculos na mesquita de Nabi Yunus, em Mossul (Iraque), destruída pelo Estado Islâmico em 2014.
Livros:
Jonas 2 Reis 14, 25 Mateus 12, 39-41
Maior

Isaías

O Grande Profeta Messiânico
~740–700 a.C.

Chamado numa visão deslumbrante do trono de Deus, com serafins, nuvem de incenso e o cântico "Santo, Santo, Santo" (Is 6,3), Isaías profetizou com clareza única sobre o Messias: a Virgem que conceberia um filho chamado Emanuel (Is 7,14), o Servo Sofredor cujas chagas nos curam (Is 53,5) e a Nova Criação (Is 65). São Jerônimo chamou-o de "quinto evangelista". Atuou durante quatro reis de Judá: Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Is 1,1).

Como morreu: Segundo a tradição judaica e o apócrifo Martírio de Isaías, foi serrado ao meio com uma serra de madeira por ordem do rei Manassés — martírio implicitamente citado em Hebreus 11,37.
Livros:
Isaías 2 Reis 19–20 2 Crônicas 26, 22
Menor

Miquéias

O Profeta da Justiça e de Belém
~737–696 a.C.

Contemporâneo de Isaías, Miquéias era do povo simples, de Morashete no interior de Judá. Clamou contra os poderosos que oprimiam os pobres e profetizou a destruição de Jerusalém. Em Mq 5,1 anunciou com precisão geográfica impressionante: "De ti, Belém de Efrata, sairá aquele que governará Israel" — o versículo citado pelos sacerdotes ao rei Herodes quando os Magos perguntaram onde nasceria o Messias (Mt 2,6). Sua profecia sobre a destruição de Sião (Mq 3,12) foi lembrada para salvar Jeremias da morte (Jr 26,18).

Como morreu: Morte natural segundo a tradição. São Jerônimo (séc. IV) registra que seu sepulcro estava em Morastim e foi localizado no tempo do Imperador Teodósio I.
Livros:
Miquéias Jeremias 26, 18

Profetas do Século VII–VI a.C.

~700–587 a.C. — A agonia do Reino de Judá até a conquista babilônica
5
Menor

Abdias

O Profeta Contra Edom
~587 a.C.

Seu livro é o menor do Antigo Testamento — apenas 21 versículos. Abdias profetizou o julgamento divino sobre Edom (os descendentes de Esaú, primos de Israel) que, ao invés de socorrer Judá na conquista de Jerusalém pelos babilônios em 587 a.C., regozijou-se com a desgraça dos irmãos e colaborou com o inimigo (Ab 1,11-14). O livro conclui anunciando o Dia do Senhor sobre todas as nações e a restauração do povo de Deus.

Como morreu: Morte natural segundo a tradição. Quase nada se sabe de sua biografia pessoal; é o profeta bíblico sobre cuja vida temos menos informações — nem sua origem geográfica é mencionada no livro.
Livros:
Abdias
Menor

Naum

O Profeta da Queda de Nínive
~663–612 a.C.

Profeta de Elcos, Naum anunciou com uma poesia de força literária extraordinária a queda inevitável de Nínive, capital da Assíria — o maior império da época, que havia destruído o Reino do Norte em 722 a.C. Seu livro descreve o cerco e o saque da cidade com detalhes cumpridos em 612 a.C., quando babilônios e medos a varreram do mapa. Seu nome significa "consolação" — e sua mensagem era de alívio para Judá oprimido. A datação do livro é fixada entre a queda de Tebas (663 a.C., mencionada em Na 3,8) e a queda de Nínive (612 a.C.).

Como morreu: Morte natural em sua terra natal, Elcos. Seu suposto túmulo é venerado na aldeia cristã de Al-Qush, no Curdistão iraquiano.
Livros:
Naum
Menor

Sofonias

O Profeta do Dia do Senhor
~640–609 a.C.

Descendente em quarta geração do rei Ezequias (Sf 1,1), Sofonias atuou no tempo do rei justo Josias. Anunciou o Dies Irae (Dia de Ira) — expressão que inspirou o famoso hino medieval da Missa dos Defuntos — como dia de trevas para todas as nações. Mas prometeu a salvação a um "povo humilde e pobre" que busca a Deus (Sf 3,12-13). Em Sf 3,17 encontramos uma das mais belas declarações de amor de Deus: "Ele exultará por ti com júbilo e te renovará com seu amor."

Como morreu: Morte natural segundo a tradição judaica. Foi sepultado em sua terra natal; sua localização exata não é identificada com certeza.
Livros:
Sofonias
Menor

Habacuc

O Profeta que Questionou Deus
~612–589 a.C.

Profeta de personalidade singular, Habacuc estruturou seu livro como um diálogo audacioso com Deus: "Por que me fazes ver a iniquidade?" (Hc 1,3). A resposta divina — "O justo viverá pela sua fé" (Hc 2,4) — tornou-se a pedra angular da doutrina paulina da justificação (Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10,38) — a fé que, na leitura católica, «opera pela caridade» (Gl 5,6). O deuterocanônico Bel e o Dragão (Dn 14,33-39) narra como um anjo o transportou milagrosamente à Babilônia para levar comida a Daniel no fosso dos leões.

Como morreu: Morte natural em Judá segundo a tradição. Uma suposta tumba é venerada em Tuserkan, no Irã, embora outra tradição localize seu sepulcro em Judeia.
Livros:
Habacuc Daniel 14, 33-39
Maior

Jeremias

O Profeta das Lágrimas
~627–580 a.C.

"Antes de te formar no ventre materno, eu te conhecia" (Jr 1,5): chamado desde o seio de sua mãe, Jeremias foi o profeta mais perseguido de Israel — lançado numa cisterna com lama, preso no palácio real (Jr 38,6), carregado à força para o Egito após a queda de Jerusalém. Testemunhou a destruição da cidade e do Primeiro Templo em 587 a.C. Anunciou a Nova Aliança gravada no coração (Jr 31,31), cumprida na Eucaristia (Lc 22,20).

Como morreu: Foi apedrejado pelos próprios judeus em Tapanés (Tachpanhes), no Egito, para onde havia sido levado à força após o assassinato de Godolias (Jr 43,6-7) — inserindo-se no padrão que o próprio Jesus lamentou: "Jerusalém, que matas os profetas" (Mt 23,37). Essa tradição é atestada por Tertuliano e Jerônimo.
Livros:
Jeremias Lamentações 2 Crônicas 35–36

Profetas do Exílio

~605–530 a.C. — Mensageiros na Babilônia que sustentaram a fé de Israel
3
Maior Deuterocanônico

Baruc

O Secretário de Jeremias
~605–560 a.C.

Fiel secretário de Jeremias, Baruc ditou, leu em público e preservou os oráculos do mestre (Jr 36). Seu livro, presente na Bíblia Católica e na Septuaginta (mas ausente do cânon hebraico e protestante), contém uma bela oração de confissão, um hino à Sabedoria identificada com a Torá, e a célebre profecia messiânica: "Depois disso, apareceu na terra e conviveu com os homens" (Br 3,38) — interpretada pelos Padres da Igreja como prenúncio da Encarnação.

Como morreu: Morte natural no Egito ou na Babilônia segundo diferentes tradições. Foi companheiro fiel de Jeremias até o fim; em Jr 45,5 Deus o instrui a não buscar grandes coisas para si mesmo, mas a confiar na sua proteção.
Livros:
Baruc ✦ Jeremias 36 Jeremias 45

Nota: Livro deuterocanônico — presente na Bíblia Católica (Vulgata, Septuaginta) e ausente do cânon protestante e hebraico.

Maior

Ezequiel

O Profeta das Visões
~593–571 a.C.

Sacerdote levado cativo à Babilônia, Ezequiel recebeu visões de uma grandiosidade sem igual: a Merkabá — o carro-trono de Deus com quatro viventes de rostos múltiplos e rodas dentro de rodas (Ez 1) —, o vale dos ossos secos que ressuscitam por ordem profética (Ez 37) e o Novo Templo escatológico medido por um anjo (Ez 40–48). Seu ministério foi sacerdotal, profético e performático: dramatizou com tijolos e ferros o iminente cerco de Jerusalém (Ez 4,1-3).

Como morreu: Segundo o Pseudo-Epifânio (De Vitis Prophetarum), foi assassinado por um chefe israelita na Babilônia a quem havia repreendido pela idolatria. Seu túmulo, em Al-Kifl (Iraque), é venerado por judeus e muçulmanos.
Livros:
Ezequiel
Maior

Daniel

O Profeta da Corte Pagã
~605–530 a.C.

Levado jovem para a Babilônia, Daniel recusou contaminar-se com a comida do rei (Dn 1,8). Deus lhe deu sabedoria para interpretar sonhos: o de Nabucodonosor sobre os quatro reinos mundiais representados numa estátua de metais (Dn 2), a escrita misteriosa na parede do palácio de Baltasar (Dn 5) e a cova dos leões (Dn 6). Recebeu a visão do "Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu" (Dn 7,13) — título que Jesus usou para si mesmo diante do Sinédrio (Mc 14,62).

Como morreu: Morte natural na Pérsia, em avançada idade, após o édito de Ciro. Seu livro termina com a promessa divina: "Tu descansarás e te levantarás para a tua herança no fim dos dias" (Dn 12,13). Seu sepulcro é venerado em Shush (antiga Susa), no Irã.
Livros:
Daniel Susana ✦ Bel e o Dragão ✦

Nota: Livro deuterocanônico — presente na Bíblia Católica (Vulgata, Septuaginta) e ausente do cânon protestante e hebraico.

Profetas do Pós-Exílio

~520–430 a.C. — Os últimos profetas canônicos e o silêncio antes do Messias
3
Menor

Ageu

O Profeta da Reconstrução
~520 a.C.

Após o retorno do exílio babilônico sob Ciro, a reconstrução do Segundo Templo estava paralisada há 16 anos por desânimo e pressão dos inimigos. Ageu exortou o governador Zorobabel e o sumo sacerdote Josué a retomar as obras (Ag 1,1). Com apenas dois capítulos, seu livro foi imediatamente eficaz — a construção recomeçou 23 dias após a sua primeira mensagem (Ag 1,15; Ed 5,1-2). Sua profecia "virá o desejo de todas as nações" (Ag 2,7) é interpretada pelos Padres como anúncio messiânico.

Como morreu: Morte natural segundo a tradição. Sua memória litúrgica é celebrada em 4 de julho no Martirológio Romano e em 16 de dezembro na Igreja Ortodoxa.
Livros:
Ageu Esdras 5, 1-2
Menor

Zacarias

O Profeta das Visões Noturnas
~520–480 a.C.

Contemporâneo de Ageu, Zacarias é o profeta mais citado nos relatos da Paixão de Cristo. Previu a entrada triunfal em Jerusalém sobre um jumento (Zc 9,9 = Mt 21,5), a traição por trinta moedas de prata atiradas ao oleiro (Zc 11,12-13) — citação que Mateus atribui a Jeremias (Mt 27,9-10), provavelmente por fundir o oráculo de Zacarias com os do oleiro e do campo em Jeremias (Jr 18–19; 32), nomeando o profeta maior —, e "olharão para mim, aquele que traspassaram" (Zc 12,10 = Jo 19,37). Recebeu oito visões noturnas simbólicas e é autor do mais longo livro entre os Doze Profetas Menores.

Como morreu: Segundo tradição patrística, foi martirizado no átrio do Templo — alguns Padres o identificam com o "Zacarias, filho de Baraquias" mencionado por Jesus em Mateus 23,35, embora outros identifiquem este com Zacarias filho de Joiada (2 Cr 24,20-21).
Livros:
Zacarias Esdras 5, 1 Mateus 21, 5
Menor

Malaquias

O Último Profeta do Antigo Testamento
~430 a.C.

Malaquias ("meu mensageiro") encerra o cânon profético do Antigo Testamento pregando contra a tibieza religiosa de sacerdotes e povo após o exílio. Anunciou a "oferta pura" em todo o mundo (Ml 1,11) — interpretada pelos Padres como profecia da Eucaristia —, o "Mensageiro" que prepararia o caminho do Senhor (Ml 3,1), citado por Marcos em combinação com Isaías 40,3 (Mc 1,2) e identificado com João Batista, e o retorno de Elias antes do Dia do Senhor (Ml 3,23 = Lc 1,17). Com ele, cerca de quatro séculos de silêncio profético se iniciam.

Como morreu: Morte natural segundo a tradição. Algumas tradições identificam "Malaquias" como título ("meu mensageiro") e não nome próprio — o Targum Jonathan o identifica com Esdras — o que tornaria sua biografia ainda mais incerta.
Livros:
Malaquias Marcos 1, 2 Lucas 1, 17

João Batista — O Último Profeta

~27 d.C. · A voz que encerrou a Antiga Aliança e apresentou o Messias
1
Histórico Último Profeta Precursor

João Batista

O Precursor do Messias
~5 a.C. – ~29 d.C.
Elo entre a Antiga e a Nova Aliança

Filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, parenta da Virgem Maria (Lc 1,36), João foi consagrado profeta ainda no ventre materno — saltou de alegria ao ouvir a saudação de Maria (Lc 1,41). Após ~457 anos de silêncio profético desde Malaquias, sua voz irrompeu no deserto da Judeia como "voz que clama: Preparai o caminho do Senhor" (Is 40,3). Viveu como asceta, vestido de pelo de camelo e alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre, pregando o batismo de conversão nas margens do Jordão.

João Batista foi o único profeta da história a conhecer pessoalmente o Messias e a apresentá-lo publicamente: apontou para Jesus com as palavras "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29) — o anúncio mais preciso e explícito de toda a tradição profética. Ao batizá-lo no Jordão, foi testemunha ocular da descida do Espírito Santo em forma de pomba e ouviu a voz do Pai: "Este é o meu Filho amado" (Mt 3,17).

Como morreu: Decapitado por ordem de Herodes Antipas, a pedido da filha de Herodias — identificada como Salomé por Flávio Josefo (Antiquidades Judaicas 18.5.4), pois os Evangelhos não a nomeiam —, em cumprimento de um juramento imprudente feito durante um banquete (Mt 14,3-12). Morreu como mártir por ter denunciado corajosamente o adultério do rei: foi o único profeta bíblico martirizado por defender a santidade do matrimônio.
Anunciado pelos profetas:
Isaías 40, 3 Malaquias 3, 1 Malaquias 3, 23 Lucas 1 Marcos 1 João 1 Mateus 3 e 11